O Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) de Araçatuba registrou mais de 40 mil trotes feitos por crianças e adultos de toda a região, inventando ocorrências e atrasando o trabalho da Polícia Militar em 2016. Os dados foram divulgados pela corporação. Ao todo, foram mais de cinco trotes por hora ou um trote a cada 12 minutos passados durante os 12 meses do ano passado.Os policiais são treinados para identificar as ligações reais e falsas, mas muitas vezes a mentira é tão bem contada que viaturas acabam sendo encaminhadas para os locais inventados. Isso gera custo para o Estado e pode atrasar uma ocorrência verdadeira. Neste período de férias, a incidência de trotes repassados na polícia é ainda maior. Os policiais militares pedem que os pais estejam atentos com as crianças e evitem esse tipo de problema, porém os casos ainda continuam acontecendo com frequência. Os PMs que trabalham no Copom de Araçatuba são conhecidos em toda a região por auxiliarem anualmente no salvamento de crianças engasgadas com leite ou qualquer tipo de objeto ou alimento. A imprensa regional já noticiou várias mães que ligaram no Copom, desesperadas, pedindo auxílio dos policiais para que os bebês engasgados fossem salvos. Na maioria dos casos, a criança é salva e os trotes também podem atrapalhar este tipo de trabalho tão importante. OUTROS LOCAIS Além do Copom, o Corpo de Bombeiros e o número de emergência do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) também registram trotes diários com informações desencontradas e que acabam prejudicando ocorrências verdadeiras.No Samu, 10% das ligações recebidas todos os dias são trotes. No Corpo de Bombeiros, 25% das ocorrências informadas pela população através do telefone são falsas. CRIME E para quem pensa que a prática é apenas imoral, está enganado. Passar trote em telefones oficiais é crime e a pessoa pode ser levada para uma delegacia, prestar depoimento e depois responder na Justiça pelo crime de falsa comunicação.
Em 2014, uma faxineira de 51 anos foi detida em Araçatuba depois de passar mais de 8 mil trotes para a corporação em menos de um ano. A mulher usava o celular pessoal e telefones públicos para passar os trotes, impedindo os policiais de atenderem ligações de emergência.