Um grupo que defende a entrega do Barracão do Produtor aos agricultores associados ou que formaram cooperativas. Já outro defende a terceirização, ou seja a entrega da administração do barracão com todo esquema de comercialização, a uma empresa privada especializada nesse assunto. Nesse caso, a Prefeitura que é proprietária faria uma concessão através de licitação, com estabelecimento de regras e compromissos.
O racha foi observado no encontro realizado recentemente. Os integrantes do Sintraf- Sindicato da Agricultura Familiar , defenderam o empoderamento do Barracão por parte dos próprios agricultores, ou através da união das Associações. Mas o presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento rural de Castilho, discorda dessa proposta.
Eder Gomes de Freitas que também é presidente de associações de produtores, diz que os agricultores tinham que se preocupar apenas em plantar, colher e criar animais com qualidade.
Para Eder está provado que os agricultores não tem experiência para enfrentar o mercado consumidor. “Os atravessadores são o mal necessário”, afirmou ele considerando a necessidade de profissionalizar esse setor e de estabelecer regras.
Comercialização. Para Eder esse é o problema maior. Ele disse ter participado de reuniões promovidas pelo Governo do Estado que vem apresentando um programa de comercialização.
A proposta do Governo, segundo Eder não é consistente porque se resume apenas em levar a safra dos agricultores familiares até as centrais de alimentos de grandes centros consumidores, exigindo que o sitiante negocie diretamente seus produtos com o comprador. “O combinado não é caro.
Poderíamos estabelecer um percentual de custo e comissão para os administradores do sistema e assim ampliar muito mais nosso faturamento”, disse Eder.
Para Eder compras para a merenda escolar, por exemplo, precisam de mais planejamento e profissionalismo para plantar e colher na hora certa e na quantidade que foi combinada. As prefeituras continuam comprando pouco dos agricultores familiares.
Em Mirandópolis um grupo de agricultores se especializou na burocracia e no planejamento e por isso, estão ampliando as vendas. São eles os intermediários do negócio que ganham comissões, assim como numa Cooperativa, e que conseguem oferecer produtos para várias prefeituras.
Em Castilho o Barracão do Produtor deve ganhar mais uma estrutura. Além da câmara fria que funciona praticamente sem uso, o Sintraf vem fazendo gestão para que a Prefeitura apresente um projeto e ganhe equipamentos para instalar ali mesmo, numa parte do Barracão, uma Unidade Processadora de Alimentos- UPA. Seria para fabricação de queijos, linguiças, doces e outros produtos.
Eder Gomes diz que tudo isso é importante, mas nem a Prefeitura nem os agricultores estão preparados para assumir tamanha responsabilidade de produzir e comercialização. Por isso ele diz que vai lutar para que toda estrutura seja administrada por uma empresa privada, especializada e competente.