Um homem, acusado de ficar nu ao atacar mulheres na área central de Castilho, foi reconhecido na tarde de segunda-feira (11) por dez vítimas depois de ser detido por policiais civis, com apoio da Polícia Militar. Roupas e uma bicicleta foram apreendidas.
Todas as dez vítimas localizadas pela polícia, entre 14 e 35 anos, fizeram o reconhecimento do ‘peladão’, que passava a mão nas moças e ainda exibia o órgão genital. Os ataques eram realizados pela manhã, nos arredores de escolas, por volta de 6h, quando algumas mulheres estavam em pontos de coletivo ou indo para a aula.
Os crimes aconteciam desde maio deste ano. O reconhecimento foi unânime. Algumas das vítimas ficaram assustadas e precisaram ser amparadas pelos policiais.
ESCURO
Os ataques aconteciam nas ruas José Leandro de Souza, que fica em frente à Escola Municipal Youssef Neif Kassab, e José Manoel de Ângelo, lateral com a Escola Estadual Dário Giometti, próximo ao estádio municipal. Ele se aproveitava da pouca iluminação e ficava nas proximidades, às vezes em uma bicicleta, que foi apreendida.
Uma das vítimas encontrou o ‘peladão’ duas vezes só no mês passado, registrando boletim de ocorrência. “Ele assoviou; quando olhei, ficou pelado, mostrando o pênis e encobrindo o rosto”, narrou uma das vítimas.
Na segunda vez, segundo ela, o acusado até colocou as mãos entre suas pernas e apertou suas nádegas. “Ele estava novamente com o rosto coberto; vestia short jeans idêntico ao que foi apreendido”, declarou.
Outra vítima contou à polícia que correu quando o viu mostrando o órgão genital. Mas ele a perseguiu, colocando as mãos entre suas pernas e dizendo palavras obscenas. O ‘peladão’ estava em uma bicicleta e também com o rosto coberto. “Mas eu marquei bem os olhos dele”, afirmou a moça.
NEGOU
Após o reconhecimento, o homem, que é casado e tem filho, negou o crime. Ele vai responder em liberdade por importunação ofensiva ao pudor. O delegado responsável pela apuração do caso, Carlos Sérgio Falsiroli, explicou que foi registrado um termo circunstanciado e que não cabe prisão e nem expedição de andado de prisão.
Uma das vítimas confirmou à reportagem as acusações registradas contra o ‘peladão’. “Depois disso, eu comecei a ter medo de ir a pé, sozinha, para a rodoviária”, disse. “Qualquer pessoa com o mesmo estereótipo e de bicicleta me deixa preocupada na rua, com medo de que queira fazer algo comigo”.
A vítima disse ainda que mudou o trajeto quando vai a pé. “Isso me deixou mal. Parece que o que este rapaz fez ‘não é nada demais’, mesmo com tantas ocorrências”, disse. “O que precisa para um tarado ser preso? Será que precisa acontecer uma tragédia? É o que ficamos pensando ao saber que depois de tudo isso ele ainda está solto”, lamentou.