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O pai Edpídio, na visão de seu filho

 Sim ele desbravou, derrubou mato (pam pam pam dos machadeiros.

Andradina - Crônica de dr. Carlos Tencarte
15/12/16 às 15h30
(Antonio Carmo)

 Sim ele desbravou, derrubou mato (pam pam pam dos machadeiros...) cerrou,  capinou, plantou café,  construiu casas, andou a pé, semeou capim, arou com o Burro Rio Preto, construiu açudes, bebedouros de animais.....

 Meu pai sempre foi amante da vida pública, desde cedo ao se estabelecer na comunidade bairro Timboré se envolveu com os amigos...sim Congregado Mariano, grupo de teatro, autor, ator, diretor, jogador de futebol..... Do que ele se orgulha: da grande transformação da sociedade.

 Sempre me recordo de meu pai deixando seus afazeres pessoais e mesmo familiares para estar no meio dos seus amigos.  Quando foi eleito pela primeira vez já fez questão de agregar seu valor rural em sua vida politica – criou a Semana do Lavrador.

 As festas da Semana do lavrador eram fato marcante a cada ano, muitos convidados, na maioria dos anos recebido em nossa propriedade para um jantar aos homenageados e seus familiares, sempre realizando uma sessão solene ali mesmo, próxima ao povo. Até baile tinha depois de tudo.

 Ele se sentia realizado nestas comemorações e aproveitava para estreitar os laços com seus amigos. Nesta época grandes lideres políticos estavam em nosso meio (secretários de estado, deputados federais e estaduais, e até mesmo senadores) chegaram a frequentar esses eventos de grande simplicidade.

 Por 28 anos serviu ao legislativo mas nunca perdeu a facilidade de se encontrar com os seus amigos e eleitores, chegávamos a ter em época de eleição as casas marcadas nos mapa cartográfico, onde me recordo do mesmo nomear os moradores e contar os seus votos!

 A politica mudou muito, seu estudo pautado na madureza e na rigidez da vida sendo alfabetizado já adulto é percebido em sua fala e sua maneira de expressar e isso fez com que sua presença e penetração na faixa de eleitores mais novos fossem prejudicadas.  Ao realizar seu pronunciamento na Câmara onde recebeu a homenagem podemos perceber o homem do povo falando para o povo daquilo que tem como bagagem de vida pública, mas intermediado com erros de concordância e pronuncias que sempre o acompanharam.

 Ele terminou sua vida publica  (com cargos eletivos) mas nunca deixou de ser um homem ligado a politica. Quando presidente da Câmara se ocupou em construir gabinetes para os vereadores, abriu caminho para contratação de assessores e colocou Andradina da União dos Vereadores do Brasil.

 O orgulho que tenho é de ver um pai que nasceu e viveu anos no analfebetismo, ter conquistado para os seus, espaços até então não alcançados e, poder ter sido uma voz do povo em prol do povo. Financeiramente a politica era de outras épocas, onde parte desses 28 anos significava ter esse trabalho de representatividade sem ter subsídios financeiros nenhum.

 Era prazeroso ser representante do povo por ser do povo, sem  nenhum estimulo financeiro, aliás, deixava sua propriedade e seus afazeres de pequeno produtor rural para se dedicar a vida pública. Minha mãe costureira, eu e minha irmã trabalhando no comércio e estudando.

  Espero que essa história nos sirva de lição para termos sempre em mente o exemplo de quem viveu para o próximo, ama e agradece a Deus pela oportunidade que teve e ainda tem de fazer parte desta sociedade que ele ama e que ajudou a construir. 

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