Quanto mais cedo o nódulo for detectado, maiores as chances de cura do câncer de mama, segundo o mastologista de Araçatuba (SP), Paulo Gil Katsuda.
Ainda conforme o especialista, as mulheres não podem ter medo da doença, porque ela tem cura. Mas é preciso alguns cuidados com a saúde, como ter alimentação saudável, praticar exercícios e visitar o médico regularmente. Confira a entrevista com o especialista.
O número de pacientes com câncer de mama tem aumentado nos últimos anos?
Sim, tem aumentado bastante o número de casos no Brasil e no mundo. Estamos esperando para 2019, no mundo, 2 milhões de novos casos de câncer de mama e, no Brasil, cerca de 60 mil novos casos.
A que podemos atribuir esses números?
Ninguém sabe ao certo. Acha-se que é o estilo de vida moderna das mulheres, essa mudança nos hábitos. Nos Estados Unidos, a incidência é muito maior do que a nossa: são 260 mil novos casos de câncer de mama por ano. Para este ano, por exemplo, uma em cada oito americanas vai ter câncer de mama (No Brasil, levantamento da Sociedade Brasileira de Mastologia revela que uma em cada 12 mulheres terá um tumor nas mamas ao longo da vida). Então, eles têm mais do que a gente. Eles pesquisam e não se sabe a causa desse aumento no número de casos. Acredita-se que tenha esse fator ambiental, que é o hábito de vida da mulher moderna.
Qual a maior incidência da doença?
O aumento da incidência é a partir dos 40 anos de idade, principalmente entre 50 e 70 anos de idade. Mas isso é estatístico.
Também tem aumentado o caso de câncer de mama em homens?
A estatística geral de câncer de mama masculino é de um caso para cada 100 casos de mulheres (1%). Mas eu tenho, na minha clínica privada, observado um aumento de casos. Nesses últimos três meses eu tive três casos novos de câncer de mama masculino.
Quais são os fatores de risco para o surgimento do câncer de mama?
Existem vários fatores de risco para o câncer de mama. Um deles é ser mulher, porque mulher tem mais câncer do que o homem. Mas temos outros fatores como a primeira menstruação muito cedo; a última menstruação muito tarde; uso de bebida alcoólica em excesso; cigarro; sedentarismo; obesidade, principalmente na menopausa; a reposição hormonal depois da menopausa; a nuliparidade. Pessoas que não tiveram filhos ou que não amamentam têm um pouco mais de chance, mas uma das coisas principais são os antecedentes familiares. Hoje temos famílias com câncer de mama e existe até um gene que dá para se dosar no sangue que é o do câncer de mama. Quanto mais pessoas com câncer de mama e ovário na família, maior é a chance de se ter a doença. Mas isso não quer dizer que a pessoa que tem todos os fatores de risco vai ter e que alguém que não tem nenhum fator de risco não vai ter; 70% dos casos de câncer de mama no Brasil não são genéticos.
E como se prevenir?
Existem dois tipos de prevenção do câncer de mama. A prevenção primária é não deixar ele formar. Como? Não bebendo, não fumando, praticando atividades físicas, tendo hábitos de vida saudáveis. A prevenção secundária é o diagnóstico precoce, que consiste em ir ao médico regularmente, fazer o autoexame e, principalmente, a mamografia, preconizada após os 40 anos de idade anualmente.
Qual a importância do autoexame?
O autoexame não tem custo, depende apenas da boa vontade da mulher. Consiste em ir apalpando as mamas e procurando algum carocinho ou alguma deformidade na mama. O autoexame não substitui os exames de imagem e o exame médico periódico. Mas a vantagem é que pode ser feito a qualquer tempo e sem custo.
Com qual periodicidade é recomendado o exame clínico?
A mamografia tem que ser realizada anualmente após os 40 anos, por todas as mulheres. A ultrassonografia de mamas precisa ter a necessidade avaliada pelo médico. O autoexame deve ser feito a partir do momento em que se tem uma mama.
Há alguma maneira de se detectar a doença antes dela se manifestar?
É a mamografia que faz o diagnóstico precoce do câncer antes dele se tornar sintomático ou clínico. Adiantando que 70% dos casos de câncer de mama não causam dor, por isso é traiçoeiro, porque não causa um alarme para a pessoa ir procurar um médico. Por isso é importante que a gente ache antes de se tornar palpável. Existem trabalhos que afirmam que quando ele está palpável é porque está acima de 1 cm de tamanho, o que é considerado grandinho.
Alguma consideração?
O mais pertinente é que a mulher não tenha medo. Faça mamografia regularmente, a partir dos 40 anos, e não tenha medo de procurar a doença, porque o câncer de mama tem cura. A incidência de câncer de mama nos Estados Unidos é muito alta, mas a mortalidade está caindo porque está tendo mais diagnóstico precoce e hoje em dia, por meio de pesquisas e medicações, o tratamento está cada vez mais curativo. Um câncer de mama não é um atestado de óbito. A mulher tem que procurar, porque a chance de cura está no diagnóstico precoce e se tiver qualquer dúvida, tem que procurar o ginecologista ou mastologista.