Aos 40 anos, Fabrício Carvalho, é um homem versátil. “Self made man”, ele se reinventa numa trajetória de vida nada comum. Filho de músicos, esportista de sucesso e hoje, depois de se aposentar definitivamente do futebol, Fabrício Carvalho se dedica à produção musical e é Secretário de Cultura do município de Andradina.
Além disso, Fabrício Carvalho está a frente de uma associação que realiza trabalhos sociais, tem dois CDs gravados, e começa a se arriscar como empresário musical. Em entrevista exclusiva a “Revista Fala!”, Falou deste tudo o que move a sua vida.
FALA!: Como nasce um jogador de futebol, no meio de uma família de músicos?FC: por incrível que pareça, como jogador, eu nunca tive incentivo de ninguém, nem da minha mãe e nem do meu pai. Essa vontade de ser jogador nasceu em mim. Então me considero um cara privilegiado, porque de onde eu sai a onde eu cheguei, hoje eu posso colocar o meu nome no You Tube e ter uma história minha e isso pra mim já é uma grande vitória. Outra coisa, eu nunca passei em avaliações. Fiz teste no Guarani 2x, fiz teste no Corinthians, São Paulo, São João de Araras, Nacional de São Paulo, fui pro Uruguai fazer teste, e eu acabei meio que empurrado pra lá, fiquei um tempo. O início do profissional foi aqui no Andradina que eu tive a oportunidade de iniciar profissionalmente.
FALA!: Mais alguém esportista na família?
FC: Tenho um primo, mas não atingiu um ápice no futebol, mas ele é profissional Alexandre Carvalho, jogou em equipes lá do Sul e está por lá até hoje. Esse sim eu incentivei, incentivei o meu irmão (Daniel) também, mas meu irmão parou no meio do caminho. Eu nunca tive incentivo de ninguém, totalmente ao contrário, pessoas próximas de mim desacreditaram até, eu na rua quando criança ficava narrando o meu próprio gol, então o principal eu mesmo tinha, pois eu acreditava em mim eu vivenciava, se eu não alcançasse esse profissionalismo no futebol, acho que eu seria um cara muito frustrado, pois era um desejo muito grande no meu coração.
FALA!: Sobre essa atividade como cantor e produtor musical?
FC: “É uma coisa na qual eu tenho procurado me especializar. Está no meu sangue. Meu pai foi sambista, minha tia também cantava, e eu aprendi a tocar violão com 12 anos. Meu pai (Hélio Alves da Silva), mora no Rio de Janeiro onde é sambista. Eu tenho essa veia musical através dele e da minha tinha Elenir. Meu pai ainda compõe para algumas escolas de samba do Rio, minha prima Jaqueline também é cantora, cantou muitos anos com o grupo Uns e Outros. É uma coisa na qual eu tenho procurado me especializar. Está no meu sangue. Meu pai foi sambista, minha tia também cantava, e eu aprendi a tocar violão com 12 anos”, contou, certo de que o tempo em que ficou afastado dos gramados lhe ajudou a seguir pelo caminho artístico.
FALA!: Quem são seus ídolos de infância?FC: Eu quando criança sempre joguei na posição de meia direita ou meia esquerda, e então estava no auge o Raí que jogou no São Paulo, eu me associava com ele pelo estilo. Quando eu fui pra Portugal, isso profissional já, o pessoal me associava com o Raí, pelo estilo de jogo, então eu me inspirava nele, no próprio viola que jogava no Corinthians, eu jogava de meia, mais recuado e o Sr Valdemar Garcia do Ferinhas Boys, também enxergou isso em mim em jogar mais adiante, mais centralizado lá na frente e acabou dando certo, me identifiquei com a posição aí depois comecei a me espelhar em atacantes mesmo e o próprio Viola é um deles e eu tive o prazer de jogar com ele, no final de carreira lá em Taboão da Serra. Sempre fui fã e admirador do futebol dele e tive esse privilégio.
FALA!: Afinal de contar você é Corintiano?FC: Eu era fanático sim, mas depois que você se torna profissional perde-se todo esse encanto, joguei contra o Corinthians, fiz até gol contra o Corinthians. Meus irmãos e meu padrasto são São-paulinos e eu fiz gol contra o São Paulo, e então enquanto eu não fiz contra o meu time eles não pararam de me infernizar, e por incrível que pareça, o único gol de falta e mais bonito da minha carreira foi contra o meu time, o Corinthians.
FALA!: Me conta alguma coisa inesquecível da carreira de jogador.
FC: “A maior alegria da minha vida foi ter atuado contra o Corinthians. Eu me lembro muito bem, porque sempre fui fanático pelo clube. Quando tive a oportunidade de jogar contra o meu time do coração, tremi na base. Ficava olhando para a Gaviões, torcida que eu só via pela televisão… Foi algo impressionante. Ficou esse gostinho de nunca ter vestido a camisa do Corinthians profissionalmente, mas a vida é assim mesmo. Não tenho nada a reclamar“, acrescentou, satisfeito pela sua trajetória no futebol.
FALA!: E os gols de mão?
FC: Eu sempre fui um esportista que admirou não apenas o futebol, mas sim todos os tipos de esporte como o vôlei, tênis... Mas o vôlei sempre falou mais alto pelo fato de sempre jogar na escola e ter mais afinidade e eu levei isso pro futebol, atacante vive de gol né, mas eu não entrava premeditado ‘’vou fazer de mão’’, não era isso, mas quando surgia a oportunidade e via que não ia alcançar a bola a mãozinha aparecia no meio do caminho, e eu fiz 4 gols oficiais de mão, no mundo não tem. Saiu uma matéria nem Messi nem Maradona, Brazuca é recordista mundial de gol de mão. E na época o pessoal brincou muito ‘’O Bernardinho vai te procurar’’. Eu fiz 1 pela Ponte Preta, 1 em Portugal pelo Nacional da Ilha da Madeira, 1 pelo Goiás e 1 pela Portuguesa. Até na Europa eu fiz gol de mão, e foram validados.
FALA!: Sobre o problema que te deixou dois anos longe do futebol?
FC: “Foi algo impactante. Você nunca imagina que certas coisas vão acontecer na sua vida. E justo no melhor momento… Passei por diversas dificuldades e, logo no auge, fui impedido de continuar com a minha trajetória. Lembro deste momento com bastante tristeza, mas, hoje, ele serve de alento para muitas pessoas. Dou palestras em escolas e igrejas e relato a minha história de superação”, contou.
FALA!: Secretário da Cultura, empresário musical. Como foi essa volta pra música, essa descoberta musical??
FC: Eu sempre fui um cara muito pesquisador, procuro sempre novidades, nunca me imaginava na Secretaria de Cultura, a imagem que as pessoas tem de um atleta profissional de futebol é de um cara mau instruído, a imagem de ‘’burro’’ mesmo. Muitos atletas abandonam a escola pra seguir no futebol, mas eu não eu fui pressionado pela minha mãe pra terminar os estudos.
A Secretaria de Cultura está sendo um desafio muito rico na minha vida, uma experiência muito legal. Venho tentando ajudar algumas pessoas aqui da cidade agenciando, Bruna Maia e Adriana e Ana Brito e agora está surgindo o Diego Monteiro que é um cara renomado como compositor, músicas como “Estrela” do Hugo Pena e Gabriel, Estaca zero Luan Santana e Ivete Sangalo, viram em mim um cara para gerir a carreira dele e eu estou m aventurando nisso, estou gostando de mexer e poder ajudar ainda mais sendo pessoas da nossa cidade.
FALA!: E a família?
FC: Minha meninas (esposa Vanessa Rocha Vasconcelos Carvalho e filhas Valentina e Mariah Carvalho) são as riquezas. Dou muito valor a minha família, Deus me presenteou com perolas preciosas, falo de boca cheia pois a minha esposa decidiu viver o meu sonho junto comigo, ser esposa de jogador de futebol não é fácil, as vezes em 1 ano você muda 3, 4x de cidade e assim vai. Ela foi uma pessoa que me ajudou muito e tem me ajudado até hoje.