Cotidiano

Monges que vieram do Japão contam suas experiências em Araçatuba

Os mestres Tohru Shimizu e Koun Kubo são da tradição do Budismo da Terra Pura e chegaram no Brasil há pouco tempo

Manu Zambon  - Hojemais Araçatuba
20/10/19 às 14h00

“Tem momentos que esqueço que estou no Brasil”. A afirmação é do monge Tohru Shimizu, de 49 anos, responsável pelo Nambei Honganji, em Araçatuba. Ele e a reverenda Koun Kubo, de 50 anos, residente no templo Honpa Hongwanji da Noroeste, vieram do Japão, iniciaram suas trajetórias no município neste ano e contam como têm sido a experiência.

O monge Shimizu cresceu em um vilarejo japonês de 60 casas, localizado na Província de Shiga, que hoje é parte de Nagahama. Ele conta que a região tem muita tradição do budismo Shin (Terra Pura), e começou a estudar a religião aos 18 anos.

Shimizu conta um fato interessante sobre sua família. Seu pai não era monge, no entanto seu avô saiu de casa muito cedo para ter uma vida monástica, o que durou alguns anos. Como ele era o único filho daquela família, seu pai (bisavô de Shimizu) pediu que ele retornasse para casa.

“Por tradição, teria que dar continuidade às atividades familiares. Após muita negociação, cartas enviadas, ele retornou aos 22 anos”, diz. Então, na casa onde os avós moravam, havia muitos livros sobre o budismo. No Brasil, ele chegou há dois anos e meio, e em Araçatuba assumiu o templo em abril deste ano, sendo monge residente pela primeira vez.

Calor

Quando questionado sobre o que tem achado da cidade, ele responde com bom humor que tem sentido calor. No entanto, o que mais tem chamado a atenção do monástico é o empenho da comunidade japonesa que frequenta o espaço e a forma como essas pessoas são fiéis à tradição.

Nesse contexto, ele destaca as senhoras da associação feminina do templo, que dão todo suporte para que aconteçam os eventos. “Talvez de forma até mais intensiva do que no Japão. São bem empenhadas. Frequentam com assiduidade. Já são pessoas de idade, muito engajadas”.

Mas é no momento da recitação dos sutras, durante os ritos, que o monge se emociona. Isso porque em Araçatuba, e até região, algumas famílias, incluindo crianças, acompanham a leitura dos sutras com ele.

“Isso está ficando raro até no Japão. No meio dos sutras me pergunto se estou no Brasil ou Japão. É uma sensação incrível, uma experiência inusitada. Pensa que de repente as pessoas vão pegar suas bicicletas e voltar para suas casas, como no Japão”, afirma com entusiasmo.

Comunicação

Mesmo os ritos sendo realizados em japonês, o monge quer aprender mais a língua portuguesa. Ele é casado com uma brasileira e se encantou pelo Brasil após conhecer um morador da comunidade rural Yuba, de Mirandópolis.

A reverenda Koun também se esforça para aprender o novo idioma. “Tenho que estudar mais o português. Eu faço meu melhor para celebrar em português, mas é ainda um pouco difícil”.

Ela chegou no País há quatro anos, morou em São Paulo e veio para Araçatuba há poucos meses. A monja conheceu o budismo aos 23 anos e aos 44 anos se tornou mestre.

O esforço para se comunicar com a comunidade fica ainda mais evidente com o cartão que Koun distribui para quem ela acaba de conhecer. Lá, ela coloca suas principais características, como ator favorito (Brad Pitt), bebida (chá com leite), seu envolvimento com a arte, música que gosta de ouvir (Elis Regina, David Bowie e The Beatles).

Além disso, ela mantém um site com algumas informações (koun18.com) e vídeos no YouTube (a maioria em japonês), que podem ser acessados diretamente da sua página.

Pessoas comuns

Na escola Shin, seguida pelos monges Koun e Shimizu, não há necessidade de raspar a cabeça e ambos são casados “O nosso budismo é para as pessoas comuns, os monges podem ter cabelo, ter uma família. É bem diferente, é para todas as pessoas. Mesmo as pessoas comuns podem se tornar um Buda”, conta a reverenda, que tem duas filhas, de 15 e 19 anos. 

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