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Vencendo o Atacama

Os andradinenses Aparecido Marim e Tião Fly acabaram de completar uma jornada por uma das paisagens mais inóspitas do mundo: O Deserto do Atacama.

Andradina - REVISTA FALA!
06/03/18 às 08h13
(Arquivo Pessoal)

 Para se entender do que estamos falando, o Atacama é um deserto localizado na região norte do Chile, popularmente conhecido como o deserto mais seco da Terra. Andar pelo Atacama é parecer não estar andando pelo nosso planeta.

 Antes da aventura, a única coisa que os dois programaram com muita antecedência foi a data da saída: às 6 horas da manhã no dia 20 de janeiro, com programação de chegar a Foz do Iguaçu (PR) no primeiro dia. “Haviam outras pessoas programadas para a viagem, mas no final ficamos eu o Tião, mal tivemos tempo para fazer muitos planos. A única certeza é que encararíamos o Atacama com fé e coragem”, explica Aparecido Marin, que comprou uma moto zero para a jornada, um modelo Honda NC 750X, uma máquina preparada para viagens longas. Tião Fly estava “montado” em uma Yamaha Ténéré 1200cc.  

 Chegando em Foz do Iguaçu, muito cedo para o descanso, os dois partiram Argentina adentro e andando mais 150 km até Monte Carlo. O dia seguinte reservava o primeiro teste de coragem: partir para a jornada diária debaixo de muita chuva, no trecho de Posadas até Corrientes, onde começa o Chaco Argentino. Foram mais de 500 km na “Ruta Nacional 16” com destino à cidade de Salta, capital de uma província de San Salvador de Jujuy. A aventura não pararia por ali e os dois foram a Purmamarca, estando a uns 30 km antes de começar a subida da Cordilheira dos Andes, pelo Norte na passagem pela Argentina e Chile.

 Purmamarca tem origem pré-hispânica cuja história se remonta ao século XVI, tempos em que formava parte do Caminho do Inca. Seu traçado urbano foi realizado em torno à igreja de Santa Rosa de Lima. A impressão é de andar por uma cidade feita de barro, dividindo cenário com prédios de arquitetura sofisticada.

 “Todos os passeios são magníficos e vale a pena parar para contemplar o paisagem que se apresenta, vai deixando para trás todo o stress da viagem. Uma experiência perfeita”, explica Cido Marin.

 Dois dias em Purmamarca foram suficiente para equalizar nossos viajantes com a altitude, para fazer a passagem pela Cordilheira, enfrentando os caracoles da passagem norte. A preparação foi à base de comprimidos de alho e “Caramelos Duros de Coca”, usados para aliviar os efeitos da altitude que já era considerável em Purmamarca.

 “São vários relatos de pessoas passando mal com a altitude, onde cada passo parece ser um esforço gigante”, diz.

 Após a subida, a descida de 4 mil metros de altitude até a costa do Pacífico, já no Chile, para uma das portas de entrada do deserto em “San Pedro de Atacama”, uma cidadezinha pequena ícone para quem está fazendo essa viagem. Na parada para o descanso a descoberta de uma armadilha para turistas onde tudo é caro.

 “A mudança de paisagem é impressionante. Você sai da Cordilheira e cai direto no deserto. Do frio para o calor escaldante”, lembra Fly.

 A viagem continuou para Calama e de lá para Antofagasta no litoral no nível do mar. A cidade litorânea proporciona uma gastronomia forte e grandes paisagens. É nela que tem a famosa escultura a “La Mano Del Desierto”, do artista chileno Mario Irarrázabal. A rotina dos dois era dirigir, por temperaturas de até 45 graus, das oito da manhã até as sete da noite. “Não tem uma folha verde, nem aves no céu. Tudo é deserto inóspito. Montanhas de areia, sem uma sombra sequer.  Mas não há tempo de ficar cansado, pela grande excitação da viagem de moto, que deixa todos os sentidos em alerta”, comenta Cido Marim, que neste trecho da viagem perdeu quatro quilos. “Fazíamos uma boa hidratação mas neste meio de nada, acabávamos bebendo água morna”, diz. A viagem pelo deserto levou dois dias e meio, rodando uma média de 700km por dia, até a região de La Serena, caminho para Viña del Mar, uma espécie de Campos do Jordão chileno. Eles chegaram perto de Santiago, mas não entraram, preferindo tocar até Los Andes, se preparando para subir a Cordilheira dos Andes e voltar. “A Cordilheira do Sul é fantástica, a coisa mais linda e indescritível. Parece que estávamos em um outro mundo.  As cores das montanhas, os caracoles, a estrada que liga duas cidades grandes que é Mendonça, na Argentina, a Santiago do Chile. Tudo espetacular”, relata. A programação era para voltar pela mesma rota, mas como a viagem pedia sempre por se conhecer caminhos não vistos, eles mudaram o itinerário em Rio Cuarto, rumo ao Sul do Brasil, passando por Federal e depois Paso de Los Libres, que faz divisa com uma ponta do Rio Grande do Sul. “A rota comum era até Uruguaiana, mas a estrada não estava lá aquelas coisas e optamos em ir pela Argentina até San Borja e entramos no Brasil, com parada em Vacaria”. Os dois lamentam as dificuldades nas aduanas entre o Chile e Argentina, em cada entrada e saída foram gastos pelo menos duas horas. No caminho da volta, em Urubici (SC), os dois experimentaram a celebridade com entrevista na TV local, contando sobre a viagem, mesmo sem ter chegado em casa ainda. “Lá tem a Cascata do Avencal que tem 100m de altura e a cachoeira Véu de Noiva, na Serra do Corvo Branco onde tem um corte de 90m (altura) em uma pedra que a estrada passa no meio. Nada é asfalto e a estrada tem quatro metros de largura.  É uma descida muito linda, o que nos animou para também descer a Serra do Rio do Rastro”, garantem. Toda a viagem durou 15 dias e 9.500 km. A chegada em casa foi especial. “Onde fui passando haviam fotos da viagem pela casa inteira. A Marisa tinha revelado e estava tudo colado nas paredes com mensagem de “bem-vindo, amamos você”, a Marisa é demais”, finaliza Cido Marin.
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(Arquivo Pessoal)
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