UM PUXADINHO DE LUXO NA FOLHA DE PAGAMENTO
A criação de novas vagas para cargos como “Encarregado da Divisão de Tributos” e “Técnico em Licitação”, com salários que ultrapassam os R$ 5,5 mil, surge em um momento em que a prioridade deveria ser a eficiência e a digitalização, e não o aumento do número de cadeiras no paço municipal.
Somando-se às novas vagas de Educador e Entrevistador Social, a prefeitura autorizou um rombo extra de mais de R$ 304 mil no orçamento de 2026. Em um município do porte de Castilho, esse valor poderia ser destinado a insumos básicos na saúde ou manutenção de estradas rurais, mas acaba drenado para a manutenção de uma estrutura cada vez mais pesada.
A “ELITE” DA TESOURARIA E O ABISMO SALARIAL
Outro ponto que gera indignação é a alteração para o cargo de Auxiliar de Tesouraria. Ao exigir nível superior em Ciências Contábeis e elevar o salário para R$ 4.188,79, a prefeitura cria uma “distorção seletiva”. Onde fica a valorização dos demais servidores de nível médio que acumulam funções sem o mesmo reconhecimento salarial?
A medida parece ter endereço certo, beneficiando uma casta técnica, enquanto a base do funcionalismo assiste ao congelamento de suas perspectivas de carreira.
MOTORISTAS: EXIGÊNCIAS DE PILOTO, REALIDADE DE CASTILHO
A cereja do bolo da nova lei é a mudança para os motoristas. A prefeitura agora exige uma lista interminável de cursos (emergência, coletivo, escolar) e experiência comprovada de um ano, inclusive para MEIs.
Embora a segurança seja um argumento nobre, na prática, essas exigências funcionam como uma barreira de entrada, dificultando que jovens motoristas locais consigam uma oportunidade no serviço público. Exige-se um “supermotorista”, mas será que as condições das estradas e da frota municipal acompanham o nível de exigência imposto pelo papel?
O CUSTO DA “BOA GESTÃO”
Ao adequar o PPA (Plano Plurianual) e a LDO para comportar esses novos gastos, o governo Boaventura carimba o futuro financeiro da cidade. O que se vê em Castilho não é apenas uma “adequação administrativa”, mas a pavimentação de um caminho perigoso, em que o aumento do gasto público é a única solução apresentada.
A pergunta que fica para o contribuinte é: esses novos cargos trarão um retorno real em serviços, ou são apenas mais engrenagens para manter uma máquina que já custa caro demais?
