A onco-hematologista pediátrica Cibele Cristina Castilho atua no CTO da Santa Casa de Araçatuba (Foto: Divulgação)
O Serviço de Oncologia da Santa Casa de Araçatuba (SP) alerta, neste Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil, lembrado nesta quarta-feira (23), sobre as formas de identificar sinais da doença e a importância do diagnóstico precoce em relação às chances de cura.
Segundo material distribuído pela assessoria de imprensa do hospital, o câncer infantojuvenil é o grupo de neoplasias malignas que acomete pacientes entre 0 a 18 anos.
A onco-hematologista pediátrica Cibele Cristina Castilho, que atua no CTO (Centro de Tratamento Oncológico) da Santa Casa, informa que é muito importante os pais estarem sempre atentos a febres contínuas, prolongadas e de origem indeterminada, ou seja, o paciente apresenta febre sem nenhum motivo, como uma infecção, por exemplo.
Também devem estar atentos ao emagrecimento sem justificativa, principalmente se corresponder a mais de 10% do peso de base da criança; manchas roxas e caroços pelo corpo, principalmente na barriga; devem ser investigados como suspeita de câncer infantojuvenil.
Segundo a especialista, na infância e adolescência os cânceres são diferentes em relação aos comuns dentre os adultos.
“Por isso nós sempre tratamos do assunto de forma separada, já que são doenças peculiares e especificas”
, explica.
De acordo com Cibele, os cinco tipos de câncer com maior incidência nessa faixa de idade são Leucemia, Tumores do SNC (Sistema Nervoso Central), Linfomas, Neuroblastomas (câncer da glândula suprarrenal); e Nefrobastoma ou Tumor de Wilms (câncer que origina no rim).
Estatística
Dados do GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer) indicam que as leucemias agudas representam aproximadamente 30% dos diagnósticos de câncer em menores de 15 anos, sendo considerado o câncer mais comum nessa faixa etária. Já as neoplasias do SNC correspondem a 20% de todos os tumores na infância, de acordo com dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer).
Por isso, a especialista alerta que consultas regulares com o pediatra que acompanha o desenvolvimento da criança são importantes na identificação de sintomas, ainda que sutis.
Ela ressalta que é muito comum os pais terem receio de procurar um oncologista pediátrico por medo de receber um diagnóstico positivo, devido ao sofrimento que isso pode causar à família.
Porém, reforça que qualquer suspeita precisa ser investigada e avaliada, devido à possibilidade de um diagnóstico precoce, o que aumentará a chances de cura.
Menina de 9 anos luta contra leucemia
Uma menina de 9 anos, moradora em Mirandópolis, luta para reverter as consequências de um diagnóstico de câncer. Filha de uma dona de casa, a menina está em tratamento de uma leucemia diagnosticada há quatro meses, quando foi encaminhada em quadro clínico grave para Santa Casa de Araçatuba.
Segundo o que foi informado, a mãe dela acredita que houve diagnóstico tardio. Ela foi internada quando apresentava quadro de febre persistente e baixa contagem nas plaquetas. Porém, de acordo com a mãe, alguns sinais começaram a surgir bem antes da crise que levou à internação.
“Sempre aparecia uma íngua aqui, outra ali, ela tinha febre que repetia sempre. Eu levava ao hospital e falavam que era virose ou outra coisa e isso retardou e muito o diagnóstico”,
contou a mãe da criança à assessoria de imprensa da Santa Casa.
Ainda de acordo com ela, há cinco meses a filha dela passou a sentir dores na perna e ter febre alta, foi internada no hospital de Mirandópolis, sob diagnóstico de infecção no fêmur.
“Ela passou 15 dias internada em tratamento para essa infecção e dois dias depois de receber alta, voltou a ter muita febre e manchas roxas no corpo”,
explica.
Levada de volta ao hospital, a menina passou por exames que relevaram baixa contagem das plaquetas, inicialmente associada a suspeita de dengue. O diagnóstico foi descartado dias depois, quando houve a transferência para Santa Casa de Araçatuba, que confirmou tratar-se de uma leucemia.
Tratamento
Graças ao tratamento, as plaquetas da paciente pararam de baixar e não houve mais febre, segundo a mãe dela, que está esperançosa e confiante com a indicação de transplante de medula óssea.
Ela conta que amostras de material de outros dois filhos, um de 19 anos e um de 5 anos, e de outros familiares, já foram coletadas e estão em análise de compatibilidade.
“Estou com fé de que ela será curada. Isso não pode faltar, né?”,
declara.
A onco-hematologista pediátrica Cibele Cristina Castilho explica que atualmente o câncer infantojuvenil tem muitas chances de cura.
“De acordo com estatísticas nacional e internacional, em torno de 80% dos casos são curáveis e com certeza alguns são mais curáveis que os outros; e um dos fatores que aumenta as chances de cura é o diagnóstico precoce”,
reforça.
Segundo Cibele, além de a chance de cura ser muito mais real nessas situações, existe a redução de efeitos colaterais no tratamento, que tende a ser menos agressivo.
Estrutura de Tratamento
O CTO da Santa Casa de Araçatuba é habilitado para tratar a maioria dos cânceres infantojuvenis, exceção apenas dos tumores ósseos e oftalmológicos. No período janeiro-novembro deste ano, 78 pacientes infantojuvenis receberam atendimento, dentre casos de primeira consulta, tratamento, acompanhamento e consultas pós-cura.
O tempo médio de tratamento varia de 1 a 3 anos, dependendo do tipo de câncer.
“Atualmente temos vários pacientes em acompanhamento fora de terapias, ou seja, já trataram e venceram o câncer e hoje fazem apenas acompanhamento”,
informa a oncologista pediátrica.
A estrutura do CTO conta com a especialidade de Oncologia Pediátrica, que dispõe de equipe multidisciplinar voltada para o tratamento do câncer infantojuvenil. Ela é formada por médicos especialistas clínicos e cirúrgicos e radioterápicos, e uma rede de suporte que envolve desde a terapia intensiva à nutrição infantil, psicologia, fisioterapia em ambiente hospitalar e farmácia especializada.
“Importante ressaltar que o CTO tem acesso aos centros mais avançados e, na necessidade de tecnologias que ainda não estão disponíveis na Santa Casa de Araçatuba, o paciente é referenciado para continuidade do tratamento nesses centros”
finaliza a médica.