Cotidiano

Rio Preto registra caso de Febre do Nilo Ocidental

Primeira vez que o Estado de São Paulo registra em humanos, casos da doença, que é uma infecção viral aguda causada por mosquito do gênero Culex

Hojemais Araçatuba
24/08/26 às 18h18

A Secretaria de Estado da Saúde confirmou nesta segunda-feira (24), os dois primeiros casos humanos de FNO (Febre do Nilo Ocidental) no território paulista. É a primeira vez que o Estado de São Paulo registra em humanos, casos da doença, que é uma infecção viral aguda causada por um arbovírus, grupo que também inclui os vírus responsáveis por doenças como dengue, Zika, chikungunya e febre amarela

Segundo o CVE-SP (Centro de Vigilância Epidemiológica) "Prof. Alexandre Vranjac", o primeiro caso é de uma moradora de Ribeirão Preto, de 34 anos, com histórico recente de viagem à região amazônica, que evoluiu para cura.

O outro caso é de uma jovem de 18 anos, residente em São José do Rio Preto. Ela está internada sob cuidados médicos e os dois casos seguem com o local provável de infecção sob investigação epidemiológica. 

Investigação

Os casos estão sendo investigados por meio das equipes de vigilância epidemiológicas municipais e estadual e foram confirmados por meio de exames laboratoriais do Instituto Adolfo Lutz. Ambos foram notificados ao Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação).

Em nota, a diretora do CVE-SP, Tatiana Lang D’Agostini, explica que a confirmação dos dois primeiros casos humanos de Febre do Nilo Ocidental no Estado reforça a importância da vigilância epidemiológica e do acompanhamento permanente da situação. “As equipes municipais e estaduais seguem atuando na investigação dos casos para identificar o local provável de infecção e orientar as medidas de prevenção” , destaca.

Diante das duas confirmações, a Pasta reforça as orientações à população sobre a doença, seus principais sintomas e as medidas de prevenção contra a exposição aos mosquitos transmissores.

Transmissão

A transmissão da Febre do Nilo Ocidental ocorre principalmente pela picada do mosquito do gênero Culex, como pernilongo ou muriçoca, que adquire o vírus ao se alimentar de aves infectadas. A infecção pode não provocar sintomas.

Estima-se que cerca de 20% das pessoas infectadas desenvolvem manifestações clínicas, que na maioria das vezes são leves. Os quadros podem variar desde uma febre passageira até formas mais graves, com comprometimento do sistema nervoso central ou periférico.

Nos casos graves, a doença pode causar manifestações como encefalite, meningite ou outras alterações neurológicas. Nesses casos, é necessária avaliação médica imediata e, quando indicado, hospitalização.

Sintomas mais comuns

- Febre;

- Mal-estar;

- Falta de apetite;

- Náuseas e vômitos;

- Dor de cabeça;

- Dor muscular;

- Dor nos olhos;

- Manchas na pele (exantema máculo-papular);

- Aumento dos gânglios linfáticos (linfadenopatia); 

- Sintomas neurológicos (confusão mental, rebaixamento do nível de consciência, tremores, convulsões). 

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito por avaliação clínica e exames laboratoriais, especialmente nos casos em que há suspeita da doença. Por isso, pessoas que apresentem sintomas compatíveis e tenham histórico de exposição a áreas com presença do mosquito devem procurar um serviço de saúde e informar essa condição aos profissionais.

Não existe vacina nem tratamento antiviral específico disponível para a Febre do Nilo Ocidental em humanos. O tratamento é de suporte e direcionado aos sintomas, com repouso, hidratação e acompanhamento médico, conforme a necessidade de cada paciente.

Nos casos graves, principalmente quando há comprometimento do sistema nervoso central, pode ser necessária internação hospitalar e atendimento em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). O tratamento pode incluir reposição de líquidos por via intravenosa, suporte respiratório e medidas para prevenir e tratar complicações.

Como se proteger?

- Utilizar repelente;

- Usar roupas que reduzam a exposição da pele, especialmente em áreas de maior risco;

- Utilizar telas em portas e janelas;

- Evitar permanecer exposto aos mosquitos, principalmente do entardecer ao amanhecer;

- Eliminar recipientes e locais que possam acumular água;

- Evitar o descarte de lixo em valas, valetas, margens de córregos, rios e riachos;

- Evitar, sempre que possível, o contato ou manuseio de animais encontrados mortos.

- Redobrar os cuidados do entardecer ao amanhecer, período de maior atividade dos mosquitos Culex.

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