Cotidiano

Especialista alerta para sintomas no Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil

De janeiro a novembro deste ano, CTO da Santa Casa de Araçatuba atendeu 78 pacientes infantojuvenis entre primeira consulta, tratamento, acompanhamento e consultas pós-cura

Da Redação - Hojemais Araçatuba
23/11/22 às 09h33
A onco-hematologista pediátrica Cibele Cristina Castilho atua no CTO da Santa Casa de Araçatuba (Foto: Divulgação)

O Serviço de Oncologia da Santa Casa de Araçatuba (SP) alerta, neste Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil, lembrado nesta quarta-feira (23), sobre as formas de identificar sinais da doença e a importância do diagnóstico precoce em relação às chances de cura.

Segundo material distribuído pela assessoria de imprensa do hospital, o câncer infantojuvenil é o grupo de neoplasias malignas que acomete pacientes entre 0 a 18 anos.

A onco-hematologista pediátrica Cibele Cristina Castilho, que atua no CTO (Centro de Tratamento Oncológico) da Santa Casa, informa que é muito importante os pais estarem sempre atentos a febres contínuas, prolongadas e de origem indeterminada, ou seja, o paciente apresenta febre sem nenhum motivo, como uma infecção, por exemplo.

Também devem estar atentos ao emagrecimento sem justificativa, principalmente se corresponder a mais de 10% do peso de base da criança; manchas roxas e caroços pelo corpo, principalmente na barriga; devem ser investigados como suspeita de câncer infantojuvenil.

Segundo a especialista, na infância e adolescência os cânceres são diferentes em relação aos comuns dentre os adultos. “Por isso nós sempre tratamos do assunto de forma separada, já que são doenças peculiares e especificas” ,  explica.

De acordo com Cibele, os cinco tipos de câncer com maior incidência nessa faixa de idade são Leucemia, Tumores do SNC (Sistema Nervoso Central), Linfomas, Neuroblastomas (câncer da glândula suprarrenal); e Nefrobastoma ou Tumor de Wilms (câncer que origina no rim).

Foto: Divulgação

Estatística

Dados do GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer) indicam que as leucemias agudas representam aproximadamente 30% dos diagnósticos de câncer em menores de 15 anos, sendo considerado o câncer mais comum nessa faixa etária. Já as neoplasias do SNC correspondem a 20% de todos os tumores na infância, de acordo com dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer).

Por isso, a especialista alerta que consultas regulares com o pediatra que acompanha o desenvolvimento da criança são importantes na identificação de sintomas, ainda que sutis.

Ela ressalta que é muito comum os pais terem receio de procurar um oncologista pediátrico por medo de receber um diagnóstico positivo, devido ao sofrimento que isso pode causar à família.

Porém, reforça que qualquer suspeita precisa ser investigada e avaliada, devido à possibilidade de um diagnóstico precoce, o que aumentará a chances de cura.

Menina de 9 anos luta contra leucemia

Uma menina de 9 anos, moradora em Mirandópolis, luta para reverter as consequências de um diagnóstico de câncer. Filha de uma dona de casa, a menina está em tratamento de uma leucemia diagnosticada há quatro meses, quando foi encaminhada em quadro clínico grave para Santa Casa de Araçatuba.

Segundo o que foi informado, a mãe dela acredita que houve diagnóstico tardio. Ela foi internada quando apresentava quadro de febre persistente e baixa contagem nas plaquetas. Porém, de acordo com a mãe, alguns sinais começaram a surgir bem antes da crise que levou à internação.

“Sempre aparecia uma íngua aqui, outra ali, ela tinha febre que repetia sempre. Eu levava ao hospital e falavam que era virose ou outra coisa e isso retardou e muito o diagnóstico”, contou a mãe da criança à assessoria de imprensa da Santa Casa.

Ainda de acordo com ela, há cinco meses a filha dela passou a sentir dores na perna e ter febre alta, foi internada no hospital de Mirandópolis, sob diagnóstico de infecção no fêmur. “Ela passou 15 dias internada em tratamento para essa infecção e dois dias depois de receber alta, voltou a ter muita febre e manchas roxas no corpo”, explica.

Levada de volta ao hospital, a menina passou por exames que relevaram baixa contagem das plaquetas, inicialmente associada a suspeita de dengue. O diagnóstico foi descartado dias depois, quando houve a transferência para Santa Casa de Araçatuba, que confirmou tratar-se de uma leucemia.

Tratamento 

Graças ao tratamento, as plaquetas da paciente pararam de baixar e não houve mais febre, segundo a mãe dela, que está esperançosa e confiante com a indicação de transplante de medula óssea.

Ela conta que amostras de material de outros dois filhos, um de 19 anos e um de 5 anos, e de outros familiares, já foram coletadas e estão em análise de compatibilidade. “Estou com fé de que ela será curada. Isso não pode faltar, né?”, declara.

A onco-hematologista pediátrica Cibele Cristina Castilho explica que atualmente o câncer infantojuvenil tem muitas chances de cura. “De acordo com estatísticas nacional e internacional, em torno de 80% dos casos são curáveis e com certeza alguns são mais curáveis que os outros; e um dos fatores que aumenta as chances de cura é o diagnóstico precoce”, reforça.

Segundo Cibele, além de a chance de cura ser muito mais real nessas situações, existe a redução de efeitos colaterais no tratamento, que tende a ser menos agressivo.

Estrutura de Tratamento  

O CTO da Santa Casa de Araçatuba é habilitado para tratar a maioria dos cânceres infantojuvenis, exceção apenas dos tumores ósseos e oftalmológicos. No período janeiro-novembro deste ano, 78 pacientes infantojuvenis receberam atendimento, dentre casos de primeira consulta, tratamento, acompanhamento e consultas pós-cura. 

O tempo médio de tratamento varia de 1 a 3 anos, dependendo do tipo de câncer. “Atualmente temos vários pacientes em acompanhamento fora de terapias, ou seja, já trataram e venceram o câncer e hoje fazem apenas acompanhamento”, informa a oncologista pediátrica. 

A estrutura do CTO conta com a especialidade de Oncologia Pediátrica, que dispõe de equipe multidisciplinar voltada para o tratamento do câncer infantojuvenil. Ela é formada por médicos especialistas clínicos e cirúrgicos e radioterápicos, e uma rede de suporte que envolve desde a terapia intensiva à nutrição infantil, psicologia, fisioterapia em ambiente hospitalar e farmácia especializada.

“Importante ressaltar que o CTO tem acesso aos centros mais avançados e, na necessidade de tecnologias que ainda não estão disponíveis na Santa Casa de Araçatuba, o paciente é referenciado para continuidade do tratamento nesses centros” finaliza a médica.

Imagem: Ilustração
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