Grupo composto por universitários, pós-graduandos, docentes e funcionários da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Araçatuba (SP) foram para as ruas na manhã desta quarta-feira (15) em ato contra os cortes de recursos na educação, incluindo ensino básico e superior, anunciados pelo MEC (Ministério da Educação).
Ainda em protesto contra os bloqueios de verba, aulas em todos os períodos e turmas na FMVA (Faculdade de Medicina Veterinária de Araçatuba) e na FOA (Faculdade de Odontologia de Araçatuba) foram paralisadas nesta quarta, mas devem voltar ao normal na quinta-feira.
Atendimentos à população, como os que são realizados pelo Caoe (Centro de Assistência Odontológica à Pessoa com Deficiência) e serviços prestados no campus da FMVA não foram afetados, segundo a organização.
A manifestação contou com cerca de 400 pessoas, segundo um dos organizadores do protesto, Felipe Yudi, estudante do curso de odontologia e presidente do diretório acadêmico. A passeata teve início por volta das 10h, em frente à FOA, na rua José Bonifácio, e contou com o apoio da Polícia Militar e Guarda Civil Municipal.
Os manifestantes percorreram o Centro do município portando faixas, como “Educação não é gasto, é investimento”, “Educação merece respeito” e “Ninguém tira o trono do estudar”, e com gritos de guerra, cujo um dos trechos é “Todos juntos pela educação”.
Bolsas
Além do grupo ser contra os cortes anunciados, Yudi destaca que a manifestação também se opõe ao contingenciamento de recursos destinados a bolsas de pós-graduação, que inclui a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).
“Diretamente, esse corte na peça orçamentária das federais não atinge a Unesp nesse exato momento, porque somos uma universidade estadual. Porém, os cortes nas bolsas afeta, sim, muitas pesquisas na pós-graduação, em todo estado e País”, afirma Yudi.
A estudante e vice-presidente do diretório, Thaís Barbosa, frisa que a luta é prol da educação pública de qualidade. “Não adianta nada oferecerem vagas, se não derem nenhum auxílio aos estudantes que não conseguem se manter aqui. As universidades precisam ser inclusivas, públicas e de qualidade”.
Para ela, a população tem que reconhecer o benefício das pesquisas e programas de extensão realizados dentro das universidades. “Na veterinária, por exemplo, tem pesquisa que afeta diretamente a vida da população. A gente estuda raiva, leishmaniose, que aqui é uma área endêmica”.
O estudante Lucas Pereira, que participa do projeto Cão-Cidadão-Unesp há cinco anos, também frisa a importância de ter o reconhecimento da população com relação aos serviços prestados por alunos, docentes e funcionários da universidade.
Estado
Atos em todos os Estados vêm sendo convocados por entidades estudantis e sindicatos do Brasil, incluindo a UNE (União Nacional dos Estudantes) e a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação).
Ontem, em nota, o Cruesp (Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) disse que "conclama a comunidade acadêmica" para o debate. Disse também que os cortes de verba na área são um "equívoco estratégico" e têm consequências para o desenvolvimento do País.