Nossa reportagem já publicou matérias sobre a contaminação de veneno em lavouras próximas às plantações de cana de açúcar. Agora surge um novo desequilíbrio ambiental: as moscas de estábulo. Elas estão se procriando absurdamente nas fazendas onde são lançados os carregamentos de vinhaça, descartada da fabricação de álcool e açúcar.
Os sitiantes que criam gado de corte e leite estão desesperados. As moscas não deixam os animais se alimentarem. É deprimente assistir os bichos correndo de um lado para o outro sem se livrar das moscas. Não conseguem sequer se alimentarem durante o dia. E à noite, quando deveriam estar ruminando, acabam buscando o capim para matar a fome. O resultado é a queda na produção de leite e a magreza dos animais.
Isso é um atentado, um desrespeito dos usineiros. Aliás, mais um deles, pois já constatamos que os inseticidas ou maturadores, usados para antecipar o ciclo produtivo da cana está interferindo em outras lavouras mais próximas.
Na tarde do dia 26 de setembro, um grupo de sitiantes produtores de leite entregou ofício na sede da Usina GASA de Andradina, solicitando solução para o problema. Segundo informações técnicas, a aplicação da vinhaça não é feita corretamente e ao invés de ser absorvida pelo solo, para servir como fertilizante, forma poços e se acumulam por vários dias, propiciando a proliferação das moscas. Existem formas de se reduzir isso. Uma delas seria o manejo correto dessa aplicação, a outra seria a mistura da vinhaça com produtos que deixariam de atrair as moscas.
Tudo que se pede do setor da cana na região Noroeste, é que respeitem os demais produtores e que exerçam suas atividades sem prejudicar o meio ambiente. A vinhaça mal depositada no solo também está matando os peixes em rios e lagoas. Na próxima edição do jornal Noroeste Rural, estaremos divulgando depoimento de sitiantes desesperados que já tiveram perdas de até 50% da produção leiteira.