Cotidiano

Estudandes criam jogos inclusivos em Araçatuba 

Trabalhos podem atender autistas, deficientes visuais e pessoas com problemas de mobilidade

Manu Zambon  - Hojemais Araçatuba 
14/07/19 às 14h00
Alunos criaram o jogo Playkids, com mecanismo giratório, destinado ao aprendizado de autistas (Foto: Divulgação)

Para atender o público que possui determinados tipos de limitações, estudantes dos cursos de engenharia de produção e mecânica, do Unitoledo, em Araçatuba, desenvolveram jogos inclusivos. A ideia dos projetos criados dentro da instituição é atender autistas, deficientes visuais e pessoas que possuem problemas de mobilidade.

No total, as turmas criaram oito jogos, sob a orientação da docente Sueli Souza Leite, que teve essa ideia depois de visitar uma loja de brinquedos e constatar que não havia jogos que atendessem os requisitos de inclusão.

Usando a criatividade, ferramentas da engenharia e outras áreas do conhecimento, como pedagogia e fisioterapia, os universitários desenvolveram, por exemplo, um dominó para ser usado por deficientes visuais.

O coordenador da engenharia de produção, Sérgio Ricardo Mazini, explica que as peças são em Braille (sistema de escrita tátil), incluindo um manual com instruções usando a mesma técnica. “As peças também têm imã para não escorregar. Até nisso os alunos pensaram”, conta Mazini. Ele também destaca que peças foram desenvolvidas no laboratório, usando a impressora 3D.

Autismo

Um dos destaques é o jogo que une requisitos pedagógicos e inclusivos, destinado a autistas. O projeto ganhou o nome de Playkids. Para desenvolvê-lo, o grupo procurou uma instituição que atende o público específico para saber as reais necessidades do público.Foi assim que eles souberam sobre as dificuldades e desafios nesse tipo de ensino, lembra Sueli.

“Os estudantes nessa condição não gostam de repetição, acabam se cansando e isso dificulta a aprendizagem. Então, os universitários pensaram numa ‘pizza’ que tem um mecanismo giratório. O aluno tem que encaixar os ‘tomates’ de acordo com o número correto na atividade. Tem cores e diferentes texturas”, explica a docente.

O coordenador do curso de engenharia mecânica, Lucas Mendes Scarpin, afirma que o grupo também propôs outras ideias para o jogo, mantendo a metodologia.

“Esse jogo é interessante, porque foi desenvolvido com esses conceitos, mas principalmente porque não fica tão repetitivo. Onde você usa os ‘tomates’ na ‘pizza’, podemos colocar animais, cores. Há essa flexibilidade no jogo. A concepção é similar, mas você muda as peças, as cores, o tema, som, luzes”, complementa Mazini.

Damas

Outro jogo desenvolvido é o de damas adaptado. Os alunos criaram para atender pessoas que não têm mãos ou com problemas de mobilidade nesses membros.

Segundo Scarpin, as peças são anatômicas para que os jogadores consigam mover dificuldade com a mobilidade, consiga mover essas peças. Quando a pessoa não tem uma mão, eles conseguem adaptar uma pulseira com sistema que eles coletam a peça a partir de um imã.

Na área de fisioterapia, os docentes destacam um jogo, um tipo de tambor com elásticos na parte de cima, com bolas, para exercitar os dedos. Por meio de cartas, eles têm acesso a figuras e precisam fazer os movimentos demonstrados. O nível de dificuldade vai aumentado e isso torna a criação mais interessante.
“Além de atender essas necessidades, o aluno aprende. E além de aprender, ele já vai sabendo seus atributos na sociedade, para que assim ele desenvolva seu melhor trabalho para atender a população. Isso o ajuda a pensar melhor, trabalhar melhor”, conclui Sueli.

Projeto quer apoio para atendimento

Professora Sueli Leite orientou os trabalhos, como o dominó adaptado (Foto: Divulgação)

No segundo semestre deste ano, o objetivo dos coordenadores Sérgio Ricardo Mazini e Lucas Mendes Scarpin, das engenharias de produção e mecânica, respectivamente, é dar andamento ao projeto, remanejando os jogos do ambiente da faculdade e levando para a sociedade.

“A gente deve agora no segundo semestre buscar junto à Secretaria Municipal de Educação um levantamento para ver que tipo de material está disponível nas escolas. Tentar de alguma forma levar esses jogos para as escolas municipais num primeiro momento”, explica Mazini.

Parceria

Além desse levantamento junto à secretaria, os profissionais pretendem buscar parcerias com a iniciativa pública e privada, com o objetivo de viabilizar a produção dos materiais feitos pelos universitários.
Mazini explica que essa fabricação não deverá ser em escala industrial, mas a produção poderá atender escolas municipais e creches.

“Vamos tentar fazer o envolvimento do poder público, iniciativa privada e instituição. A instituição desenvolve e as entidades privadas participam de alguma forma, doando material, por exemplo. (...) Como a gente já teve a experiência do desenvolvimento, vamos fazer com que isso flua de uma maneira mais recorrente para levar isso ao poder público, que as vezes têm carência desse tipo de iniciativa”, complementa o coordenador da engenharia de produção.

Ele ainda conta que o jogo Playkids, destinado a autistas, já tem um destino certo e deve ser doado a uma instituição de Araçatuba. Os outros grupos também devem doar os jogos.

No total, foram três turmas participantes, que trabalharam nas criações durante o primeiro semestre deste ano dentre das disciplinas processo de fabricação e construção I, instrumentação e metodologia (produção), conformação plástica dos metais e processo metalúrgico de fabricação.


 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM COTIDIANO
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.