Cotidiano

Ministro da Saúde defende manutenção da quarentena

Disse em coletiva neste sábado que até dia 7 devem ser definidas regras, mas por enquanto valem as medidas dos municípios

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
28/03/20 às 18h34

O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, disse em entrevista coletiva na tarde deste sábado (28), que a população deve seguir as regras de distanciamento social estipuladas pelos municípios e estados para combater o avanço do coronavírus.

De acordo com ele, a próxima semana será fundamental para se definir as regras gerais para esse distanciamento social. "Tem que ter critério para o comércio, para a indústria e para o poder público se preparar, assim como para a imprensa fazer uma cobertura proativa", comentou.

A entrevista ocorreu após a apresentação do boletim epidemiológico atualizado, que aponta 3.904 casos positivos de covid-19, que é a doença provocada pelo coronavírus, e 111 mortes no País até este sábado.

O primeiro caso positivo da doença no Brasil foi registrado em 26 de fevereiro e, ao completar um mês, na quinta-feira (26), eram 77 mortes e 2.915 casos. Ou seja, são mil casos positivos e 34 mortes a mais em dois dias.

Polêmica

A recomendação do ministro acontece em meio à polêmica causada pelo pronunciamento do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), convocando a população a voltar ao trabalho.

Após o pronunciamento, houve manifestações em várias cidades brasileiras, inclusive em Araçatuba, Birigui e Penápolis, as maiores da região, de pessoas favoráveis à reabertura do comércio, fechado por força de decreto estadual e de decretos de algumas prefeituras.

Durante a entrevista, Mandetta foi questionado sobre essas manifestações e se posicionou contrário à realização delas.

Boletim atualizado mostra que Brasil tem 3.904 casos positivos de covid-19 e 111 mortes até este sábado. (Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil)

Ações

Segundo o ministro, o Brasil já fez muitas coisas nos últimos dias, tanto na área da saúde como na econômica, definindo ajuda financeira para os trabalhadores e para empresários diante da crise.

“Falta pouco para acertar. Temos essa semana para falar pronto e sugerir as regras (de distanciamento). Lá para o dias 6, 7, vamos começar por setores para ver como funciona. Por enquanto, segue com os planos feitos pelos municípios”, declarou.

Ele comentou que o comércio quer abrir, isso vai acontecer, mas vai ter regras para abrir. “Não pode ter fila de espera, não pode ter bufê, com uma pessoa atrás da outra. Tudo isso vai ser definido”, disse.

O importante, na opinião dele, é que haja unidade nas ações, até mesmo porque muitos estados e prefeituras iniciaram esse distanciamento social e agora não sabem como e por onde voltar.

Ricos

Porém, deixou claro que não culpa os prefeitos por tomarem a iniciativa, já que estão vendo o povo da cidade deles vivendo o problema. “Os prefeitos são os responsáveis pela saúde do povo deles”, argumentou.

Ainda segundo Mandetta, no início, os casos surgiram com pessoas de famílias estruturadas, que procuraram hospitais particulares e moram em casas com vários cômodos, nas quais podem facilmente fazer o isolamento para evitar o contágio.

Porém, a preocupação dos prefeitos é quando o problema atingir os “Josés”, que residem na periferia e dividem casas de dois cômodos com várias pessoas. “A preocupação é para evitar chegar no povo, porque vai sobrecarregar o sistema de saúde”, alertou.

Sem aulas

Por isso, ele defendeu a manutenção da suspensão das aulas, mesmo para as crianças, que muitas vezes são assintomáticas, pois elas podem levar o vírus para casa e contaminar os demais moradores.

O ministro da Saúde explicou que sem o isolamento, uma pessoa infectada pode contaminar outras seis. Respeitando o distanciamento social, em vigor pelos decretos municipais e estaduais, cada pessoa infectada pode contaminar outras duas.

“Todos nós teremos alguém da família que vai ser contaminado, vamos perder entes queridos, mas as ações vão definir em que intervalo as perdas vão acontecer”, declarou.

Imagem: Ilustração

Tendência

Questionado se a evolução da epidemia no Brasil segue a tendência de algum outro país, o ministro passou a palavra a um dos técnicos do Ministério da Saúde.

Ele explicou que o Brasil segue a tendência mundial, sem fugir do padrão. Reforçou ainda que o País está apenas no pé da montanha e que o Ministério da Saúde espera que essa montanha seja uma “montanhinha”.

Entretanto, Mandetta argumentou que o Brasil tem algumas vantagens com relação aos países da Europa, por ter 14% da população com 60 anos ou mais, enquanto na Itália, que tem milhares de mortos, essa população chega a 30%.

Também há menos tabagistas no Brasil do que na Europa e na China, por exemplo, o que pode contribuir para que os efeitos da pandemia sejam menos graves no País, segundo o ministro.

Apesar disso, ele reforçou que é preciso manter os cuidados para tentar reduzir ao máximo a contaminação. "Entendemos que devemos ficar um pouco em casa para definirmos as medidas", finalizou.

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