Uma denúncia do vereador Murilo Jacob levou a Policia Civil de Fernandópolis a abrir um inquérito que resultou na apreensão de uma série de documentos, computadores e HDs no interior da Santa Casa de Misericórdia da cidade.
Com 13 meses de investigação comandada pelo delegado Airton Canato, o próximo passo é cruzar dados e comprovar documentos já colhidos relacionado a entidade e as administrações que comandaram a Irmandade por vários anos.
Segundo Canato, o objetivo é esclarecer porque do aumento da dívida e o que teria levado a instituição chegar a esse ponto, pulando de R$ 11 milhões para mais de 40 milhões de déficit. “A partir de novos documentos em mãos vamos cruzar dados e descobrir o que realmente acontecia na instituição”.
Ele citou casos de glosa entre a Santa Casa e a Unimed, também alvo de apreensão de documentos, ou seja, não pagamento, por parte dos planos de saúde, de valores referentes a atendimentos, medicamentos, materiais ou taxas cobradas pelas empresas prestadoras (hospitais, clínicas, laboratórios, entre outros) e profissional liberal da área de saúde.
É uma prática cada vez mais comum e alvo de fiscalização as empresas e profissionais liberais que prestam atendimento aos pacientes de convênios e credenciamentos com órgãos públicos. A ocorrência de glosas está condicionada a uma série de questões que variam entre a falta de documentação adequada.
Outro ponto da investigação é se houve fraudes durante as gestões do ex-provedores, principalmente ações executadas em desacordo com o Estatuto da entidade. Para o delegado, a instituição que recebe recursos da iniciativa publica é obrigada a prestar contas, principalmente a vereadores, por meio de oficio, o que várias vezes foi negado.
A dívida trabalhista chega a cerca de R$ 11 milhões e teve o prédio penhorado pela Justiça do Trabalho que avalia ações de 29 colaboradores. O prédio foi avaliado em R$ 31 milhões e pode até ir a leilão.
A dívida trabalhista originou após o não pagamento de 13º salários, vencimentos mensais e benefícios dos funcionários do hospital no ano de 2015, quando foi administrada pelo provedor Geraldo de Carvalho que várias vezes negou a abertura das contas da instituição.