Geral

Rebeliões, greve e a sociedade, na reflexão do jornalista Jean Oliveira

 A região de Araçatuba experimentou, no último final de semana, uma sensação de alarme que há muito tempo não sentia.

Castilho - Roni Willer
09/02/17 às 08h39
ARTIGO DE JEAN OLIVEIRA, JORNALISTA FORMADO PELA FACULDADE DA TOLEDO DE ARAÇATUBA (Roni Willer)

 A região de Araçatuba experimentou, no último final de semana, uma sensação de alarme que há muito tempo não sentia. Nas penitenciárias de Lavínia e Valparaíso foram registradas tentativas de fuga e depredações. 

 Detentos se negaram a voltar para as celas e tentaram fugir após o encerramento do horário de visitas. Ampliando um pouco o mapa, mas ficando ainda no interior do Estado, um preso foi encontrado morto em sua cela com marcas de estrangulamento no sábado. O crime aconteceu na Penitenciária Orlando Brando Filho, em Iaras (região de Bauru).

 Ao recebermos estas notícias, não deu para não temer pelo pior depois da barbaridade registrada nas unidades prisionais do Norte e Nordeste em janeiro, onde ocorreram 119 mortes violentas. E se não bastasse isso, ainda temos assistidos, atônitos, a greve da policia no Estado do Espírito Santo. Um movimento que o secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, André Garcia, chegou a classificar como “chantagem” e “teatrinho”.

 Teatrinho, a meu ver, é continuar a tratando covardemente as forças de segurança pública de nosso país, colocando a vida dos nossos policiais e agentes penitenciários em risco ao serem obrigados a trabalhar em condições precárias e esperar que eles consigam ser os únicos responsáveis por garantir a segurança fora e dentro dos presídios.

 Chantagem, para mim, é continuar gerindo e usurpando o dinheiro e a máquina pública de forma ineficaz, e esperar que os desvalidos de educação, saúde e esperança não encontrem na revolta e na violência um instrumento de sobrevivência. As rebeliões por todo o país, a greve dos policiais e a desesperança da sociedade – principalmente a preta e pobre da periferia – são sintomas de nosso sistema desigual. E ninguém pode ficar fora deste processo necessário de reflexão e revisão de rota para que nosso país volte (ou se torne, finalmente) a ser próspero e justo.

 Nossas crianças precisam de escolas que ensinem a sonhar e a realizar; o mercado em que ser justo com empregadores, que pagam impostos demais, e com empregados, que precisam recebe rum salário digno e ter oportunidade de crescimento.

 Nós, cidadãos, temos que finalmente abandonar a comodidade de entregar à escola e à TV a educação emocional dos nossos filhos. E todos, devemos zelar que o que é público não seja mais tratado como ‘de ninguém’, mas sim ‘como ‘um bem de todos’.

 De acordo com a Constituição brasileira, aos policias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública, portanto, caros leitores, não cabem a estes valorosos homens a educação dos nossos adolescentes, nem mesmo é deles a missão de consertar o que nossa omissão e o desleixo do Estado produzem.

 Nem os agentes de segurança dos presídios são os missionários que devem manter longa das ruas o que produzimos com as injustiças da nossa displicência.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM GERAL
Franquia:
Andradina SP
Franqueado:
FLAVIA REGINA DE AVELAR GOMES 25180990858
14.225.543/0001-11
Editor responsável:
Flavia Gomes Mtb 8.016/MG
Email: ointeriorfala@gmail.com
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.