Araçatuba (SP) está prestes a ganhar seu primeiro parquinho público acessível. Os brinquedos foram adquiridos pela iniciativa privada no início deste mês e devem chegar à cidade no prazo de 30 dias. O projeto, desenvolvido pelo Escritório Modelo de Arquitetura do Unitoledo a pedido de um munícipe, já foi apresentado à Prefeitura, que será a responsável pela instalação dos brinquedos.
O parque acessível, que tem nome provisório de “Parquinho Ame”, será construído na praça Getúlio Vargas, que está sob os cuidados da empresa Curtume Araçatuba, por meio do projeto Abrace o Verde.
A elaboração do projeto teve início em julho do ano passado, a pedido de Paula Frameschi, mãe da Ana Luiza, criança de 6 anos que tem AME (Atrofia Muscular Espinhal), uma doença degenerativa e de origem genética.
Após a filha chorar ao ver os coleguinhas brincando no parquinho da escola, Paula começou a pensar que essa também seria uma forma de inclusão. Primeiro, buscou apoio da Secretaria de Educação de Araçatuba para adaptação do parque da escola Enoy Chaves da Costa Leone, no bairro Panorama, onde Ana Luiza está matriculada. O pedido foi atendido.
Depois, pensou numa forma de atender mais crianças, para que o benefício não ficasse limitado à filha dela.
Vários encontros foram feitos com as secretarias de Meio Ambiente e Sustentabilidade e Planejamento Urbano e Habitação e Esportes, depois com a empresa responsável pela praça e com o Unitoledo, por meio do curso de arquitetura e urbanismo, que abraçou a causa e elaborou um projeto.
O projeto
O espaço para o parque já foi definido, mas precisa de adequação. De acordo com a Prefeitura, foi construída uma plataforma de 10 x 6 metros no local para receber os equipamentos, no entanto, o espaço terá que ser ampliado.
Foram adquiridos quatro brinquedos com acessibilidade - um carrossel, uma gangorra, um balanço frontal e um balanço múltiplo, todos adaptados. A aquisição foi feita pelo reitor universitário Bruno Toledo e será doada à Prefeitura. O investimento foi de R$ 25 mil.
Além dos quatro brinquedos acessíveis, a Prefeitura informou que o Clube do Ipê também fez doação de um brinquedo que será instalado no mesmo local. Não foram fornecidos detalhes desse equipamento.
O projeto do parque segue a norma 9050, da ABTN (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que dispõe sobre acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Os cuidados vão desde a escolha do piso do local até as entradas, que precisam garantir o acesso de pelo menos duas cadeiras de rodas simultaneamente.
Praça
A praça Getúlio Vargas foi escolhida para receber o parque porque já contém espaços de lazer, como quadra, pista de skate, academia ao ar livre e área livre mantida para shows.
Segundo Paula, a ideia é construir mais um espaço de lazer para as famílias, que reúna crianças. “A intenção é promover a inclusão, ver crianças com e sem deficiências brincando juntas. Esse será o primeiro parque inclusivo da região e isso não vai beneficiar apenas a minha filha, mas todas as crianças cadeirantes não têm onde brincar, porque não existe essa estrutura para elas”, disse.
Educação municipal planeja parques inclusivos
Em fevereiro deste ano, a Secretaria de Educação de Araçatuba instalou dois brinquedos acessíveis no parquinho da Emeb (Escola Municipal de Educação Básica) Enoy Chaves da Costa Leone, no bairro Panorama, onde estuda Ana Luiza Frameschi.
A iniciativa, segundo informou na época a dirigente da Educação Especial Inclusiva, Andréa Melinsky, é uma garantia do “direito universal do brincar”.
“É brincando que as crianças desenvolvem a imaginação, a criatividade, os processos de socialização, entre outros benefícios. Brincar ao ar livre traz ainda mais vantagens, como o contato com a luz solar e a possibilidade de realização de atividades físicas, e não é diferente para as crianças com mobilidade reduzida”, explicou.
Os brinquedos - um carrossel e um balanço frontal - foram adquiridos no último bimestre de 2018. A instalação foi concluída em fevereiro. O investimento foi de R$ 11,6 mil, com recursos próprios. Ambos podem ser utilizados por uma criança cadeirante e duas não cadeirantes.
Mais escolas
De acordo com a Prefeitura, há intenção de contemplar mais escolas da rede municipal com parques acessíveis. “No momento o assunto tem sido tratado pela comissão de aquisição de materiais em conjunto com os especialistas de educação especial, com vistas a licitar brinquedos que atendam as especificidades das diversas deficiências”, informou a Educação, em nota enviada pela assessoria de imprensa.
Neste ano letivo, a rede municipal de ensino tem 410 alunos que necessitam de atendimento educacional especializado. Desse número, 29 são cadeirantes.