A mestra Emilia Emy Urabe Kajimoto, de Araçatuba, que atua na tradição Shin (Budismo da Terra Pura) como missionária, antes de se dedicar à vida monástica, atuava na área da música. Comandava o coral Fascinasom, que se apresentava principalmente em casamentos.
Há sete anos sua vida teve uma reviravolta. Com a morte do filho, o advogado Edson Eiji Urabe Kajimoto, em 2012, e outras circunstâncias, ela se voltou aos ensinamentos budistas e há seis anos tem se dedicado aos estudos. Filha de monge e da primeira mulher do Brasil a ser ordenada na escola Shin, Emilia é a primeira mulher nissei (filha de imigrantes japoneses) a ter mestrado na escola Shin no País.
“Muitos fatos fizeram com que eu tomasse a decisão, me aprofundar não para eu me tornar uma monja, mas para ter mais conhecimento”. Ela, que já sabia os sutras, que são os ensinamentos de Buda, foi para o Japão receber a ordenação e no ano passado fez o curso de mestre, também no país do sol nascente.
Atualmente, sua principal atuação é como missionária do templo Higashi Honganji Brasil Betsuin, em São Paulo, matriz do templo Nambei Honganji, de Araçatuba. Conforme previsto no calendário anual, ela visita algumas regiões e até países para fazer ritos de finados e demais celebrações.
Emilia, que acaba de voltar de Manaus (AM), em uma missão, conta que já esteve no Paraguai e Argentina. Como são poucos os monges bilíngues, que falam japonês e português, ela tem sido enviada para fazer o trabalho.
Ensinamentos
O budismo surgiu na Índia, com Sidarta Gautama (Xaquiamuni Buda), há aproximadamente 565 a.C. Dos ensinamentos de Buda, surgiram várias escolas do budismo, como a Shin (Budismo da Terra Pura), Zen, Kadampa e Budismo Tibetano. O templo em que a monja atua é da escola Shin, da vertente Mahayana (Grande Veículo).
Ela explica que nessa tradição, não existe distinção do bom e do mau, mas o reconhecimento de que todos nós somos passíveis de ações impensadas ou condenáveis.
O fundamento do budismo da Terra Pura reconhece os nossos apegos. “Que a gente não consegue atingir nem a iluminação, nem a paz de espírito, só pelas suas próprias forças. No budismo Shin, reconhecemos as forças externas, chamadas de outro poder. Quais são essas outras forças? São as forças indicadas pela atuação de todas as vidas, circunstâncias, que nós chamamos de causalidades ou princípio da ordenação dependente. Coisas que acontecem dependendo umas das outras”, explica.
Indagações
O fundador da escola é o mestre Shiran Shonin, que chegou a passar pela escola Zen, onde ficou por 20 anos praticando o zazen (meditação sentada). Inspirado nos ensinamentos do mestre Honen, que pregava sobre recitação do Nome Sagrado como caminho da salvação e do entendimento sobre a verdade da vida, fundou a escola Shin.
No budismo, como não há certo e errado, o pecado não existe. No entanto, Emilia destaca que não é por isso que se pode cometer atos danosos. “É reconhecer que sou passível de, e que sou dependente de todas as vidas para poder viver a minha vida. Então quando nós unimos as nossas mãos, nos unimos e tomamos consciência dessa união”, define.