Há mais de 40 dias, a família da balconista Bárbara Cristine Campanha, de 30 anos, moradora no bairro Águas Claras, em Araçatuba (SP), convive com o medo. A chuva, que é sempre um motivo de alegria para o clima quente do município, já não é mais bem-vinda.
No dia 17 de setembro, a residência, que até então não apresentava nenhum problema estrutural, começou a apresentar as primeiras rachaduras, após o rompimento da rede de água em frente ao endereço.
A balconista vive com o marido e o filho no local. Ela conta que, no domingo anterior, um vazamento de água foi percebido por ela e pelo vizinho, que chegou a quebrar ao redor do cavalete da casa dele para saber se a causa do problema estava no local.
Dois dias depois, numa terça-feira, assim que chegou em casa, não conseguiu abrir a porta da sala, que estava emperrada. O filho dela, de 11 anos, chegou a pular a janela para tentar abrir pelo lado de dentro, mas também não conseguiu. “Tivemos que abrir na pesada mesmo, tanto que ela abriu e não fechou mais, porque a parede cedeu”, conta Bárbara. Só depois a balconista entendeu que o problema na porta era um indício de que a estrutura do imóvel tinha sido abalada pelo vazamento.
Na rua, a água escorria pela sarjeta. A Samar (Soluções Ambientais de Araçatuba) já tinha sido acionada pelo vizinho e à noite enviou equipe ao local. Os funcionários olharam o cavalete da casa de Bárbara e também o do vizinho, mas descobriram que o problema estava na rua. O conserto começou a ser feito ainda na madrugada.
Guarda
A moradora ligou para a Guarda Municipal, que foi até o endereço e acionou a Defesa Civil. O imóvel não foi isolado, mas no laudo consta que há risco de desmoronamento.
“Eu voltei a procurar a Guarda e eles me disseram que não podiam afirmar que a casa não vai cair, mas também não podiam dizer que vai”, contou Bárbara.
A reportagem esteve no local e constatou que há uma fresta de um lado a outro na parede frontal da casa e também na parede lateral, atingindo principalmente sala e um dos quartos do imóvel. Há ainda trincos na parede do banheiro, na varanda e no muro.
“Eu tirei meu filho do quarto, porque eu tenho medo que essa parede caia a qualquer momento e ele está bastante assustado. A Samar não me dá nenhum retorno do que será feito”, diz Bárbara que chegou a ficar uns dias na casa da mãe, mas pela falta de espaço acabou optando por voltar para a casa. “Não tenho condições de pagar um aluguel para sair daqui. Estou tendo que arriscar”, completou.
Outro lado
Questionada, a Samar não informou qual o problema ocorrido na rua e nem o que será feito com os imóveis atingidos. A empresa apenas confirmou que realizou vistoria no imóvel atendendo a solicitação da moradora e que o parecer já foi despachado, via carta, que será entregue na residência da solicitante.
“Em atendimento à política de proteção e privacidade dos nossos clientes, não podemos fornecer informações sobre o conteúdo enviado. A Samar está à disposição da moradora para fornecer informações ou sanar qualquer dúvida”, resumiu em nota.