Além da Denise, cerca de 30 pacientes já receberam reconstrução facial pelo Instituto e, agora, 10 moradores do Rio Grande do Norte aguardam para ter suas vidas transformadas com a cirurgia. Para angariar recursos para a realização dos procedimentos, o Instituto lançou a campanha
“Quem vê cara também vê coração”
, que está com a meta de arrecadar R$316.100.
Desde 2015, o Instituto Mais Identidade ajuda a reconstruir a face de pessoas que tiveram o rosto deformado por doenças, traumas ou acidentes. Aliando tecnologia à competência e vontade de ajudar o próximo, o instituto promove, gratuitamente, a recuperação estético-funcional e a reintegração social de indivíduos que apresentem alterações faciais e maxilares. Muito além da estética, recupera-se a dignidade para que essas pessoas voltem a viver de forma plena.
O valor arrecadado com a campanha será destinado a suprir os gastos com deslocamento da equipe com mais de 10 profissionais, de São Paulo até o Rio Grande do Norte, assim como equipamentos, materiais de insumo e demais necessidades descritas na página da campanha. A intenção em buscar recursos através de financiamentos coletivos é poder ampliar a ação do projeto em outros estados, a exemplo do que está sendo feito agora no Rio Grande Norte.
“O tratamento não tem custo para os pacientes, mas tem para o Instituto. Por isso, fazemos campanha para arrecadação de recursos para que possamos continuar fazendo o atendimento gratuito”, justifica Drª. Dib. Além destes beneficiados, o Instituto atende gratuitamente durante todo o ano pessoas que necessitem de reconstrução facial, independentemente da cidade onde residem. Para saber mais sobre o projeto, se cadastrar ou doar, basta acessar o site:
https://www.maisidentidade.org/
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Reconstrução de vida
“Na casa de um paciente mutilado, a primeira coisa que tiramos são os espelhos”, diz a dona de casa Denise Vicentin. Sua luta começou quando ela tinha 22 anos e recebeu o primeiro diagnóstico de tumor no palato, um Adenoma Preomorfico. Dez anos depois, por meio de uma nova biópsia, descobriu o segundo tumor. Mais uma década se passou e ela foi diagnosticada com um carcinoma, um tumor maligno.
Com uma nova suspeita de retorno do tumor, Denise foi submetida a sessões de radioterapia que acarretaram em problemas de visão. Assim, ela viu seu rosto perder a identidade. Tímida, quando precisava ir à rua enfrentava outra batalha: suportar os olhares de curiosidade e espanto das pessoas. “Eu evitava olhar para elas, justamente, para não ver esses olhares que constrangem muito”, lembra.
Em 2017, Denise recebeu ajuda de uma pessoa que a apresentou ao cirurgião bucomaxilofacial Luciano Dib e ao Instituto Mais Identidade. Acompanhada por uma equipe multidisciplinar, o tratamento começou de dentro para fora com apoio psicológico até chegar o tão esperado momento de se olhar no espelho, depois de anos evitando ver o próprio reflexo.
Nesse processo, Denise teve parte do seu rosto preenchido com prótese oferecida pelo Instituto Mais Identidade. Foi uma jornada de muita expectativa e medo. “Tinha a sentença de ficar na sala de cirurgia devido a tamanha gravidade. Graças a Deus, eu posso dizer que sou um milagre”, relembra.
O resultado tão esperado veio no final de 2019, com a colocação da prótese ocular e o sonhado reencontro com o espelho. “Quando olhamos nosso reflexo, a imagem fica no olhar e na nossa mente. Assim que paramos de nos olhar, essa imagem sai da visão e da mente. Depois do implante, a autoestima aumentou de forma que me surpreendeu. O espelho voltou a ser meu amigo”, revela.