Será realizada no próximo domingo (7), em Araçatuba (SP), a 6ª edição da Parada do Orgulho LGBT+, a partir das 15h, na avenida Alcides Fagundes Chagas, que leva ao recinto Clibas de Almeida Prado. Segundo a organização, o evento, que se consolidou como uma manifestação cultural e cidadã importante no calendário da cidade, ocorrerá sem qualquer investimento da Secretaria Municipal de Cultura neste ano.
“O evento será realizado em parceria com o governo do Estado de São Paulo, e graças ao esforço coletivo de voluntários e artistas independentes. Convidamos toda a população de Araçatuba e região a comparecer, celebrar a pluralidade e fortalecer o compromisso com a liberdade e o respeito” , informa nota divulgada à imprensa.
Em nota, a organização informa que desde a criação, a Parada do Orgulho LGBT+ contou com apoio institucional da pasta, integrando a programação oficial do aniversário de Araçatuba e recebendo em média cerca de R$ 30 mil em contratação artística e estrutura básica.
Segundo o que foi informado, as cinco edições anteriores foram realizadas com apoio direto, reafirmando o compromisso público com a diversidade e o respeito às distintas manifestações culturais da população.
“Entretanto, com a mudança de gestão, as pautas culturais voltadas à comunidade LGBT+ vêm sendo gradualmente silenciadas, sob justificativas administrativas que resultam na exclusão de iniciativas históricas e relevantes para a cidade” , informa a nota.
Pedidos
Ainda segundo a nota, neste ano a Secretaria Municipal de Cultura não contribui nem mesmo com os banheiros químicos ou lanche de camarim para os artistas locais, “resultando numa falta de preocupação com o conforto mínimo da população e dos artistas, que estão compondo a programação de maneira voluntária, sendo mais de 30, entre DJ’s, performance e produção” .
A organização do evento afirma que a Secretaria de Cultura chegou a consultar a organização da Parada sobre a possibilidade de inclusão no calendário oficial do aniversário municipal, celebrado nesta terça-feira (2). Porém, informa que apesar dos diálogos, o evento não foi incluído na programação, que apresentaria um viés predominantemente religioso.
Retrocesso
Marcos Porto, que é um dos idealizadores da Parada do Orgulho LGBT+, informa em nota que a falta de apoio financeiro e institucional na divulgação do evento causa um forte impacto no resultado final.
“Araçatuba está sendo reconhecida como polo turístico e o movimento cultural LGBT+ veio, nos últimos 5 anos, contribuindo com esse título, movimentando a economia e a projeção da cidade em âmbito estadual. A falta de apoio financeiro da Prefeitura Municipal contribui para o apagamento e retrocesso de tudo o que já foi conquistado” , comenta.
A organização informa ainda que a Parada do Orgulho LGBT+ é um espaço de visibilidade, acolhimento e defesa de direitos. Ela mobiliza famílias, jovens, artistas locais, comerciantes e agentes culturais, além de movimentar a economia criativa e o turismo regional.
Para a organização do evento, a ausência de aporte público neste momento representa um retrocesso na garantia de políticas culturais plurais e democráticas, sobretudo em uma cidade reconhecida por sua diversidade cultural.
“A Parada é mais do que um evento festivo: ela é um ato político e cultural que afirma direitos, promove cidadania e reforça a importância da inclusão” , afirma Gabriel Serafim, um dos idealizadores do evento.
Papel
Para ele, ao não incentivar a realização, o município deixa de cumprir parte de seu papel como agente garantidor de direitos humanos, previsto na Constituição Federal. De acordo com Serafim, cabe ao poder público assegurar espaços seguros de convivência, fomentar a cultura local em toda sua pluralidade e garantir que populações historicamente vulnerabilizadas sejam tratadas com dignidade e respeito.
“Algo que o governo federal e estadual vêm cumprindo e defendendo, e o município, deixando de incentivar um evento que já é parte do calendário anual, vai no sentido completamente oposto, já que o evento inclusive é apoiado pelo Governo do Estado de São Paulo” , declara.
