O consumidor já percebeu nos últimos meses a queda no preço de diferentes tipos de carne. A princípio a queda era tratada como "promoção", mas agora já está com preço fixo. O contra-filé, um dos cortes mais consumidos, chegou a ser comercializado no ano passado em Araçatuba por R$ 33,00.
Agora é possível comprar o mesmo corte por R$ 19,90 o quilo, redução de quase 40%. Nada acontece por acaso e a queda no preço é reflexo no consumo mais baixo, consequência da crise que atingiu o país desde 2014. Segundo o presidente do Sindicato Rural da Alta Noroeste (Siran), Marco Antônio Viol, o consumo per capita de carne bovina no Brasil era de 30 quilos entre 2012 e 2013. O ideal seria acima de 35 quilos. Agora, o consumo é de apenas 18 quilos. Com esta queda tão brusca, não tinha como manter o preço elevado e a queda foi consequência. No dia 1º de março de 2016, o boi era vendido a R$ 155,00 em São Paulo e R$ 140,00 em Mato Grosso do Sul. No dia 1º de março de 2017, a arroba do boi era vendida a R$ 145,00 em São Paulo e R$ 132,00 em Mato Grosso do Sul. Sem considerar a inflação no período, a queda no preço foi superior a 5%. Isso reflete diretamente no varejo. Conforme explicação do criador e presidente do Siran, Marco Viol, a exportação, que seria a alternativa para compensar a queda no consumo interno, não consegue ultrapassar 25% da produção do país. O mercado externo exige qualidade e o Brasil tem apenas centros com qualidade.
Porém, o país de um modo geral ainda tem muito o que evoluir neste aspecto, como investimento em melhoria genética e manejo dos animais. "Recente reunião da Associação Brasileira de Criadores de Zebu discutiu a necessidade de estimular os pequenos e médios criadores, que são a maioria, a investir em qualidade", disse Viol, lembrando que a criação é apenas uma parte da cadeia produtiva. É preciso investir em estradas e portos para garantir a exportação. "Isso não se faz rapidamente. Demanda tempo", explicou o sindicalista. Desta forma, para recuperar o mercado, a expectativa é o aumento do consumo interno. Mas ninguém quem fazer um prognóstico da economia. "A política continua refletindo negativamente na economia", disse o presidente do Siran.
Viol explicou que outros setores da economia conseguem resposta na exportação. "A indústria automobilística é exemplo disso. Nossos carros são comercializados em várias partes do mundo. Já com a carne não é tão fácil, não temos a qualidade exigida e cobrada pelos consumidores de outros países", acrescentou. Desta forma, segundo ele, há caminhos a seguir, como investimentos na melhoria da qualidade para elevar a exportação e estimular o consumo interno, mas isso só é possível como o aumento da oferta de empregos. "Isso não sabemos quando vai ocorrer. Assim, a tendência é o preço cair ainda mais", disse. Para Marco Antônio Viol, o problema é sério, pois indica que expressiva parcela da comunidade está deixando de consumir proteína animal. Da mesma forma, produtores estão ficando descapitalizados, pois estão vendendo o gado a um preço que não corresponde com o custo. Todos perdem. GENÉTICA
Segundo Marco Antônio Viol, a melhoria genética é um dos caminhos para melhorar a qualidade do carne. Ele afirmou que o cruzamento entre o Nelore e o Angus teve efeito positivo no Brasil. Os animais mantiveram a rusticidade do Nelore com a qualidade da carne do Angus.