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Leishimaniose: Pesquisa do Dr Fábio Nogueira traz esperança para o Brasil

 Dr Fábio dos Santos Nogueira, médico veterinário e pesquisador que com certeza já tem o seu nome escrito na história Brasileiro e de países latinos, também fez com que sua cidade fosse reconhecida e esteja na mídia nacional.

Andradina - Flávia Gomes
30/11/16 às 08h22
(Cleber Carvalho)

 Dr Fábio dos Santos Nogueira, médico veterinário e pesquisador que com certeza já tem o seu nome escrito na história Brasileiro e de países latinos, também fez com que sua cidade fosse reconhecida e esteja na mídia nacional. Um médico que acima de tudo se coloca como cidadão, nunca deixou de levar o nome de Andradina e da Fundação Educacional de Andradina (FEA), onde leciona.

 Ele que dedicou 16 anos a estudar a Leishmaniose Visceral Canina a ponto de liderar o teste para liberação de medicamento que trata a doença e, conseguir. Proporcionando a todos que residem no Brasil possam escolher tratar seu cão ao invés de mata-lo por ter contraído a doença. Ou seja, todos os anos de pesquisa deste destemido médico abriram as portas par a comercialização do Milteforan já a partir de janeiro do ano que vem.

 Isso, com certeza muda o destino de milhares de cães. “Como médico veterinário era inconcebível aceitar a eutanásia em cães, estudei com afinco esta doença para ajudar a mudar esta realidade”, diz Fábio Nogueira.

 Perseverante em seu objetivo, Fábio não deixou se paralisar frente a nenhum obstáculo. E foram muitos. Ele conta que para detectar a eficácia do medicamente nos cães que estavam em laboratório aqui em Andradina precisava realizar um procedimento conhecido como Xenodiagnóstico. “Para isso, contratava um motorista para transportar os insetos vivos, virgens e criados em laboratório de Belo Horizonte para Andradina.

 Depois de anestesiados, os cães eram submetidos a picada dos insetos, alimentávamos e cuidávamos destes insetos durante seis dias. Só aí que realizávamos a abertura do intestino do inseto para ver se havia parasito. Esta técnica prova se o cão continuava transmitindo a doença, sendo decisiva para a comprovação da eficácia da medicação”, relata Dr Fábio.

 Este andradinense, já que recebeu o Título de Cidadão este ano, Fábio dos Santos Nogueira é médico veterinário, mestre e doutor pela FMVZ e UNESP Botucatu, professor de Clínica Médica de Pequenos Animais na FEA, proprietário do Hospital Veterinário Mundo Animal, autor do Capítulo de Leishmaniose no livro sobre “Tratado de Medicina Interna de Pequenos Animais”, trabalha com imunoterapia e imunoprofilaxia da Leishmaniose Visceral Canina.

 FALA!: Para começar, poderia nos contar sobre a sua participação na aprovação do medicamento Milteforan no Brasil?

 Fábio Nogueira: O laboratório VIRBAC sempre acreditou no projeto desenvolvido e no tratamento da Leishmaniose Visceral Canina no Brasil. Desde 2010 estamos trabalhando na elaboração de um protocolo de estudo que respondesse questões fundamentais sobre a infeção, e principalmente o papel do cão após o tratamento. 

 Em 2013 o protocolo experimental foi apresentado ao Ministério da Agricultura (MAPA) e após o deferimento teve início a construção de um canil telado no Hospital Veterinário Mundo Animal na cidade de Andradina (SP), com todas as normas de segurança exigidas. Durante um ano, 36 animais foram tratados e acompanhados com exames laboratoriais. Além de mim que era o pesquisar chefe, também foram envolvidos os pesquisadores Ingrid Menz e Valdir Avino. Importante destacar a participação da Fundação Educacional de Andradina (FEA) que me deu todo o suporte necessário e forneceu o documento da comissão de ética e experimentação animal.

 FALA!: Na sua avaliação, o que muda no Brasil com o registro desse medicamento?

 Fábio: Encerramos uma discussão jurídica e científica que durava 53 anos (desde 1963), quando surgiu o decreto Lei que preconizava a eutanásia dos animais doentes como forma de controle. 

 Durante todos estes anos a ciência foi deixada de lado e a discussão evoluiu para o campo jurídico. Agora teremos uma droga eficaz e de uso exclusivo veterinário, não interferindo no programa de controle da Leishmaniose no Brasil.

 Durante 16 anos venho pesquisando sobre a doença e buscando uma forma de tratar os animais. Me deparei com muitas barreiras, com a incredibilidade de muita gente, mas me mantive forte no meu propósito, sabia que seria possível manter e tratar um animal infectado. Hoje, provamos que temos condições.

 FALA!: Quanto tempo foi necessário para a aprovação desse medicamento? Quais foram os argumentos apresentados para a sua aprovação e como foi esse processo?

 Fábio: A Miltefosina é um fármaco que vem sendo utilizado na Europa para o tratamento da Leishmaniose Visceral Canina desde 2007, com o nome comercial de MilteforanÒ (Laboratório Virbac). O estudo teve início em 2013, relatório foi submetido para a aprovação em 2015, e somente em agosto de 2016 o medicamento foi liberado.

 A busca de uma medicação de uso exclusivamente veterinário, com registro no MAPA e que apresente eficácia clínica, laboratorial e sobretudo o bloqueio da transmissão é um passo importante para a Medicina Veterinária.  

 FALA!: Por que o Brasil demorou tanto tempo para aprovar esse tipo de medicamento?

Fábio: A maior preocupação do Ministério da Saúde ainda é com a resistência parasitária, por ser uma doença reemergente, em franca expansão, e que apresenta poucas formulações disponíveis para o tratamento da Leishmaniose Visceral Humana (LVH).

 Era imprescindível também determinar o papel dos cães tratados na epidemiologia da doença. Poucos estudos no Brasil foram conduzidos buscando avaliar a infectividade destes animais tratados.

 Neste estudo além do Xenodiagnóstico que foi realizado em todos os animais, foi utilizado também a técnica de reação em cadeia pela polimerase em tempo real (rt-PCR) de fragmento de pele com quantificação e avaliação da carga parasitária. O Xenodiagnóstico é uma técnica muito difícil de ser realizada.

 FALA!: Como o senhor fará para que o conhecimento da medicação chegue a todos os veterinário?

Fábio: O lançamento do produto começa agora no dia 6 de dezembro em Fortaleza. Depois seguimos palestrando em 16 capitais e cidades onde a doença é endêmica. Importante a educação continuada para o Veterinário, pois muitos ainda desconhecem a doença.

 FALA!: Há restrições para a compra do medicamento?

Fábio: O produto será vendido como medicamento controlado e somente médicos veterinários poderão ter acesso.

 FALA!: O que significa a aprovação desse medicamento para os donos de animais e veterinários no País?

 Fábio: Acredito que durante todos estes anos de doença no Brasil (desde a década de 20), a Medicina Veterinária evoluiu bastante, principalmente no diagnóstico e na prevenção. Com a liberação de uma formulação específica para ser utilizada nos animais, além de encerrar uma discussão jurídica importante, proporciona uma melhor qualidade de vida para nossos pacientes.

 FALA!: Hoje qual é a realidade em leishmaniose em Andradina e em nossa região, caso seja do seu conhecimento?

 Fábio: A nossa região é destaque no cenário nacional da Leishmaniose, e dada a importância e o reconhecimento, diversos estudos são realizados em Andradina e Araçatuba (de vacinas, coleiras, tratamento). A doença surgiu em Andradina em 1999, e muitos cães já foram abatidos durante estes anos.

 FALA!: Como a Leishmaniose entrou em sua vida? E o que ela representa hoje?

 Fábio: Quando retornei em 1999 para Andradina e inaugurei o hoje Hospital Veterinário Mundo Animal, tive o primeiro contato com a doença. Nunca entendi a forma como ela era controlada em nossa cidade. Muitas discussões, tristezas, mas enfrentei e acreditei.

 Hoje sou conhecido no Brasil inteiro, na Argentina, e Paraguai, são mais de 150 palestras já proferidas, e continuo a pesquisar. Outras vacinas e outras terapias estão em fase inicial de estudo e em breve podem surgir novidades.

 Mensagem:

 Para finalizar gostaria de deixar uma mensagem aos meus alunos para que eles reflitam:

“Existem três tipos de pessoas: as que deixam acontecer, as que fazem acontecer, e as que perguntam o que aconteceu” – John Richardson Jr.

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Remédio para tratar leishimaniose será comercializado a partir de janeiro no Brasil (Reprodução)
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