Cotidiano

Máscara artesanal protege contra o novo coronavírus?

Para as pessoas saudáveis, que precisam sair de casa, os produtos feitos com tecido podem ser uma alternativa viável 

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
22/04/20 às 17h32
Máscaras artesanais devem respeitar as medidas orientadas por órgãos oficiais (Foto: Arquivo Pessoal)

O novo coronavírus pode ser espalhado por meio de gotículas suspensas no ar quando as pessoas infectadas conversam, tossem ou espirram. Sendo assim, desde as primeiras notificações do vírus no Brasil, o uso de máscaras cirúrgicas por parte da população saudável como uma barreira física para evitar a contaminação tem sido debatido frequentemente.

Órgão oficiais como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a OMS (Organização Mundial da Saúde) e a Sociedade Brasileira de Infectologia, priorizam o uso de máscaras profissionais, fabricadas com material médico cirúrgico industrializado, para trabalhadores da saúde e pacientes com covid-19, uma vez que a oferta do material é escassa.  

Para as pessoas saudáveis, que precisam sair de casa e/ou retomarão suas atividades, principalmente após o anúncio da retomada gradual da atividade econômica no Estado a partir do dia 11, e do decreto municipal que permite a volta imediata de alguns serviços em Araçatuba, as máscaras de tecido podem sim ser uma alternativa na hora de se proteger.

A medida foi anunciada por meio de documento publicado pela Anvisa no início deste mês, com orientações gerais sobre o uso de máscaras de pano. A Sociedade Brasileira de Infectologia também emitiu parecer, atualizado no dia 8 deste mês, dizendo que, para a população que necessita sair de suas residências e que não apresenta sintomas, a máscara de pano pode ser recomendada como uma forma de barreira mecânica.

Vale destacar que a utilização da máscara por pessoas que não estão doentes é defendida por especialistas para reforçar a prevenção, uma vez que existe a possibilidade do infectado não apresentar sintomas e com isso não saber que está portando o vírus.  

Eficácia

O médico infectologista Stélios Fikaris, de Araçatuba (SP), explica que as máscaras de pano, no geral, são eficientes, porém dependem da densidade da trama do tecido utilizado.

“A máscara mais eficaz é a que tem tramas mais próximas. Tramas mais espaçadas, é mais fácil passar a saliva e o vírus. A máscara tem que ser bem fechada para você ter o máximo de obstáculos para a saída da saliva e vírus”, explica.

O especialista ainda reforça a ideia de que as máscaras cirúrgicas são obrigatórias somente em hospitais. “Se a população usa, vai faltar nos hospitais, onde ela é mais importante. Como a gente falou, as máscaras artesanais são eficientes”, completa.

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Ministério da Saúde divulgou medidas para a máscara caseira (Foto: Ministério da Saúde)

Indicações

De acordo com a Anvisa, para ter um melhor efeito, as máscaras de pano devem respeitar as medidas corretas, cobrindo totalmente a boca e nariz, sem deixar espaços nas laterais.

Para garantir a efetividade, o Ministério da Saúde recomenda o uso de tecidos de saco de aspirador; cotton (composto de poliéster 55% e algodão 45%; tecido 100% algodão (como tricoline); e fronhas de tecido antimicrobiano. Mas podem ser utilizados materiais encontrados no dia a dia, como camisetas ou outras roupas em bom estado de conservação, até tecido não tecido (TNT).

O importante é que a máscara seja feita com camadas duplas, nas medidas corretas, cobrindo totalmente a boca e nariz (cerca de 21 centímetros de altura e 34 cm largura) e que esteja bem ajustada ao rosto, sem deixar espaços nas laterais. Se for de TNT, a máscara deve ser descartada a cada uso, informa o ministério. 

A máscara também precisa ser utilizada de forma correta, ou seja, a pessoa não deve ficar manipulando-a durante o seu uso e deve-se lavar as mãos antes de sua colocação e após a retirada. O material não pode ser usado por um período que ultrapasse duas horas. Após isso, é preciso retirar e lavar, se for uma máscara reutilizável. 

Camadas

A Anvisa que recomenda que o produto tenha três camadas, sendo uma de tecido não impermeável na parte frontal, tecido respirável no meio e um tecido de algodão na parte em contato com a superfície do rosto.

Por outro lado, o uso dessa proteção artesanal não é recomendada para profissionais da saúde durante a atuação, pacientes contaminados ou suspeitos (sintomáticos), pessoas que cuidam de pacientes contaminados, crianças menores de 2 anos, pessoas com problemas respiratórios ou inconscientes, incapacitadas ou incapazes de remover a máscara sem assistência.

Perfex

Também é importante ficar atento aos tipos de conteúdos que circulam principalmente em redes sociais, em formato de dicas. Um dos exemplos é um vídeo ensinando a fazer máscaras de perfex, que é um material poroso e por isso de qualidade questionável quando o objetivo é proteção.

“Apesar deles dobrarem uma, duas ou três vezes, é um material que tem muito espaço entre as tramas. A eficácia é duvidosa. É melhor do que nada, mas não se espera uma grande proteção desse tipo de material”, afirma o infectologista. 

Higiene

O médico destaca também que a maior eficácia contra o vírus continua sendo o hábito de higienizar muito bem as mãos, evitar tocar no rosto, principalmente no nariz e boca, e manter a distância entre as pessoas.

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