Após o anúncio feito pela FAC FEA (Faculdade da Fundação Educacional Araçatuba), esta semana, sobre a flexibilização das mensalidades dos cursos em função da pandemia de covid-19, estudantes organizam manifestação pacífica para este sábado (6), às 11h30, na praça da faculdade.
A organização pede para os manifestantes comparecerem com carros e motos, para fazer um buzinaço, mas quem não puder, pode comparecer a pé. Outra orientação dos organizadores é utilizar máscaras faciais e respeitar a distância entre as pessoas.
Foram chamados para participar alunos dos cursos de administração, psicologia, pedagogia e direito.
Pautas
De acordo com uma das estudantes, que está atuando na organização, mas que não quer ser identificada, um dos itens da pauta pede a justificativa da redução dos salários dos professores, feita de forma abrupta.
“Ontem, no pagamento dos professores, um deles disse que recebeu 40% a menos e ele é arrimo de família, como outros professores que também relataram isso. Disseram que não teve reunião. Essa é nossa indignação, porque as coisas vêm sendo feitas de uma hora para a outra”.
Outros assuntos que os manifestantes destacam são a flexibilização das negociações da mensalidade, que não estaria ocorrendo, a redução de 11,5% nas mensalidades de junho e julho, melhoria na comunicação interna, atualização do contrato entre a instituição e aluno e as disciplinas que não estão sendo ministradas on-line.
“Por conta da pandemia, todo mundo teve que se organizar. A gente entende as mudanças. Eu sou estudante da FEA; ela se divide em duas: a parte administrativa e a pedagógica. Na pedagógica, vai tudo bem. Os professores estão conseguindo passar conteúdo on-line, a gente tem um contato direto com eles. O outro lado, a parte administrativa, teve muita gente que trancou a faculdade por falta de recurso”.
Atividades
O presidente do Conselho de Curadores da Fundação, Marcos Francisco Alves, disse que há um equívoco na interpretação de dados com relação à redução dos salários.
“O que aconteceu é que há uma série de atividades que não estão sendo dadas por alguns docentes. Consultando o jurídico e o contábil, verificou-se que, com isso, isto é, não pagando por essas atividades que não estão sendo dadas, reforço, horas trabalhadas, poderíamos dar 11,5% de desconto nas mensalidades de junho e julho. Ora, como é praxe, enviamos a todos os setores da faculdade, direção pedagógica e executiva, conselheiros, uma proposta onde constavam os cortes, sem redução salarial, mas apenas dessas atividades não dadas para que se manifestassem a esse respeito. O Conselho Curador, formado por 14 pessoas, aprovou por maioria ( 12 a 2) essa proposta e ninguém mais colocou qualquer obstáculo. Aprovado, colocamos em prática”, disse Alves.
O presidente reforça que não há descontos no salário, ou seja, na hora/aula trabalhada, e sim cortes no valor relacionado às aulas que não foram dadas. “Como pagar aquilo que não foi trabalhado e que será feito após a pandemia? Aí sim, haverá pagamento. Claro que sem isso não haveria descontos na mensalidade. A FEA não tem outros recursos a não ser as mensalidades e 75% vão para pagamento dos funcionários. Já mostramos isso para toda a comunidade acadêmica”. Hoje, a instituição tem por volta de 40 professores.
Em relação às negociações de alunos e instituição, Alves ressalta que tudo é passado pelo Conselho Curador e ele encaminha. "No momento, após esses 11,5% que conseguimos, precisaremos voltar a estudar".
Sobre a manifestação deste sábado, Alves afirma que a FEA ficou sabendo por meio de comunicado da Polícia Militar. “Achamos que é um equívoco, pois sempre nos abrimos ao diálogo com todos (as). Mas é um direito democrático protestar. Que o façam”.
O presidente ainda disse que não há a possibilidade de rever as decisões anunciadas, a não ser que os alunos queiram abrir mão do desconto de 11,5%.
Mensalidades
O desconto de 11,5% nas mensalidades é equivalente a aproximadamente R$ 70, considerando o valor de cerca de R$ 700 que cada aluno investe por mês. A medida é válida para os meses de junho e julho. Para os meses seguintes, não é possível prever se o benefício continuará, já que depende da pandemia.
“Esperamos que a pandemia acabe e possamos retomar o ritmo de sempre. Se continuar, teremos problemas. Como afirmei, a FEA sobrevive das mensalidades e de alguns aluguéis que cobrem as despesas. Aliás, somos monitorados pelo Tribunal de Contas e Ministério Público”, conclui Alves.
Outra medida anunciada pela instituição foi que nos meses de abril e maio, os alunos puderam pagar 50% da mensalidade, sendo que a diferença poderá ser quitada em parcelas no segundo semestre deste ano e no primeiro semestre de 2021.