*Matéria atualizada
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Mesmo não estando “atualizadas”, as vacinas existentes no Brasil combatem os sintomas mais graves da covid-19 na suposta nova onda da doença. Especialistas explicam que as subvariantes do coronavírus que estão circulando no País são de alta transmissibilidade, mas não tendem a provocar sintomas clínicos mais intensos, assim como a variante ômicron, principalmente nas pessoas que estão com o ciclo vacinal completo. Daí a importância da imunização coletiva.
As subvariantes são mutações dos vírus. A BQ.1, por exemplo, é “descendente” da BA.5, que era uma das prevalentes em todo o mundo na última onda da ômicron.
O médico infectologista Igor Barcellos Precinoti, de Birigui, explica que tanto a covid quanto a influenza têm como característica a geração de mutantes quando se reproduz, o que torna a presença de mutantes nos vírus algo muito comum.
O que gera preocupação, segundo ele, é que algumas mutações, como a BQ.1, por exemplo, são de alta transmissibilidade e conseguem escapar de uma maneira mais fácil do sistema imunológico. “Mas isso não quer dizer que essa subvariante específica está causando esse aumento no número de casos, porque o número de mutantes de um vírus é incalculável”, diz.
O médico infectologista de Araçatuba, Stelios Fikaris, afirma as subvariantes já estão circulando na região. “Não fizemos uma diferenciação molecular, o que geralmente é feito nos grandes laboratórios, mas o aumento de casos mostra que essas variantes (que são várias) estão por aqui”, disse.
Diferenças
Dados atuais apontam que as subvariantes ômicron provocam o mesmo tipo de quadro na linhagem principal, com menos sintomas clínicos relevantes, porém com alta taxa de transmissão.
Em geral, as queixas incluem dor de cabeça, dor de garganta, tosse, febre, mal-estar, como se fosse gripe forte. “Eventualmente as pessoas contaminadas podem ter sintomas diferentes, como dores abdominais, diarreia, que fogem um pouco do padrão, mas basicamente são sintomas em relação à parte respiratória alta (da garganta para cima)”, explica Fikaris.
De acordo com o infectologista, como as subvariantes são menos agressivas, acabam não resultando em um importante aumento no número de internações. “Vamos ter mais casos, não sabemos ainda quantos, mas com certeza não vai ser igual as primeiras ondas que vimos em 2020”, afirma Fikaris.
As próximas semanas são propícias para facilitar a transmissão do vírus, com a realização da Copa do Mundo, onde as pessoas se reúnem em grupos para beber e comer, dificilmente usando equipamento de proteção, e também nas festas de final de ano. “O resultado disso saberemos daqui duas semanas”, indicou o infectologista Stelios Fikaris.
Vacinação
Para garantir proteção contra os efeitos da doença, a orientação é a vacinação completa, com as doses iniciais mais os reforços.
“As vacinas que temos atualmente protegem contra a covid, tanto que isso é observado pelo número de internações e óbitos que caiu drasticamente após o início da vacinação. E as vacinas que temos disponíveis conferem cobertura parcial para essas novas cepas. Isso significa que as vacinas não impedem a contaminação, mas vacinado, você acaba adquirindo uma síndrome gripal, com sintomas mais brandos”, afirma Precinoti.
Conforme o especialista, existe diferenças entre as vacinas, porém não significativas a ponto de a pessoa descartar alguma marca ou dar prioridade para outra. “Qualquer uma das vacinas disponíveis são eficazes e possuem segurança comprovada”, ressalta.
As crianças também devem ser vacinadas pelos pais. Apesar da covid ter “poupado” as crianças, ainda existem casos graves da doença para esse público. “Não é porque são poucos os casos graves que eu não vou proteger meu filho de ser um caso grave desses. É importante que se pense nisso, que se proteja as crianças”, diz. “Sem contar que as pessoas imunizadas transmitem menos, porque elas já têm um sistema imunológico que diminui a quantidade de vírus do corpo. Menos doente, a pessoa tem uma carga viral menor”, complementa.
Vacina bivalente
Aprovadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) nesta semana para uso emergencial, as vacinas bivalentes da Pfizer contra a covid-19 aumentarão a proteção e poderão reduzir a transmissibilidade da variante e suas subvariantes.
A diferença dela para as que estão disponíveis nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) é a proteção contra as sublinhagens da ômicron, ou seja, cepas diferentes. Comparando, a mesma estratégia é utilizada na vacina contra a influenza, que todo ano é modificada para proteger a população contra as cepas que mais estão circulando naquele momento.
No entanto, as vacinas bivalentes ainda não estão disponíveis. De acordo com o Ministério da Saúde, o contrato da pasta com a Pfizer já inclui a compra das vacinas adaptadas para novas cepas do coronavírus e as estratégia de imunização com as vacinas bivalentes e os grupos que serão priorizados estão em processo de definição pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações). Porém, sem data.
Máscaras
Outra medida de proteção recomendada é o uso de máscaras, segundo Fikaris, principalmente em lugares fechados com grande número de pessoas, como aeroportos e voos. A testagem também é importante, dando preferência para os testes realizados em laboratórios para a notificação dos casos positivos, mas isso não significa que os autotestes são duvidosos. A indicação é mais para que ocorra o efetivo levantamento de dados epidemiológicos para aferir a real prevalência do vírus coronavírus por região - já que os laboratórios públicos e privados são obrigados a notificarem todos os resultados (positivos, negativos, inconclusivos e correlatos) dos testes para a detecção da covid-19, seguindo portaria do Ministério da Saúde.
Para Precinoti, ainda é cedo para comparar a covid com um resfriado comum. “Acredito que estamos chegando esse ponto, mas ainda não podemos afirmar. Pessoas consideradas de risco, como idosos e àquelas que têm comorbidades ainda necessitam de uma atenção maior, porque evoluem para complicações”, finaliza.
ONDE VACINAR
ARAÇATUBA
Em Araçatuba, a vacinação contra a covid a partir dos 3 anos – a indicação de doses varia de acordo com a idade – ocorre de segunda a sexta-feira, em todas as UBSs da cidade. O atendimento é das 7h às 19h, com exceção das UBSs do Planalto, Umuarama I e Pedro Perri, cujo horário vai até as 22h. Na zona rural, a vacinação é das 8h às 15h.
Também está sendo aplicada a vacina para crianças de 6 meses a 2 anos de idade com comorbidades. Para esse público, as doses estão disponíveis nas unidades do Umuarama II, São José, Águas Claras e Pedro Perri. O horário de atendimento é de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 16h.
As comorbidades contempladas nesse momento da vacinação, conforme informe técnico, são diabetes mellitus, pneumopatias graves, cardiopatias graves, doenças neurológicas crônicas, imunossuprimidos, hemoglobinopatias graves, Síndrome de Down e cirrose hepática.
BIRIGUI
Em Birigui, a vacinação para crianças de 6 meses a 2 anos de idade, com comorbidades, acontece às terças e quintas-feiras, nas UBSs 5 (Santo Antônio) e 11 (Portal da Pérola 2), das 7h30 às 17h. No entanto, devido à durabilidade do imunizante, após a abertura do frasco, é recomendado que os pais ou responsáveis não deixem para as últimas horas do dia para procurarem pelo serviço. A vacina para esta faixa etária é a Pfizer Pediátrica Baby.
Já para a faixa etária de 5 a 11 anos (imunização com a Pfizer Pediátrica - tampa laranja), as vacinas estão sendo aplicadas na UBS 5 (Santo Antônio), às quartas-feiras, das 7h30 às 17h.
Para os demais públicos (de 3 a 4 anos e acima de 12 anos), a vacinação ocorre nas UBSs 1 (Cidade Jardim), 2 (Toselar), 5 (Santo Antônio), 9 (Santana/João Crevelaro) e 11 (Portal da Pérola 2), de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h.
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (18) 3643-6238, da Vigilância Epidemiológica Municipal.
*Matéria atualizada para a inserção das UBSs de Birigui que estão vacinando o público adulto.