Cotidiano

Kântele: escola com pedagogia Waldorf abre as portas em Araçatuba

Metodologia foi apontada pela Unesco como modelo capaz de responder aos desafios educacionais atuais

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
28/01/20 às 16h00
A partir da esq., Ana Maria Palmieri, Priscila Rico Boni, Sara Alves e Cláudia Michelon (Foto: Aline Galcino/Hojemais Araçatuba)

Por iniciativa de um grupo de pais e de profissionais da área da educação, Araçatuba (SP) ganha neste ano uma escola com a pedagogia Waldorf, a única da região.

A Kântele Iniciativa Waldorf Araçatuba está com matrículas abertas para as primeiras turmas da educação infantil – maternal (para crianças de 1 ano e 8 meses até 4 anos) e jardim (4 a 6 anos) –, nos períodos matutino (das 7h30 às 11h30) e vespertino (13h30 às 17h30). São oito vagas por turma.

Também estão abertas vagas para o contraturno escolar, que atenderá crianças de 7 a 13 anos que frequentam outras escolas e têm a necessidade de vivenciarem atividades artísticas, motoras e brincadeiras livres. Nesse caso, o atendimento será no período da tarde. No total, são 42 vagas.

A escola tem à frente profissionais que têm em comum a formação pedagógica: Ana Maria Palmieri, pedagoga e diretora de creche; Cláudia Michelon, pedagoga e psicopedagoga; Priscila Rico Boni, pedagoga, arteterapeuta e artista/atriz; e Sara Alves, psicopedagoga, psicomotricista e fisioterapeuta.

Outro ponto de convergência entre as profissionais era a inquietação em relação aos métodos convencionais de ensino, com a alfabetização iniciando cada vez mais cedo.

Cláudia, que integrava a rede municipal de ensino, passou a atender como psicopedagoga para suprir uma amiga que havia passado por cirurgia. “Era muita criança com problema de aprendizagem, todo dia chegava um aluno e passei a pensar que alguma coisa não estava certa com a metodologia empregada. Quando eu conheci a pedagogia Waldorf, que é baseada na antroposofia, vi que esse era o caminho. A proposta veio ao encontro das minhas inquietações”, explicou.

Segundo Priscila, a busca das quatro por um novo caminho na educação tem histórias parecidas. “Eu dava aulas para educação infantil, fundamental e artes. Quando comecei a trabalhar na área, percebi que a criatividade e a expressão estavam sendo podadas. Não vou generalizar, mas faltava olhar para a criança como um ser humano de verdade”, completou.

As quatro se uniram e criaram a Associação Antroposófica Gaia de Araçatuba, organização sem fins lucrativos, que tem como missão a difusão da antroposofia, fundada pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner, a base da escola Waldorf.

Setênios

A pedagogia Waldorf engloba todas as matérias obrigatórias do MEC (Ministério da Educação). O que muda, é o modo de abordá-las, que prioriza o querer fazer da criança, o sentir e pensar. E, além das matérias tradicionais, os alunos têm aulas de trabalhos manuais, marcenaria, agricultura biodinâmica, culinária, teatro, coral, música, entre outras.

Os ciclos são divididos em setênios. Os primeiros sete anos são destinados à percepção dos aspectos positivos do mundo, priorizando os movimentos livres, as corridas, as brincadeiras, para que a criança teste e conheça seu corpo, seus limites.

Nessa fase, tudo é ensinado de maneira lúdica, com roda rítmica, música, instrumentos musicais, atividades corporais que estimulam a prontidão para a aprendizagem, entre outras atividades.

O resultado é: pouco caso de dificuldade de aprendizagem na pedagogia Waldorf, porque ela é feita no tempo certo, respeitando o desenvolvimento psicomotor da criança.

A alfabetização só tem início aos 7 anos, no segundo setênio, quando as salas são divididas por ano, como no ensino convencional.

Escola

A estrutura da escola também é diferente das tradicionais, apresentando-se na contramão dos avanços tecnológicos. A sala de aula lembra uma casa. Os móveis são todos de madeira, priorizando os materiais naturais. Os brinquedos são pedagógicos; as bonecas, de pano; os tapetes de algodão e trabalhos manuais, etc.

O pátio é, na verdade, um grande quintal, com espaço para brincadeiras espontâneas e contato com a natureza para despertar a imaginação das crianças. Tem árvores (que funcionam como trepa-trepa), balanços feitos com tecidos ou madeira, troncos, terra, areia e muito verde. Há pouco concreto e os limites vêm do próprio corpo da criança.

Escolha

E foi essa liberdade que atraiu a atenção da artesã Juliana Meneguetti, 37 anos, de Araçatuba, que tem dois filhos matriculados na Kântele – o João, de 5 anos, e a Júlia, de 3. “Eu não me identificava com a pedagogia vigente e acreditava na essência da pedagogia Waldorf, que é essa humanização, com as crianças brincando livres. Eu tive contato com adultos ex-alunos Waldorf e vi a diferença”, explicou.

João chegou a frequentar uma escola tradicional e a experiência com desenho à mão livre, segundo a mãe, não foi boa, pois a pedagogia convencional já traz um conceito pronto. “Já a Waldorf dá a possibilidade de cada criança, em sua individualidade, criar o conceito. Agora, ele desenha de tudo”, contou.

Os filhos de Juliana frequentam a escola desde setembro do ano passado, quando tiveram início as atividades de contraturno, em fase experimental.

Brincar

O engenheiro agrônomo Tiago Zonta, 39 anos, e a esposa Vanderli Zonta, de Birigui, também acreditam que a pedagogia Waldorf é a que se adequa ao perfil que eles procuram para o filho, Benício, de 3 anos, e não se importam com o trajeto diário entre as cidades para a educação do menino.

“Já tinha ouvido falar muito da pedagogia Waldorf, antroposofia, Rudolf Steiner, agricultura biodinâmica, etc. Quando o Benício nasceu, começamos a rodar escolas e vimos que nenhuma tinha o perfil que procurávamos, sem modelo pronto, algo mais orgânico. Cogitamos até mudar para Bauru por causa da escola de lá. O Benício tinha 1 ano quando ficamos sabendo da iniciativa de Araçatuba e decidimos participar”, lembra Tiago.

O engenheiro destaca a arte do brincar como principal diferencial da escola Waldorf. “Nessa pedagogia o brincar é levado a sério. É onde eles vão desenvolver o sentir e o agir. Cada criança aqui tem um perfil, tem um jeito, não é aquela educação em massa, pelo contrário, é bem individualizado.”

Por enquanto, Benício não teve contato com nenhuma pedagogia. No ano passado, frequentou uma escola infantil de Birigui, mas apenas para recreação.

CURIOSIDADE:

Kântele é um instrumento musical usado principalmente no maternal e jardim por causa das notas que atingem o mundo onírico e o lúdico. O instrumento é base da pedagogia Waldorf e professores e alunos aprendem a tocá-lo.

Grupo de pais

Por princípio, as escolas Waldorf são comunitárias, criadas por iniciativa de um grupo de pais e professores. É hoje a rede independente que mais cresce no mundo e cujo método foi apontado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como sendo um modelo de pedagogia capaz de responder aos desafios educacionais atuais, principalmente nas áreas de grandes diferenças culturais.

Juliana e Tiago integram o grupo de pais fundadores da iniciativa Waldorf Araçatuba, que tem cerca de 20 integrantes ativos.

Como a escola não tem cunho comercial, o grupo se uniu às profissionais para levantar recursos para a instalação da unidade, por meio da realização de eventos e promoções.

A escola é classificada com associativa privada, onde os pais pagam os custos com aluguel do prédio, professores, materiais utilizados e manutenção, sem lucro.

Serviço:

A Kântele - Iniciativa Waldorf Araçatuba fica na rua São Marcos, 308, no Jardim Sumaré. Até a próxima sexta-feira (31), das 9h às 17h, a escola estará de portas abertas para quem quiser saber mais sobre a pedagogia e também para matrículas.

As visitas também podem ser agendadas diretamente com as profissionais: (18) 98133-6022 (Sara); 98117-1712 (Ana); 99620-1932 (Cláudia) e 99600-2423 (Priscila). Aulas começam em 3 de fevereiro.

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