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Quando o som dependia da força física

 Na década de 1960 os órgãos de teclados ainda não eram elétricos.

Andradina - Noroeste Rural
23/01/17 às 09h05
(Noroeste Rural)

 Na década de 1960 os órgãos de teclados ainda não eram elétricos. Eles funcionavam com a força física de quem os tocavam. Era preciso usar dois pedais para encher o fole de ar e assim fazer com que o som fosse emitido.

 Nessa época a professora Neyde Gava foi convidada pelo padre Elísio de Oliveira, a ser a organista oficial da Matriz de São Sebastião. E durante 25 anos ela garantiu o som que acompanhava as vozes, com até duas missas de apresentação por dia em épocas de festa como Natal, Ano Novo e Semana Santa.

 Para garantir esse trabalho voluntário e de fé, Neyde abriu mão de parte da convivência com a família. “Mas minha família entendia tudo que eu fazia e sempre me deram apoio ”, disse Neyde. Ela é mãe de um casal de filhos e já tem 4 netas e uma bisneta. Seu esposo falecido recentemente era Décio Gava, dono de uma voz impressionante e que também costuma estar nas celebrações especiais, fazendo leitura de textos bíblicos.

 Ainda bem jovem Neyde não tinha dificuldades para pressionar os pedais do órgão e arrancar dele alto som. O órgão naquela época era de fabricação alemã e possuía uma alavanca lateral, para que algum integrante do coral pudesse socorrer o organista, caso não tivesse força para continuar pedalando. Isso ocorria geralmente nas cerimônias mais demoradas.

 Hoje além da tecnologia dos aparelhos eletrônicos e computadorizados, as músicas e partituras podem ser acessadas pela internet e a cada missa, as canções são diferentes. Isso é possível porque nos dias atuais, cada cantor pode aprender a melodia em casa e quando vem para a igreja, pode trazer a letra no próprio aparelho celular.

 Mas no tempo de Neyde Gava não era assim. O coral com mais de 25 pessoas se reunia pelo menos duas vezes por semana e por várias horas passavam e repassavam os hinos. A equipe de canto também era de gente bem humorada como dona Emilinha Fonzar e Clara Geraldo( a soprando do grupo) que provocava arrepios quando soltava a voz cantando “Ave Maria”, deixando até os corações mais sólidos com lágrimas nos olhos. 

 Hoje o órgão eletrônico faz tudo e as dificuldades não são mais as mesmas. Neyde Gava disse que deixou o coral após a morte de dona Clara. “Eu senti muito sua falta e não consegui mais manter a mesma dedicação”, disse a ex-organista que mora sozinha num apartamento no centro da cidade.

 O encontro e a entrevista com Antônio José do Carmo, o jornalista que também fez parte desse coral, foram de muita emoção para Neyde que afirma ter vivo naquela época, os melhores momentos de sua vida. “Não tenho dívidas de que meus serviços à Igreja e minha fé em Jesus Cristo tem ajudado para que eu enfrente as dificuldades da vida com altivez e esperança”, afirmou ela.

 Durante o período de Neyde como organista passaram pela paróquia os padres Bento, Edir e Orides Façoni todos já falecidos e que marcaram suas passagens pela generosidade, carisma e entrega ao serviço de evangelização na Igreja de São Sebastião.

 “ Apesar do sacrifício era muito bom. Sinto saudades imensa com companheiros de Fé: Leite, Jesuína, o Milton, dona Emilinha, dona Clara entre outros. Esses anos marcaram muito em minha vida”, concluiu.

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