Descobrir uma doença que não tem cura pode significar para muitos que a vida não terá mais sentido ou que tudo acabou, mas existem pessoas que driblam a situação de forma excepcional e encontram motivos a mais para conviver da melhor maneira possível com o diagnóstico. Esse é o caso da Médica Veterinária de Três Lagoas, Raiza Medeiros, 27 anos.
A jovem, de 1.65 de altura, cabelos longos e corpo escultural descobriu há mais ou menos um ano que tem o vírus do HIV e desde então intensificou seus treinos de Muay Thai – ela também dá aulas para mulheres -, encontrou tempo para praticar Cross Fit e concilia tudo isso com a sua profissão; ela atende de segunda a sexta-feira, das 17h30 às 21h30, em uma clínica veterinária e ainda é responsável técnica em um supermercado na área de inspeção de produtos de origem animal.
É possível observar que a agenda da jovem está sempre cheia de compromissos e ela consegue “dar conta” de tudo graças a sua determinação e disciplina, que envolve desde o uso de medicamentos aos treinos e alimentação balanceada.
De acordo com Raiza, nunca houve desconfianças de que poderia ser soropotivo, porém, há um ano ela passou a sentir dores de garganta, nas articulações e fraqueza. Ela visitou alguns médicos, porém, sem nenhum diagnóstico, até que um deles resolveu pedir o exame de HIV. “Quando ele me pediu esse exame eu não tive medo, pois jamais imaginava que pudesse ser soropositivo, até porque eu sempre tive namorados, nunca fui de me relacionar com muitas pessoas”, destacou.
Após alguns dias, Raiza buscou os resultados dos exames e após almoçar resolveu abri-los, já que sabe identificar os resultados; foi então que ela notou alterações no exame de HIV. “Naquele momento eu chorei muito, fiquei em pânico, gritei a minha mãe e pensei: isso não está acontecendo comigo. Eu fiquei com o coração na mão”, relatou.
No mesmo dia, ela comentou com uma amiga veterinária a qual trabalhava junto e mesma falou com uma médica que a orientou a procurar um infectologista com urgência; quando ela consultou o especialista recebeu o diagnóstico: “você é soropositivo”.
Conforme Raiza, o médico explicou tudo sobre a doença e ela passou a ler mais sobre o assunto, a buscar por informações. “Foi difícil nos primeiros meses, mas fui entendendo mais sobre o HIV e me conformando. Eu sou uma pessoa do bem, acredito muito em Deus e acho que cada um colhe o que planta e não existe culpado ou culpada. Hoje eu sigo a minha vida com a cabeça erguida e sem prejudicar ninguém”, destacou.
PRECONCEITO
“Ele existe. A princípio fico triste, mas depois fico tranquila. Eu acredito que ele vem mais de pessoas antigas ou mal informadas. Hoje em dia temos medicamentos disponíveis de alta qualidade, uma pessoa portadora do HIV, que recebe o tratamento adequado, como é o meu caso, vive bem como qualquer outra pessoa”, disse a Médica Veterinária.
A jovem destaca, ainda, que nunca teve problemas em ter um relacionamento amoroso depois que recebeu o diagnóstico e que é sempre muito transparente. “Eu acredito que se a pessoa gosta de mim de verdade esse não é um problema e se acontecer um ato sexual que seja com camisinha, porém, a prevenção serve para todos não só para mim”, pontuou.
Conforme Raiza, se pudesse dar um conselho seria: “antes de julgar o próximo saiba da sua luta, da sua vida e o porquê passa por certas situações e, claro, usem camisinha, isso é óbvio”. E aos casais que pretendem se casar, a jovem orienta a consultar um médico e a fazer exames. “Esse é um passo muito importante e necessário”, completa.