Problema técnico no equipamento do Tribunal do Júri obrigou ao cancelamento do julgamento dos acusados de sequestrar e matar o adolescente Kaíque Valdir Silva Senger, crime ocorrido em dezembro de 2007, em Araçatuba. O julgamento foi remarcado para a manhã de 19 de abril. Todos os depoimentos colhidos ontem até a falha ser detectada foram anulados e o próximo júri vai começar do zero. O julgamento começou por volta de 9h. Duas testemunhas, sendo um promotor de Justiça e um delegado de polícia, foram ouvidas e os dois réus interrogados, Edilson da Silva e Michel Tomazoti Pimentel. Os acusados estão presos. A sessão parou para o almoço e foi retomada às 13h, quando o Promotor de Justiça Adelmo Pinho começaria a desenvolver sua tese de acusação. Nesse momento, percebeu-se que o aparelho usado para gravar as imagens e o áudio do julgamento só havia captado as imagens. O juiz Sérgio Ricardo Biela, presidente do Tribunal do Júri, decidiu dissolver o conselho de sentença porque se fosse feito tudo novamente a sessão avançaria pela madrugada. PROCESSO Segundo o processo, o adolescente foi morto a mando de uma facção criminosa que age dentro e fora dos presídios porque teria abusado sexualmente de uma adolescente de 11 anos, filha de um presidiário, em 15 de dezembro de 2007.
Consta no processo que no mesmo dia do abuso os dois réus e outras duas pessoas, já falecidas, foram à casa da menina e mantiveram contato pelo telefone com integrantes da facção criminosa. Os membros da organização exigiram punição dos culpados. A ordem da facção foi cumprida e os dois adolescentes sequestrados e levados a um imóvel no bairro Antônio Villela. As vítimas foram mantidas dois dias nessa residência, sendo bastante agredidas. Ao final do segundo dia, apenas Kaíque foi levado para uma propriedade na zona rural de Araçatuba e lá executado com golpes de faca e pedradas.
O corpo foi escondido em um canavial próximo da propriedade e só encontrado cerca de um mês depois, em janeiro de 2008. O adolescente que estava com ele foi libertado, segundo apurado no processo. O Ministério Público denunciou os réus por homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado e pelo crime de ocultação de cadáver.