Cotidiano

Jogador de Penápolis vive drama em meio a conflito armado no Sudão

Matheuzinho iniciou a carreira no Corinthians e desde o início do ano defende o All-Merreich, do Sudão, que vive uma guerra civil 

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
18/04/23 às 16h10
Matheuzinho ainda tem família em Penápolis e aguarda informações sobre a volta para casa (Foto: AI/Vila Nova)

Matheus Bossa, 30 anos, mais conhecido como Matheuzinho, que é nasceu em Penápolis (SP), onde ainda tem família, é um dos oito brasileiros, entre jogadores de futebol e comissão técnica, que aguardam por uma decisão das autoridades para deixarem o Sudão, onde trabalham. O país vive um conflito entre exército e um grupo paramilitar já provocou mais de uma centena de mortes.

O drama vivido por ele e por outros jogadores foi revelado em reportagem exibida pelo Jornal Hoje, da Rede Globo, no início da tarde desta terça-feira (18). O jogador também deu entrevista ao Globo Esporte de Goiás, que foi ao ar ontem e publicada no início da noite de ontem.

O atleta revelou que no momento vive um pesadelo e que da janela do apartamento dele é possível ouvir e ver cenas da guerra. “Começou com a gente acordando com bombas, tiros e sem saber de nada”, contou, informando que foram orientados a permanecer trancados dentro do apartamento onde moram.

Racionamento

Matheuzinho relatou ainda que está preocupado com o racionamento da alimentação, que já está em falta. “Ontem comemos arroz com ovo, jantamos também arroz com ovo, mas está acabando. Os mercados aqui estão fechados”, informou. 

O Globo Esporte de Goiás também ouviu a esposa de Matheuzinho, Jéssica Perez, que mora em Penápolis. “Está muito difícil esperar notícia e todo dia as notícias são as mesmas, que não pode sair de casa, tem que permanecer em casa e até agora não podem fazer nada”, disse em vídeo exibido na reportagem.

Emocionado, o atleta de Penápolis comenta que tenta ser forte, pois foi morar no Sudão quando o filho dele com Jéssica ainda nem caminhava, com a expectativa de oferecer uma vida melhor a eles. “Eu vou dormir aqui 4h da manhã e 5h eu acordei com a bomba”, contou.

Sobre as informações das autoridades sobre a possibilidade de deixarem o país, Matheuzinho disse que sempre um órgão passa para outro e não há uma solução. “A gente sabe que tem que ficar junto, que não pode sair de casa, mas logo, logo eu estou aí, beleza?”, disse ao se despedir.

Providências

O site do Globo Esporte também publicou a íntegra da nota da assessoria de imprensa do Itamaraty, que por meio do Ministério das Relações Exteriores, informou que a Embaixada em Cartum, capital do Sudão, está em contato com 12 brasileiros que vivem no país e com os familiares no Brasil e presta toda a assistência possível.

“O governo brasileiro tem mantido coordenação com outros países que também têm cidadãos em território sudanês sobre ações coordenadas de assistência, a serem eventualmente implementadas a partir do momento em que as condições de segurança permitirem” , finaliza a nota.

Histórico

Matheuzinho nasceu em Penápolis e foi revelado nas categorias de base do Corinthians, onde permaneceu até 2014. Atuando como meio-campista, ele foi campeão da Copa São Paulo de 2012, mas teve poucas chances na equipe profissional.

Ainda durante contrato com o Corinthians ele foi emprestado ao Bragantino, ao Oeste e ao Estoril Praia, de Portugal. Em 2017 defendeu o Audax Osasco e também jogou no México, Atlético Goianiense (GO), Juventude de Caxias (RS) e Vila Nova (GO), até se transferir para o All-Merreich, no Sudão, no início deste ano. 

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