*Reportagem atualizada em 15 de maio, às 11h30, para incluir a resposta da Fac Fea
Uma petição pública criada pelo Movimento Dialogue, de Araçatuba (SP), quer a redução da taxa das mensalidades das quatro faculdades particulares instaladas no município. A campanha teve início nesta terça-feira (12) e até às 21h desta quarta-feira (13), já havia coletado 1.437 assinaturas.
O abaixo-assinado está disponível no site até o próximo domingo (17) e o objetivo é alcançar 2.000 assinaturas.
Na publicação, o grupo destaca que a pandemia de covid-19 trouxe impactos negativos para estudantes e que tratar a questão da redução das mensalidades, assim como outros pontos, é urgente, para que os universitários consigam levar adiantar o semestre.
“Tratar a questão da redução das mensalidades com o discurso de que ‘vai analisar caso a caso’ é negar-se a ver que todos os estudantes vêm sofrendo tanto com a redução do rendimento dos estudos, quanto com a incapacidade de permanecer pagando o valor integral da mensalidade neste momento, onde a economia retrai e muitos estão sofrendo
com o fim do seu contrato de trabalho (...)”
Custos
O site ainda destaca que o fato das aulas serem aplicadas por meios virtuais, houve diminuição dos gastos,
como limpeza, energia, água, manutenção predial e outros.
“O custo das aulas à distância é extremamente menor que o custo da aplicação de aulas presenciais, e neste momento de dificuldade financeira de toda a população, são mais que necessárias a revisão e a diminuição do valor das mensalidades”.
De acordo com o estudante Wesley Monea dos Santos, que integra o movimento, é esperado que seja dado um abatimento de, no mínimo, 15% da taxa mensal.
Ele também detalha que os universitários que integram o Dialogue e os grupos da faculdade têm debatido sobre a dificuldade em custear os estudos com a pandemia e que ao questionarem as instituições, tinham como resposta a análise de caso a caso.
Abatimento
A necessidade de criar uma petição veio após uma enquete criada pelo grupo no Instagram, onde os membros verificaram que 90% das pessoas são favoráveis à redução da mensalidade.
“Destaco ainda queda no aprendizado com as aulas on-line e a incógnita sobre a aplicação das provas, pois a faculdade ainda não se manifestou sobre isso. Importante dizer também que o que se pede é o abatimento dos custos que a universidade não está tendo durante este período, não a redução de salários e a demissão de funcionários”.
Após o encerramento do abaixo-assinado, Santos destaca que pretende anexar no documento o número geral de assinaturas, ou seja, o resultado, e apresentá-lo nas instituições.
Unisalesiano
Por meio de nota, o Unisalesiano afirmou que já verificou que houve aumento de inadimplência por parte dos alunos, mas não informou detalhes. Disse ainda que desde o final do mês de março, a instituição disponibiliza um canal de atendimento individualizado para atender caso a caso.
“O Unisalesiano reconhece a gravidade do momento que todos estão passando com reflexos na parte econômica e financeira dos universitários, como também trabalha para não prejudicar o ensino e o futuro profissional de cada um. Quanto à mensalidade, as aulas continuam a ser aplicadas de forma remota, não havendo redução nos salários de professores, coordenadores e demais funcionários”.
Unitoledo
O Unitoledo informa por meio de nota que, devido à crise instalada por conta do novo coronavírus, a instituição vai lançar nos próximos dias o programa “Unitoledo com você”.
O projeto visa oferecer isenções integrais e flexibilização de pagamento de mensalidades para cada mês de quarentena. “Poderão solicitar os benefícios do programa os alunos dos cursos de graduação (modalidades presencial e à distância) renovados e matriculados no 1º semestre letivo de 2020”, afirma.
O edital para o programa deve ser lançado em breve, mas não foi divulgada uma data prévia. As informações detalhadas serão divulgadas aos estudantes da instituição.
No total, a instituição tem mais de cinco mil alunos da modalidade presencial estudando em casa. As disciplinas são ministradas pelos mesmos professores, nos horários habituais e com o mesmo conteúdo, com interação, chat e discussões. Ainda para atender os universitários, o estabelecimento explica que fechou uma parceria com uma operadora de telecom para oferecer pacotes e planos de dados com condições diferenciadas para os alunos que precisam de mais recursos para as aulas on-line.
Fac Fea
A Fac Fea ( Faculdade da Fundação Educacional Araçatuba) disse ao Hojemais Araçatuba , nesta quinta-feira (14), que o conselho curador da instituição já aprovou em março um abatimento de 50% nos meses de abril e maio e que seriam pagos ao longo do segundo semestre.
"Também comunicamos a aqueles (as) que estavam sendo prejudicados com a pandemia financeiramente, que agendassem reunião para encontrarmos soluções para esses contratempos. Sabemos que alguns estão encontrando dificuldades financeiras para honrar acordos. Esses, reforço, terão apoio, aliás, já salientado em documento enviado a todos (as) por e-mail", destaca o vice-presidente da fundação, Marcos Francisco Alves, que atualmente exerce a presidência e é conselheiro da Apeoesp (Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo).
Segundo ele, a inadimplência na instituição chega a 29,5% e que por conta da continuidade da pandemia, o conselho já está pensando em como fazer a partir de junho para prosseguir com os abatimentos.
"O que é difícil de aceitar são propostas como não pagar professores (as) e funcionários (as) para dar abatimentos. Esses profissionais estão fazendo trabalho em casa, fazendo aulas virtuais, corrigindo trabalhos, produzindo materiais, mantendo a instituição funcionando. Muitos tem comparecido à faculdade para evitar o colapso das atividades. A não ser, claro, que concordem ou encontremos soluções que não inviabilizem a instituição", completa.
Até a publicação da reportagem, a Unip ainda não haviam mandado seus posicionsamentos sobre o assunto.
Acordo
Na última segunda-feira (11), o Procon-SP e o Semesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo), firmaram acordo com diretrizes para negociações entre alunos e instituições de ensino superior.
Em nota, o Procon-SP afirmou que esses direcionamentos foram estabelecidos diante da crescente demanda dos consumidores no Estado de São Paulo que enfrentam dificuldades de negociar o valor das mensalidades com as instituições privadas de ensino superior.
Dentre as diretrizes, a instituição deverá disponibilizar, no mínimo, um canal de atendimento ao consumidor para tratar das questões financeiras e as demandas devem ser atendidas com rapidez, assim como a análise de situações de inadimplência.
Durante a negociação da mensalidade, a instituição poderá exigir somente os documentos estritamente necessários que comprovem a falta de condição de pagamento, vedada a exigência de documentação coberta pelo sigilo bancário ou fiscal, além de outras medidas acordadas.
Também por meio de nota, o Semesp explica que foi mostrado ao Procon-SP que todas as instituições estão adotando medidas para garantir a manutenção das aulas ministradas de forma remota e on-line, e que para suportar essa transmissão virtual, esses estabelecimentos de ensino estão sendo obrigados a aumentar suas despesas, com a instalação de novos equipamentos tecnológicos e a aquisição de licenças de uso de novas ferramentas digitais.