A Secretaria de Saúde de Araçatuba retoma nesta segunda-feira (10), o quarto ciclo da campanha "Fora Leish" , para promover a troca gratuita de coleiras repelentes e coletar sangue para diagnóstico da leishmaniose visceral em cães já cadastrados nas etapas anteriores.
A campanha é fruto de uma parceria entre a Prefeitura de Araçatuba, o Ministério da Saúde, o governo do Estado de São Paulo, o Instituto Pasteur e a Unesp. Esse trabalho é importante porque a região de Araçatuba é considerada de risco para a doença, inclusive para humanos.
Segundo o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) de Araçatuba, de janeiro a julho deste ano, duas pessoas foram diagnosticadas com a doença na cidade e uma delas morreu. No caso dos cães, até julho, 177 animais testaram positivo para leishmaniose, contra 268 casos no mesmo período do ano passado.
Para a dirigente do CCZ, a queda dos casos positivos da leishmaniose visceral canina deve-se justamente à campanha de encoleiramento. “As coleiras são a principal medida voltada à prevenção da doença em cães, pois repelem o mosquito vetor” , afirma Rute Mara Floriano Paulino, em nota divulgada à imprensa.
Suspensa
Entretanto, o encoleiramento estava temporariamente suspenso devido à falta do repasse de coleiras impregnadas com deltametrina a 4%, pelo Ministério da Saúde. A atividade será retomada porque o município recebeu 3,5 mil coleiras para a ação.
Nesta etapa serão atendidos os bairros TV, Planalto, Umuarama 1 e 2, São Vicente e Centro. O trabalho é executado pelos agentes de combate às endemias durante as visitas casa a casa, reforçando as ações de prevenção e controle da doença no município.
Desde o início da estratégia, em maio de 2024, foram realizados 35.322 encoleiramentos nos dois primeiros ciclos. No terceiro ciclo foram feitas 11.121 substituições de coleiras, alcançando cobertura de aproximadamente 90% da meta.
Leishmaniose
As coleiras repelentes protegem os cães da picada do mosquito transmissor da leishmaniose, que é uma doença infecciosa sistêmica, transmitida ao homem pela picada do mosquito-palha infectado. Os principais sintomas em humanos são febre de longa duração, perda de peso, cansaço extremo, aumento do baço e do fígado e anemia.
Com o objetivo de fortalecer as ações de vigilância, prevenção e controle da leishmaniose no município, o CCZ realizou na sexta-feira (7), uma capacitação e um alinhamento técnico-normativo sobre o Manual de Leishmaniose.
A atividade foi coordenada pela veterinária do órgão, Andresa Xavier, e reuniu supervisores e agentes de combate às endemias que atuam diretamente no atendimento à população. A ação integra a programação da Semana Estadual de Prevenção e Controle da Leishmaniose Visceral.
O objetivo foi padronizar e atualizar as condutas operacionais e os protocolos de controle da doença, garantindo que os servidores sigam as diretrizes mais recentes do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual da Saúde para o manejo da leishmaniose visceral canina e humana.
Temas abordados
Durante o encontro, os participantes receberam orientações sobre os fluxos de diagnóstico canino, incluindo critérios para coleta de material biológico, aplicação do teste rápido (DPP), realização do exame confirmatório (ELISA) e interpretação dos resultados e das condutas em casos inconclusivos.
Também foi abordado o manejo dos cães diagnosticados com a doença e a promoção da posse responsável. A programação incluiu conteúdos voltados à vigilância entomológica e ao manejo ambiental, com foco na identificação e monitoramento do mosquito-palha, principal vetor da doença.
A rotina de campo também foi destacada na atualização. Os profissionais foram orientados sobre o correto preenchimento das fichas de notificação sanitária, elaboração de relatórios de visitas domiciliares, busca ativa de animais suspeitos e identificação precoce de casos humanos.
Normas de saúde
Conforme Andresa, o Manual de Leishmaniose representa um importante instrumento para a padronização das ações e proporciona segurança jurídica aos servidores, prevenindo falhas operacionais e garantindo que as atividades estejam de acordo com as normas de saúde pública e de bem-estar animal.
“Além disso, a atualização dos protocolos fortalece a prevenção da leishmaniose humana. Como o cão é considerado o principal reservatório urbano da doença, a eficiência do diagnóstico precoce e do controle canino reflete na redução do risco de transmissão à população” , avalia.
Outro benefício destacado pela veterinária é a clareza da comunicação com a comunidade. “Com informações técnicas atualizadas, os agentes estão preparados para orientar moradores e tutores de animais, esclarecer dúvidas, combater mitos e incentivar práticas de posse responsável” , completa.
