A política pública voltada aos estudantes universitários em Andradina, durante o segundo mandato do prefeito Mário Celso Lopes, volta a ser alvo de críticas. Com o encerramento do mês de fevereiro, os editais para concessão de Auxílio Transporte e Bolsas de Estudo — que tradicionalmente eram publicados em dezembro para execução já em janeiro e fevereiro — ainda não foram divulgados.
A ausência de informações oficiais deixa dezenas de estudantes em situação de incerteza. Muitos dependem do auxílio municipal para custear o transporte até cidades vizinhas ou complementar o pagamento das mensalidades. Sem o benefício, famílias relatam dificuldades para manter os filhos na universidade.
Nos últimos anos, bolsas que giravam em média em torno de R$ 200 representavam um apoio fundamental para estudantes de baixa renda. Embora os valores não cobrissem integralmente os custos, ajudavam a garantir a continuidade dos estudos. Para muitos, era a diferença entre permanecer no curso ou abandonar o sonho do diploma.
A crítica que ganha força é a de que a atual gestão estaria, na prática, restringindo o apoio aos estudantes que optam por cursar o ensino superior fora do município, concentrando a política educacional na Fundação Educacional de Andradina (FEA). Para quem não dispõe de recursos próprios, a escolha do curso ou da instituição teria se tornado ainda mais limitada.
O tema já foi levado à tribuna da Câmara Municipal por vereadores que cobraram esclarecimentos sobre a publicação dos editais e a manutenção do programa. Até o momento, segundo estudantes, não houve posicionamento oficial com prazos ou garantias.
Histórico de cortes e priorização da FEA
A insatisfação atual é reforçada pelo que ocorreu em 2025. Em 7 de março daquele ano, foi publicada no Diário Oficial da Prefeitura a lista dos estudantes contemplados pelo programa de bolsas criado pela Lei nº 3.247/2015. A divulgação gerou surpresa e preocupação entre alunos que contavam com o benefício, mas tiveram suas bolsas cortadas, mesmo sendo contemplados em anos anteriores.
Desde 2023, a concessão das bolsas já vinha sendo alvo de polêmica. Após questionamentos e reuniões, parte dos benefícios foi restabelecida. No entanto, a lista de 2025 reacendeu o debate, especialmente pela disparidade na distribuição dos recursos.
A FEA foi a instituição mais contemplada, com 240 alunos beneficiados e repasse mensal de R$ 94.400,78, o que representou cerca de 67% do total das bolsas concedidas. Em contraste, a AEMS teve 44 alunos contemplados, com repasse mensal de R$ 18.200, enquanto a FIRB recebeu R$ 14.890 para 74 alunos.
Investimento abaixo da média
Durante audiências públicas do orçamento municipal, estudantes e representantes da educação já haviam alertado que Andradina investe menos de 0,5% do orçamento em bolsas e auxílio transporte, enquanto municípios vizinhos menores destinam, em média, cerca de 1% para apoio ao ensino superior.
Agora, em 2026, com a ausência dos editais até o fim de fevereiro, o cenário é de apreensão. Pais e universitários afirmam procurar a Assistência Social e a Câmara, mas relatam falta de respostas concretas.
Especialistas em políticas públicas destacam que ampliar o acesso ao ensino superior é um dos instrumentos mais eficazes de mobilidade social e desenvolvimento local. Sem previsibilidade e com redução de apoio, os impactos tendem a atingir principalmente estudantes de baixa renda.
Para os universitários, o acesso à faculdade representa mais do que formação profissional: é a possibilidade concreta de transformação de vida. Sem a publicação dos editais e sem um cronograma definido, cresce a percepção de abandono e de que a política educacional do município caminha para a centralização e restrição de oportunidades.
