Cotidiano

Araçatubense participa de projeto de saúde bucal no Quênia

The Kenya oral Health and Education Study foi criado pela pesquisadora Yvonne Buischi, da Universidade de Nova York

Manu Zambon  - Hojemais Araçatuba
09/02/20 às 18h09
Natália (a terceira da direta para a esquerda) participa da iniciativa desde 2017 (Foto: Divulgação)

Com cerca de 45 milhões de habitantes, o Quênia é um país africano situado na região oriental do continente; há apenas um dentista para cada 378 mil pessoas. Devido à condição financeira da população, apenas uma pequena parcela tem acesso a procedimentos odontológicos e acompanhamento com profissionais.  

Sendo assim, os professores e pesquisadores, a brasileira Yvonne Buischi, idealizadora do projeto e professora associada à Universidade de Nova York, e Peter Loomer, diretor da UT Health San Antonio, no Texas, escolheram a localidade para desenvolver o programa Koes (The Kenya oral Health and Education Study), ou Estudo Sobre Saúde e Educação Oral no Quênia. O número de dentista por habitantes, no início da matéria, foi divulgado pelo projeto e no final da matéria, é possível assistir um vídeo sobre o programa. 

O projeto conta com a colaboração voluntária da cirurgiã-dentista Natália de Campos Kajimoto, de Araçatuba (SP), que foi convidada a participar em 2017, quando esteve na Universidade de Nova York por conta do seu pós-doutorado. O grupo conta ainda com o apoio de um professor do Quênia.

O Koes visa atender e orientar grupos de meninas sobre cuidados com a saúde bucal. Neste caso, as garotas abrangidas são da escola Daraja Academy, localizada em Nanyuki, cidade comercial do condado de Laikipia.

 

Pesquisadores em sala de aula com as meninas (Foto: Divulgação)

Empoderamento

“O projeto é destinado somente a meninas, porque ele tem como objetivo o empoderamento delas, principalmente onde tem uma discrepância social grande, como no Quênia. Uma família onde só tem um filho e várias filhas, quem vai estudar é o homem. Então, fizeram essa escola para dar força para as mulheres”, explica Natália.

Daraja Academy é uma fundação, vive de doações e trabalho voluntário. Os professores são quenianos e as alunas, que estão entre os 13 e 18 anos, moram no local. O Koes atende atualmente 83 garotas desse colégio.

Experiência

Natália embarca para o Quênia no próximo 27 e retorna em 7 de março; esta será a sua terceira viagem à África. Como seu trabalho é voluntário, todos os custos são pagos por ela mesma. Sua ida ao país africano é para coletar mais informações e avaliar novas meninas que entram neste ano na escola.

“Porque tivemos um acompanhamento de dois anos dessas meninas. Nosso objetivo é que, após se formar, elas levem essas informações para o lugar onde forem”, destaca. 

A primeira vez que esteve na escola foi em 2017, que também foi a estreia do programa, após os trâmites burocráticos e captação de recursos. Inclusive, uma das empresas que ajuda financeiramente e doa materiais, como pastas de dente e escovas, é a Colgate.

Natália retornou ao país em 2018 e em 2019 só não compareceu porque precisou apresentar um trabalho no Canadá. Já Yvone e Loomer vão ao Quênia a cada três ou quatro meses, por meio do financiamento dos parceiros.

“Fomos o primeiro contato com dentista que elas tiveram”, completa, emocionada.

Espaço organizado pela escola para atendimentos (Foto: Divulgação)

Doenças

De acordo com a dentista, seu trabalho no projeto envolve coleta e processamento de dados e auxílio na produção do material utilizado. Em 2017, as doenças que mais acometiam as alunas eram o sangramento de gengiva e cáries, além de fluorose dentária, muito comum por conta da água com excesso de flúor.

Sendo assim, os pesquisares deram instrução de higiene para as meninas e para as que tinham dor, foram encaminhadas a um dentista, por meio da verba do projeto, para fazer o tratamento de restauração e limpeza.  

Um ano depois, o grupo reavaliou as meninas. “Foi gritante o resultado. Teve uma redução enorme de todos os problemas. A gente viu que o programa teve bastante impacto na vida delas”, conta Natália, que ressalta que a maioria das meninas nunca tinha tido contato com um dentista e algumas não sabiam nem o que era fio dental.

“Fomos o primeiro contato com dentista que elas tiveram”, completa, emocionada.

Sorriso

Outro aspecto que melhorou foi o comportamento social. “Várias delas vinham agradecer, dizendo que antes de chegarem lá, não sorriam, porque os dentes eram amarelados e elas tinham vergonha de falar com as pessoas por conta do mau hálito. E isso foi melhorado só com escovação e limpeza, para muitas delas”, detalha.

Além de terem lições sobre higiene bucal e acesso ao tratamento adequado, as meninas tiveram lições sobre saúde, doenças como Aids, e alimentação saudável.  

Ajuda

O projeto já foi apresentado em alguns congressos internacionais de odontologia. Depois dessa etapa, o objetivo é que as informações sejam publicadas em revistas científicas.

O projeto tem um site (em inglês), onde conta toda a história e mostra com mais detalhes o que é feito. Também é possível ter informações sobre como ajudar, caso o objetivo seja doar recursos financeiros.

“É um projeto que tenho paixão, de poder ajudar e fazer a diferença na vida de outra pessoa, de ver como essas meninas são humildes e estão sempre sorrindo, educadas. Só com informações e atenção básica, conseguimos transformar vidas” finaliza. 


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