O autônomo eletricista, Edmar Donizete Souza e sua esposa Silvia Paula Piauí Calister, viveram a experiência de sair do país em busca de uma vida melhor. Porém chegaram à conclusão de que o Brasil ainda é o melhor lugar para se viver.
Edmar trabalha como “marido de aluguel” e presta serviços elétricos, hidráulicos em geral. No mês de março deste ano, ele e Silvia resolveram se mudar para Lisboa, Portugal, para prestar os mesmos tipos de serviço por lá. Assim que chegou eles perceberam que não seria tão fácil como imaginaram.
“As oportunidades são desiguais para os brasileiros. Há muito preconceito com quem é de fora. Encontramos muitas dificuldades em obter documentação e moradia”. Edmar conta que gostaria muito de morar lá, porém não queria ficar em situação ilegal, mas para permanecer no país a burocracia era muito grande. “Sem estar legalizado não conseguiríamos sequer alugar um imóvel”.
As diferenças culturais também eram bem grandes. Edmar conta que os portugueses possuem um jeito diferente de lidar com as pessoas. “Eles não são grosseiros, mas não tem o mesmo zelo que nós temos ao tratar as pessoas. Mas são prestativos e gentis quando pedimos alguma informação”.
Outro aspecto que também era diferente era o vocabulário. Silvia conta que, antes de ir, ela foi alertada a não pedir “durex”, se quiser comprar fita adesiva. “Lá em Portugal, durex é camisinha”.
O lado positivo da viagem foi perceber que lá as coisas realmente funcionam. “O transporte público é eficiente e pontual, a cidade é limpa. Os impostos são altos, mas são realmente revertidos em benefício da população”. Edmar e a esposa ficaram por lá 32 dias, tempo suficiente para perceber que a economia de Portugal não está muito bem. “Enquanto estávamos lá percebemos que não queríamos ficar longe da nossa família e que o Brasil continua sendo o melhor lugar para morarmos. Aqui já somos reconhecidos, lá não”, diz o eletricista.
Quando retornaram e recomeçaram com a prestação de serviços a surpresa foi maior (e melhor) ainda. “Fomos recebidos de braços abertos. Alguns clientes disseram que rezaram muito para que voltássemos”, revela Silvia.