Cotidiano

Estudantes do 8º ano usam sucata para construir carregador de celular sustentável

Carregador utiliza energia fotovoltaica; projeto é finalista na Feira de Ciências das Escolas Estaduais de São Paulo

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
29/09/19 às 14h00
Gabriel Prates (boné) e Bruno Meira fizeram dois protótipos antes de chegar ao modelo definitivo (Foto: Manu Zambon)

É possível construir um carregador de celular com energia fotovoltaica e utilizando sucata eletrônica?

A resposta encontrada pelos estudantes Bruno Henrique Muniz Meira e Gabriel Guimarães Prates, de 13 anos, do 8º ano do ensino fundamental da escola estadual João Arruda Brasil, em Guararapes (SP), é “sim”.

Na disciplina eletiva Designer de Produtos Sustentáveis, eles construíram um carregador para celular que utiliza energia fotovoltaica e lixo eletrônico. Com o feito, eles são finalistas na Feceesp (Feira de Ciências das Escolas Estaduais de São Paulo).

A professora de ciências e matemática, Ana Paula de Souza Rubbo, que é orientadora do projeto, explica que a proposta da disciplina era produzir algo com foco na sustentabilidade. Por meio de pesquisas, os alunos chegaram até o modelo de carregador fotovoltaico e levaram o tema para ser discutido em sala de aula.

“Pensamos em algo que fosse de uso comum e que ainda pudesse economizar energia elétrica, por isso decidimos criar um carregador de celular”, conta Prates.

Meira destaca também a necessidade de uma solução para a sucata eletrônica, que é tóxica para as pessoas e para o ambiente.

Testes

Antes de se chegar ao modelo definitivo, os estudantes compraram peças novas para testar a ideia. Como deu certo, eles partiram para a produção do carregador sustentável, garimpando peças que seriam descartadas por empresas de eletrônicos para a montagem do circuito.

O carregador possui seis placas ligadas em série que geram um total de 6 volts, tensão ideal para se carregar um celular, polos negativo e positivo, conector de fios, um capacitor, regulador de tensão, um resistor para ligar uma luz de LED que indica o funcionamento e chave de liga e desliga.

Assim que o circuito recebe a luz do sol, começa a dar carga suficiente para carregar um celular em 100%. “Se a energia cai ou aumenta, o capacitor consegue estabilizá-la para manter nos 6 volts”, explica Meira.

Fake news

Nas pesquisas, os estudantes descobriram algumas inverdades que são divulgadas. “Na internet, por exemplo, alguns vídeos mostram que é possível fazer um circuito de energia com fio de cobre e diodos. Nós fizemos esse modelo inicialmente, mas depois descobrimos que essa energia não vem do sol, mas do próprio diodo. Ou seja, era uma fake news”, afirma Prates. A suspeita foi confirmada por um professor de física, procurado pelos alunos para ajudar no projeto.

A segunda tentativa de se montar um carregador com energia do sol também foi uma descoberta. “Decidimos utilizar as placas que vem nas calculadoras de energia solar. Só que todas as que encontrávamos não tinham placas fotovoltaicas, apenas baterias. As placas eram apenas de plástico. Ou seja, são vendidas como sendo solar, mas na verdade são movidas a bateria”, explicou a professora.

Futuro

Ambos os estudantes gostam de matemática, têm boas notas na matéria e pensam na engenharia como profissão. “Eu quero ser engenheiro mecatrônico”, diz Meira.
“Meu projeto de vida é ser engenheiro também, mas mecânico, porque gosto de automóveis”, emenda Prates.

Feira

A Feceesp é uma feira voltada para a formação, divulgação e promoção da cultura científica, que se constitui por meio de projetos de investigação de pré-iniciação na educação básica. A data de apresentação dos projetos selecionados ainda não foi definida.

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