Os turistas que chegam por aqui querem muito, mas muito peixe. Boa parte deles vem para beber, se divertir e infelizmente, destruir. Nas cidades e vilas ribeirinhas, é comum encontrar meninas novas com crianças nascidas de encontros com esses turistas.
Eles só faltam esganar o dono da pousada quando chegam com apenas quatro ou cinco exemplares. Jogam soja, milho e tratam bem para que os peixes fiquem por perto. Esse perfil de turista não serve para nossa região, e não se enquadra na política mundial de respeitar o meio ambiente.
Na próxima terça-feira, dia 31 de outubro será o último dia da pesca “permitida”. Depois vem o período da piracema que segue até fevereiro. As pousadas, hotéis e ranchos estão todos lotados. Esse é o fim de semana da despedida. Mas, também é certo que um grande grupo não respeita a piracema. São pessoas de todas as classes sociais e profissões. As histórias que se contam nas pousadas são de arrepiar. Eles pescam, mesmo no período proibido. Os profissionais recebem um salário para compensar a paralisação.
Respeitar a piracema deveria ser um gesto consciente, racional que parte da necessidade de dar um tempo para que os peixes se reproduzam. Até o trânsito dos barcos pode prejudicar.
Mas é preciso de fato buscar alternativas na educação ambiental e no envolvimento de todos os organismos receptivos do turismo na região, para que pressionem o cumprimento da política de reduzir ou acabar com a pesca extrativista. Aquela que só retira do rio. O peixe no rio Paraná deveria ser somente para os turistas e pescadores que se contentam em retirar da água apenas dois ou três exemplares que vai consumir ali mesmo.