Echares Salomão Abud é filha de pioneiros comerciantes de Andradina. Seus pais Alexandre e dona Leonor, chegaram a Andradina em 1942 e construíram aqui um mavarilhosa história. Foram 8 filhos. Três deles se formaram médicos. Um deles, Edmon Alexandre Salomão chegou ser prefeito da cidade e o outro, Deusdeth foi vereador e presidente da Câmara Municipal.
Hoje aos 80 anos de idade, Echares se lembra da igrejinha de tábuas, no meio da praça. A pedido do padre Sebastião, já rascunhou um livro que vai contar um pouco da história da igreja católica em Andradina. Ela vem juntando documentos e ouvindo depoimentos de pioneiros. A imagem da primeira missa foi eternizada num quadro elaborado por Echares e que está exposto na Escola Álvaro Guião.
Seu pai Alexandre Salomão, foi homem de muita fé. Echares se lembra que não havia automóveis e as noivas iam para a igreja caminhando pelas trilhas gramadas. Seu Alexandre foi padrinho de muitos casamentos religiosos e costumava entrar de braços dado com as noivas, todo orgulhoso de ser conhecido por incentivar o compromisso dos casais.
Os livros contam e Echares confirma que dona Mafalta Oliveira, esposa do saudoso João Teodoro de Oliveira, foi a primeira catequista e que na primeira turma, 16 crianças receberam a Eucaristia.
A PRIMEIRA IGREJA É A FAMÍLIA“A gente sempre viveu dentro da igreja. Meu pai toda Sexta-feira Santa fazia guarda de vigilância à imagem de Nosso Senhor Morto. Nossa família também era muito devota de Nossa Senhora Aparecida. Minha mãe nasceu e Aparecida do Norte e foi casada lá. Até hoje guardamos a devoção que é manifestada também pelas imagens da santa em nossas casas”, afirmou dona Echares.
Para ela a igreja foi muito importante para a vida dos moradores. São Sebastião foi importante na edificação da fé. Os desafios e dificuldades, o desconforto e o desconhecido a ser enfrentado, ampliavam a necessidade de Deus na vida das pessoas. Lembro que papai ia até a Estação esperar o trem das 19 horas, para comprar frutas e outros alimentos que ainda não eram cultivados aqui. Pelo trem também chegavam os jornais, para manter nossa comunidade informada sobre o que acontecia no país e no mundo.
“Nessa situação de dificuldade, Deus era muito procurado e a igreja tinha um grande valor. Todos iam à missa e os padres ajudavam demais as pessoas com seus conselhos. Eles iam nas casas e tinham um relacionamento íntimo com os moradores, davam ânimo.
Haviam congregações religiosas como “Filhas de Maria”, que se vestiam de branco e azul; e os integrantes do “Sagrado Coração de Jesus” que usavam uma fita vermelha no pescoço. As procissões tinham fileiras de anjos ( crianças vestidas de branco e com adornos de penas lembrando asas ). O cortejo parava em frente às casas onde as famílias construíam altar com a imagem do santo que estava sendo festejado.
Diz dona Echares: “Deus ajuda muito as pessoas e ele sabe das necessidades das pessoas. Ele sabe o que as pessoas precisam e na hora certa ele doa para os homens. É que nós não sabemos viver porque a lição que ele deu dos dez mandamentos, é a tábua da vida. Se você se deslizar num deles, você não vive feliz”.
Entre os padres que passaram pela paróquia, dois deles ela mantém grandes recordações: Luiz Camargo Crescente e Vitor Assuiti que morreu em Andradina. Com monsenhor Vitor veio o Movimento de Cursilhos da Cristandade. Echares e seu falecido esposo e renomado advogado Nabil Abud, foram grandes lideranças leigas desse movimento. Eles dirigiam celebrações e o curso de preparação para o casamento.
No dia do sepultamento de Monselhor Vitor, uma grande tempestade se abateu sobre Andradina. Echares conta que um nuvem negra baixou sobre Andradina e não teve quem deixasse de observar que aquela era uma mensagem divina. Então dona Echares disse ter escrito uma poesia que até hoje declama, sempre com muita emoção e que diz assim:
E a humanidade o fez chorarDensas lágrimas de tristeza caíamSob dádivas abençoando a terra do agricultorCoruscantes fios prateados cortavam o cenário negro de uma noite tempestuosaMedrosas rajadas de vento, sopravam violentamente como se quisessem faze-las pararMas elas continuavam. Não era este o consolo.Por que não o vês? A humanidade o esqueceu!Um dia ainda a humanidade conhecerá o seu resgate.E como a límpida manhã de setembro após a noite tempestuosaCairá de joelho implorando, perdão Senhor!!