O estudante Miguel F. Minotti dos Santos, aluno do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Futuro, de Penápolis (SP), foi o vencedor do Concurso de Redação do “Science Days”, feira de ciências promovida pelo Unisalesiano de Araçatuba.
O resultado foi divulgado na tarde desta terça-feira (24) pela Comissão Organizadora da feira, em parceria com a Diretoria Regional de Ensino de Araçatuba.
Como prêmio, Miguel conhecerá a Nasa, Agência Nacional Americana, que fica no complexo Kennedy Space Center, no estado da Flórida, nos Estados Unidos. A viagem inclui transporte, hospedagem e alimentação.
“Estou muito feliz e gosto muito dessa área. Quero ser físico e meu sonho é grande. Um dia quero trabalhar na Nasa. Acredito que venci o concurso porque gosto muito de escrever e sempre estudo e leio a respeito”, disse o vencedor do concurso à assessoria de imprensa do Unisalesiano.
Miguel é filho do sociólogo e professor Gilberto de Assis Barbosa dos Santos, que é mestre em Ciências Sociais pela Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara (SP).
Destaque
Segundo o coordenador do Colégio Futuro, Caio Sampaio, o aluno se destaca desde o 6º ano do Ensino Fundamental 2 e está na final da segunda fase da Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas).
A redação dele foi a escolhida entre aproximadamente 50 redações das escolas participantes.
A professora coordenadora do Núcleo Pedagógico da Diretoria Regional de Ensino de Araçatuba, Edilene Bachega Rodrigues de Viveiros, informa que foram avaliadas duas redações selecionadas por escola, uma do Ensino Fundamental 2 e outra do Ensino Médio.
Participaram escolas das Diretorias de Ensino de Araçatuba, Birigui, Penápolis e Andradina.
A comissão julgadora foi composta de profissionais renomados na área da língua portuguesa e avaliou os textos conforme a originalidade, tema, gênero, concordância, regência, pontuação e coesão.
Objetivo
Com o tema “Uma aventura no espaço”, inspirada no filme de ficção científica “Perdidos em Marte”, o concurso teve por objetivo incentivar crianças e adolescentes a expressarem a criatividade, melhorar os conhecimentos linguísticos por meio da escrita da narrativa de aventura e refletir sobre a ciência e a tecnologia na sociedade.
Os classificados na categoria Ensino Médio foram Victor Henrique Salesse de Oliveira , do 2º ano do Colégio Lumen, de Guararapes (2º lugar) e Bruno Dornelas Bertolino , do 3º ano da Escola Estadual “Antônio Kassawara Katutok, de Gabriel Monteiro (3º lugar).
Na categoria Ensino Fundamental II o vencedor foi Felipe Amaral Dias Pereira , do 6º ano da Escola Estadual João Arruda Brasil, de Guararapes; Júlia Pederiva Andreussa , do 9º ano do Colégio Lumen, de Guararapes (2º lugar) e Sofia de Almeida Rodrigues , do 8º ano do Colégio Futuro, de Penápolis.
Todos, com exceção de Miguel, ganharão certificados e óculos de realidade virtual. A premiação acontece às 20h30 desta quarta-feira, no Centro de Convivência do Unisalesiano.
Confira na íntegra a redação de Miguel:
Viajantes do futuro
Após acordar, com uma forte dor de cabeça, o primeiro viajante do tempo percebe que há algo de errado. Comunica-se com seu único companheiro à vista, um robô criado para acompanhar a viagem e registrar dados, nomeado em homenagem à última espécie extinta na Terra: Baleia.
– Acredito que não estamos onde deveríamos estar, Baleia. Comunique a central que há algo de errado, precisamos voltar.
– As tentativas de conexão com a central falharam, senhor. – Respondeu o robô que, observando o olhar horrorizado de seu companheiro continuou. – Com base nas estatísticas estamos em um planeta com o que parecem ser os restos da Terra e do nosso sistema solar. Se as análises estiverem corretas, a julgar pela distância das galáxias, estamos próximos do colapso universal, um período de tempo inestimável à frente do que estávamos.
A feição devastada do cientista apenas piorava enquanto acompanhava o relatório de Baleia, o que rendeu certo silêncio durante algum tempo logo após o término da fala do mesmo, que foi quebrado por chiados em um comunicador que o viajante trouxera consigo. Em um ato desesperado, ele começa a gritar, porém apenas chiados continuam saindo do aparelho, o que o faz desistir após alguns minutos. Ele então senta-se, olha em direção ao horizonte e torna a conversar com o robô:
– Estamos no futuro. Eu os alertei dessa possibilidade. A aceleração do buraco negro nos garantiria a energia, mas os cálculos eram imprecisos. Apenas não imaginei que avançaríamos tanto. – Neste momento, um olhar de confusão surge em sua expressão, e franzindo o cenho, o cientista se levanta e caminha alguns passos, coloca o polegar sob o queixo e então continua. – Baleia, a qual temperatura estamos sujeitos? Pressão e radiação?
– Estamos próximos ao zero absoluto senhor. Não consigo analisar os dados acerca da pressão. Estamos expostos à altos índices de radiação gama. Parece que a viagem ao futuro mudou totalmente a forma como o universo funciona. – Respondeu Baleia com certas pausas enquanto efetuava os cálculos.
– Tornamo-nos ultra resistentes? – Torna a perguntar o cientista.
– Ao que parece, nós não existimos aqui, não materialmente, e o tempo está passando muito devagar. – Explicou o robô, mostrando graficamente a quantidade de massa dos dois em sua tela, que estava zerada.
O viajante põe-se a pensar, após alguns segundos demonstra expressão de esclarecimento e então profere:
– Baleia, acelere o áudio que saiu do meu comunicador.
A pequena máquina obedece ao comando de seu parceiro, e como resultado ouve-se uma mensagem: “Parem agora… Agora mesmo… Vocês estão saindo da nossa dimensão… Há algo de errado com a posição… Vocês desaparecerão… Estão nos ouvindo? Repito…”.
– Algo mais? – Disse o cientista em resposta ao que acabara de ouvir, intrigado e assustado.
– Não, senhor, foi o máximo que pude decodificar. – Responde o robô.
Mais alguns minutos de silêncios instalam-se, os companheiros de viagem caminham alguns metros e com o polegar no queixo, o cientista diz:
– Nós não estamos no futuro, Baleia. – Vendo que seu parceiro não conseguia compreender a nova teoria, continuou. – Estamos momentos antes do Big Bang, em um universo anterior ao nosso… é por isso que não “existimos” ainda. A viagem deu certo. Certo demais. Mas parece-me que existem muitas variáveis que não conhecíamos acerca dela.
– Qual a procedência, senhor? – Pergunta o robô, que já compreendera a ideia.
– Disse que estamos em fragmentos da Terra? Vamos atrás de algo que conhecemos. Vida.
Após andarem por bastante tempo, o cientista já estava perdendo as esperanças. Os sinais de que o Big Bang estava próximo apenas aumentavam. Foi então, que uma ideia funcional surgiu: como toda matéria ali iria formar o universo novamente, eles deveriam deixar uma mensagem, para que não fosse realizado o experimento no futuro. Seguindo a ideia, Baleia codificou o máximo de partículas que pôde com o aviso, então o universo colapsou.