O histórico e a situação atual dos surtos de mosca-dos-estábulos no Estado de São Paulo serão debatidos nesta sexta-feira, dia 25, pelo Sindicato Rural de Andradina.
O evento sobre o assunto acontece na sede do sindicato a partir das 19 horas e terá como palestrante, o médico veterinário, Sidnei Ezídio Martins, diretor técnico da cidade de General Salgado. O PROBLEMA A mosca-dos-estábulos é comum em todo o país e se alimenta de sangue de vários animais, principalmente equinos e bovinos, além de animais silvestres e, eventualmente, o homem.
Embora parasite outros animais de criação, os bovinos são os mais afetados, com perdas de 10% a 30% no ganho de peso e até 50% de redução na produção leiteira.
Estima-se que os prejuízos causados por esta mosca no Brasil podem atingir 350 milhões de dólares anualmente. Embora as infestações sejam mais comuns em gado de leite, devido ao desenvolvimento das larvas da mosca em resíduos de alimentos e dejetos animais acumulados nas propriedades, explosões populacionais (surtos) da mosca-dos-estábulos têm sido cada vez mais frequentes também em gado de corte. Na última década, surtos da mosca-dos-estábulos têm causado sérios prejuízos a pecuaristas nas proximidades de usinas sucroalcooleiras em pelo menos cinco estados brasileiros.
Nos últimos três anos, mais de 15 surtos foram registrados em sete municípios de Mato Grosso do Sul, além de surtos registrados também em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás. As usinas são frequentemente apontadas pelos produtores afetados como a causa dos surtos, razão pela qual também se juntaram aos pecuaristas no combate a essa praga. Além dos prejuízos econômicos, a ocorrência de surtos frequentemente leva um grave conflito entre os setores envolvidos.
Entretanto, apesar dos anseios da sociedade, não existe solução para o problema no curto prazo. Embora comprovada a relação entre fazendas de gado e usinas alcooleiras na dinâmica dos surtos, vários aspectos importantes sobre sua epidemiologia são ainda pouco conhecidos e precisam ser investigados.
Nesse sentido, a Embrapa tem desenvolvido pesquisas com o objetivo de desenvolver tecnologias que permitam prevenir ou reduzir significativamente o problema. EXPANSÃO No Brasil, a produção de cana-de-açúcar está em expansão acelerada em função do grande incentivo à produção de álcool combustível.
O número de usinas e áreas de cultivo canavieiro crescem sistematicamente, implicando em maior quantidade de subprodutos orgânicos gerados. Desde 2008, a ocorrência de surtos tem sido registrada com frequência, particularmente pela mídia. Pesquisas mais recentes mostram que a torta de filtro (resíduo sólido da filtragem do caldo da cana-de-açúcar) e a palha da cana misturada com a vinhaça ou vinhoto (resíduo da destilação do caldo fermentado durante a produção de álcool) são os principais locais de desenvolvimento e multiplicação de moscas nas usinas de cana-de-açúcar. ‘Cabe ressaltar que para um combate eficiente da mosca, fazendas e usinas deverão trabalhar em conjunto. Mesmo em locais onde as usinas adotaram medidas preventivas, não houve redução do problema sem a efetiva participação dos pecuaristas e vice-versa’, ressaltam produtores.