Polícia

Assassinato de estudante trans da Unesp: veja a cronologia do desaparecimento às buscas pelo corpo da jovem

Carmen de Oliveira Alves, de 26 anos, desapareceu em 12 de julho. Polícia trata o caso como feminicídio. Marcos Yuri Amorim, namorado da jovem, é um dos suspeitos. O segundo suspeito, conforme a polícia, é o amante dele, o policial militar ambiental da reserva, Roberto Carlos de Oliveira.

Ilha Solteira - Por g1 Rio Preto e Araçatuba
16/07/25 às 14h09
Carmen de Oliveira, estudante transexual, desapareceu após sair da faculdade em Ilha Solteira (SP) — Foto: Reprodução/Facebook

A Polícia Civil investiga o  desaparecimento da estudante trans Carmen de Oliveira Alves , de 26 anos, que completou um mês no sábado (12). A investigação indicou que o namorado Marcos Yuri Amorim, e o policial militar ambiental da reserva, Roberto Carlos de Oliveira a  assassinaram em 12 de junho . As  buscas pelo corpo foram feitas nesta terça-feira  (15) pela Guarda Municipal, com apoio de pescadores.

Desaparecimento

Conforme a mãe relatou à polícia, um dia antes do sumiço, em 11 de junho, por volta das 23h, a jovem saiu de casa com uma bicicleta elétrica de cor preta. A bicicleta dela não foi localizada. Familiares ainda afirmaram que Carmen nunca havia desaparecido antes.

Após o ocorrido,  parentes e amigos auxiliaram os policiais nas buscas  e fizeram várias manifestações pedindo respostas para o caso. Entre os locais vasculhados estava a região próxima ao rio da cidade, onde o sinal do celular de Carmen foi captado pela última vez.

Também foram realizadas  buscas em uma área de mata próxima à universidade,  onde foram encontradas marcas de pneus compatíveis com os da bicicleta elétrica que ela usava no momento do desaparecimento.

Segundo o boletim de ocorrência, a estudante estava na Universidade Estadual Paulista (Unesp), onde fez uma prova do curso, antes de desaparecer. Ela foi vista pela última vez perto de um ginásio.

Amigos e familiares fazem manifestação para encontrar Carmen em Ilha Solteira (SP) — Foto: TV TEM / Adrieli Fiorani

Suspeitos localizados e presos

Dois dias antes de completar um mês do desaparecimento da jovem, depois de buscas e protestos, a polícia prendeu os suspeitos. Conforme a investigação, o último lugar em que ela esteve foi a casa do namorado Marcos Yuri, em um assentamento. Os policiais verificaram que Roberto Carlos, por sua vez, atuou como comparsa de Yuri,  já que também tinha um relacionamento com ele.  De acordo com o delegado, o envolvimento afetivo e financeiro entre os suspeitos se revelou parte da dinâmica.

O delegado responsável pela investigação, Miguel Rocha, pediu à Justiça a quebra de sigilo telefônico dos suspeitos e teve acesso a informações que indicam que Carmen não saiu de  Ilha Solteira . As imagens de câmera de segurança também mostram que ela entrou na residência do namorado, mas não saiu do local.

Na quinta-feira (10), a polícia cumpriu os mandados de prisão temporária, de 30 dias, contra Marcos Yuri e Roberto Carlos, que atuava como policial militar ambiental da reserva na cidade. A partir daí, o delegado deixou de tratar o caso como  desaparecimento de pessoa  e passou a classificá-lo como  feminicídio.

Feminicídio

À  TV TEM , Miguel Rocha informou que a investigação apontou que  Carmen pressionou Yuri para que assumisse o relacionamento, além de ter descoberto que ele praticava furtos,  o que também teria motivado o assassinato.

Durante o levantamento de informações sobre os suspeitos, a polícia encontrou uma pasta deletada no computador de Carmen, exatamente no dia 12 de junho. Ao recuperar o documento, os policiais verificaram que se tratava de um dossiê que ela montou contra Yuri.

A investigação indicou ainda que Marcos Yuri e Roberto Carlos a assassinaram em 12 de junho, Dia dos Namorados.

Marcos Yuri Amorim, namorado da vítima (à esquerda) e o policial militar ambiental da reserva, Roberto Carlos de Oliveira (à direita) foram presos em Ilha Solteira (SP) — Foto: Arquivo pessoal

À reportagem, o delegado falou sobre o envolvimento afetivo e financeiro entre os suspeitos.

“Havia uma ligação entre os dois. No início surgiu como uma testemunha, mas na verdade ele era comparsa do namorado, amante do namorado de Carmen. Ele sustentava, bancava gastos [do Yuri].  Havia ali um triângulo amoroso” , pontua o delegado.

Conforme Miguel Rocha,  a dupla matou Carmen e ocultou o corpo.  Ambos foram ouvidos logo após a prisão e negaram o  feminicídio.  Marcos Yuri foi levado para a Cadeia Pública em  Penápolis (SP) , e Roberto Carlos para o presídio Romão Gomes, em  São Paulo (SP) .

O que diz a defesa

Ao  g1 , o advogado de defesa de Roberto, Miguel Micas, informou na sexta-feira (11) que ele provará ser inocente da acusação. Já o advogado de Marcos Yuri não foi localizado pela reportagem.

Buscas

Após a prisão, as buscas pelo corpo continuam. Nesta terça-feira, o trabalho foi realizado no rio São José dos Dourados, próximo ao sítio de Marcos Yuri. A Guarda municipal teve apoio de pescadores.

Eles utilizaram um  equipamento de navegação e alinhamento sonoro que detecta objetos no fundo do rio. O dispositivo, conhecido como Sound Navigation and Ranging (Sonar), pertence a um morador da cidade. Um drone também foi usado pela corporação para realizar a busca aérea, mas nada foi localizado até a última atualização desta reportagem.

Buscas são feitas pela Guarda Municipal e pescadores de Ilha Solteira (SP) atrás de jovem trans desaparecida — Foto: Reprodução
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