A questão financeira também tem tirado o sono. “Planejamos uma viagem de 51 dias. No entanto, o coronavírus afetou a economia mundial. O euro está um absurdo e não temos mais tanto dinheiro em espécie. Meus primos estão sem trabalhar e não sabem se vão receber. Temos que comer e pagar as despesas aqui. Se tivermos que ficar mais 15 dias ou um mês, vamos ter dificuldades, pois saiu fora do nosso controle”.
Rigor
O casal conta que não sai de casa há três semanas. Na cidade, de 16 mil habitantes, só funcionam farmácias e supermercados. O restante, incluindo os transportes, parou.
A população obedece à risca as determinações. Para sair de casa, é preciso ter uma autocertificação, um documento que ateste para onde a pessoa está indo, sendo liberada a saída de uma única pessoa por família. “Eles têm o endereço da pessoa. Se ela sai de casa para ir ao mercado, mas resolve mudar de direção, ela pode ser presa ou autuada. Se tiver mais de uma pessoa no carro é a mesma coisa.”
Nos supermercados e farmácias, a entrada é controlada e a distância entre as pessoas, obrigatória. Uma das últimas medidas que os mercados estudam adotar é deixar apenas cestinhas para que as pessoas comprem em poucas quantidades, para não correr risco de desabastecimento.
Quarentena
Érico e Eliana afirmam que estão conscientes da gravidade do problema mundial de saúde. Embora nenhum dos seis moradores do apartamento que dividem em Medicina tenha qualquer sintoma da covid-19, o casal afirma que sabe que terá que ficar em quarentena quando chegar no Brasil e não vê a hora disso acontecer.
“Em casa, a gente tem mais conforto, acesso à moeda local. Aqui, tudo é mais difícil”, finaliza.
Na Itália, o número de mortes por covid-19 passa de 10 mil, segundo dados oficiais do país até sábado (28). São 92.472 casos registrados e 889 novas mortes nas últimas 24 horas.
