Após um ano vivendo na Tailândia, Marcela Ohio, andradinense, modelo, Miss T Brasil, Miss International Queen, retorna ao Brasil e compartilha suas recordações pós-cirurgia, suas experiências e fala de planos para 2017. Com o olhar de conquistas, o sorriso de sempre e cada dia mais feliz com a condição de mulher abre o diário e o coração.
FALA: Passado mais de um ano de sua cirurgia como está a Marcela Ohio?
Marcelo Ohio: Muito feliz, sensação de plena, de olhar no espelho e não ter mais nada que te incomoda, que falar, pensar. Sensação de ser 100%, de completa, plenitude. Lembro que a cirurgia foi bem delicada, muito evasiva, e claro que nesse período tive momentos de fraqueza, mas nunca tive dúvida ou arrependimento. Tive todo o preparo psicológico com psiquiatra, então eu sabia o que poderia acontecer e estava muito preparada. O abalo emocional e os picos de altos e baixos, ficar 5 dias deitada, parada sem poder se mexer, banho seco, desconforto, mas não tive um momento de arrependimento. Estou feliz”.
FALA: Como foi sua chegada e estadia em Pattaya, na Tailândia?
Marcela: Foi impactante e tive um pouco de medo. Fui levada a um flat ainda estava vazio, no quarto não tinha nada, me perguntaram se eu me servia, disse que sim. A primeira noite dormi em um hotel, estava assustada. Mas no outro dia, me levaram ao flat e estava tudo arrumado, com geladeira, microondas, cama, toalhas. O primeiro dia foi de desespero. Enviava vídeos para a minha mãe chorando. Mas no terceiro dia já estava tranquilo. O ambiente era bem diferente, mas muito quente. E o meu inglês estava enferrujado (risos). Eu abria a janela e via o mar, a minha vista era maravilhosa.
FALA: Você foi para trabalhar, como era sua rotina?
Marcela: O meu cotidiano na Ásia eram três show por dia, trabalhava bastante e às vezes tinha até mais que isso porque surgiam substituições de meninas em outros shows. Então tinha dia que rolava até nove shows, duas folgas por mês, trabalhava de segunda a segunda e quando não tinha show, tinha gravações para a televisão, quando não era uma coisa, era outra. Recordo-me de ter machucado o pé umas três vezes e em uma dessas eu torci feio, doía muito, inchou só que eu não podia ficar em casa e abrir espaço para outra, ia mesmo com a dor. O médico me deu sete dias de repouso e eu só faltei um, comprei um spray que alivia a dor e fazia os shows, sempre tinha esse spray, e sorria.
FALA: E o relacionamento com as colegas de trabalho? É diferente do Brasil?
Marcela: Amizades, fiz uma dentro do teatro, convivia muito. Lá parece ser mais fácil a convivência do que aqui. Também tem inveja, brigas, picuinha, só que bem menos lá do que aqui. Sempre com muita brincadeira. Tem que estar se sentido bem, pois o teatro é um conjunto. No começo eu achava maravilhoso, mas depois aquilo começou a me cansar. Tinha dias que íamos gravar na televisão em Bangkok e eu voltava e falava que estava cansada e queria ir para casa. A van até me deixava em casa, e as outras meninas que se apresentavam ficavam “p” da vida e se perguntavam porque que eu podia descansar e elas não. Mas eu tinha status de superstar.
FALA: O que te fez voltar? Algo de desanimou?
Marcela Ohio: Sentia que pelo fato de ser brasileira estava sendo muito cotada. Exploravam por eu ser alta, chamar atenção, eu era um produto do teatro e tinham outras meninas que tinham até mais talento, mas tudo era somente eu, “merchandising”, isso foi quase no final, e começou a me incomodar muito. Foi por isso que sai de lá, ambiente de trabalho não estava harmônico. Estava me machucando, foi um ano onde aprendi, vivi, consegui ganhar dinheiro, foi uma experiência incrível. Até meu pai me surpreendeu. Ele me ligou, conversava por vídeo chat, ele mostrou preocupação e saudades de mim, esse tempo longe da família fez com que os sentimentos na família fossem aflorados. Foi bem construtivo. Tinha responsabilidades na Tailândia, dependiam de mim, tinha horários e também de estar fora. Até chinês eu aprendi e, claro, aprendi o tailandês.
FALA: E quais os planos para 2017? Já tem algo em mente?
Marcela: Chegou a aparecer uma oportunidade para ir para a China, mas pretendo ficar aqui no Brasil. Volto para São Paulo após as festas de fim de ano. Quero muito voltar a estudar, hoje não é só meu pai que me cobra, mas eu também. Esse tempo na Tailândia deu pra eu ganhar um bom dinheiro e parte eu guardei. Já conquistei bastante coisas e tudo aconteceu de forma muito rápida na minha vida, especialmente depois do Miss T aos 17 anos.
FALA: Você se sente realizada?
Marcela: Sinto-me totalmente realizada. Todo ano que eu coloco uma meta e eu consigo realiza-la, por mais que tenhamos os obstáculos não podemos desistir do que queremos. Vou mergulhar de cabeça e vai dar tudo certo.