Política

Risco à autonomia do Legislativo em Andradina preocupa diante da próxima eleição da Mesa Diretora

Eleição acontece no próximo dia 24, caberá aos vereadores mostrarem se estão comprometidos com o povo ou com o Executivo.

H+ Andradina
14/11/25 às 17h40
É habitual o secretário de governo estar dentro do plenário nas sessões da Câmara municipal - Foto: Oficial Câmara

A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Andradina acende um alerta sobre a independência e a harmonia entre os Poderes. O motivo é a possível eleição de um presidente do Legislativo vinculado diretamente ao grupo político que comanda o Executivo municipal.

Entre os nomes cotados está o vereador Guilherme Pugliese (União Brasil), partido que tem como presidente municipal Ernesto da Silva Jr., atual secretário de Governo, Administração, Comunicação, Assuntos Parlamentares e Institucionais da Prefeitura. Caso a presidência da Câmara seja ocupada por um parlamentar do mesmo grupo político do secretário, a cidade poderá assistir à consolidação de um cenário em que o Executivo passa a ter influência direta sobre o Legislativo, comprometendo sua autonomia e função fiscalizadora.

A situação preocupa ainda mais pelo fato de Pugliese manter laços estreitos com o governo, já que seu irmão ocupa cargo de confiança na Santa Casa de Andradina, instituição atualmente sob intervenção da Prefeitura.

Para muitos observadores, a eleição que se aproxima será um divisor de águas: ou o Legislativo reafirma sua independência, como determina a Constituição, ou se transforma, de vez, em uma extensão do Executivo municipal.

A percepção pública de que o equilíbrio entre os Poderes está ameaçado se reforça quando figuras do governo circulam livremente pelo plenário da Câmara — como o próprio secretário Ernesto, que é visto com frequência durante as sessões legislativas, em uma postura que transmite a ideia de que o espaço da Câmara seria uma extensão do seu gabinete.

Em um momento em que a população clama por transparência, ética e equilíbrio institucional, a escolha do próximo presidente da Câmara ganha contornos de grande relevância política. A autonomia do Legislativo não é apenas uma questão regimental: é a base da democracia local, essencial para garantir que o povo tenha uma representação independente, capaz de fiscalizar e questionar o poder, e não apenas referendar suas decisões.

Quase que em todas as sessões ordinárias, o secretário de governo se faz presente dentro do plenário durante toda a reunião
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