Cultura

Édith Piaf e Brecht em Araçatuba

O espetáculo musical “A Vida em Vermelho”, escrita por Aimar Labaki, será apresentado às 21h, na Unip

Manu Zambon  - Hojemais Araçatuba 
22/06/19 às 10h29
Musical começou a circular em 2016 e deve estrear temporada no Rio no próximo mês (Foto: Flávia Canavarro / Divulgação)

De um lado, a cantora e letrista francesa Édith Piaf (1915 – 1963), reconhecida internacionalmente pelo estilo de canto denominado chanson. Do outro, o dramaturgo e poeta Bertholt Brecht (1898 – 1956), cujos trabalhos influenciaram e revolucionaram a forma como se faz o teatro contemporâneo.

Em um encontro hipotético e um tanto quanto inusitado, os dois ícones do século XX, interpretados por Letícia Sabatella e Fernando Alves Pinto, sobem ao palco neste sábado (22), no encerramento do Festara (Festival de Teatro de Araçatuba).

O espetáculo musical “A Vida em Vermelho”, escrita por Aimar Labaki, será apresentado às 21h, na Unip (Universidade Paulista), com ingressos esgotados.

Visões

Com realidades e ideologias opostas, eles se encontram em uma sala de ensaios para falar sobre suas vidas, obras, anseios, angústias, medos, sonhos e realizações.

“A intenção do texto e da encenação é justamente criar no palco um embate vivo com essas visões particulares de mundo. Do conflito entre os dois, surge o debate, o contraponto, a justificativa, a argumentação de cada um.

Enquanto de um lado Brecht escreveu toda a sua obra a partir dos conflitos humanos da vida em sociedade, Piaf sentiu na pele as agruras de uma infância pobre e sem recursos. Piaf poderia muito bem ser uma das personagens das peças de Brecht”, conta o diretor da peça, Bruno Perillo, ao Hojemais Araçatuba.

Oprimidos

Piaf era conhecida por cantar coisas de amor e Brecht, como afirma Perillo, tem suas atenções voltadas às questões humanas. Para ele, estão aí dois assuntos que entram em discussão durante a peça. Como cada um tem sua visão particular de mundo, brotam os conflitos e expõem ao público duas faces da mesma moeda.

No espetáculo, o diretor destaca que o repertório de Piaf é intercalado com as canções de Brecht, cujos cancioneiros são bem distintos, mas que não deixam de ser belos, cada um dentro de sua natureza própria.

Brecht é interpretado pelo ator Fernando Alves Pinto (Flávia Canavarro / Divulgação)

“Cada um, a sua maneira, dá voz aos oprimidos. Piaf sempre focando no amor e na possibilidade do encontro como salvação, e Brecht acreditando na luta de classes, criticando as injustiças de uma sociedade cuja elite sufoca o resto”.

“A Vida em vermelho” teve sua estreia em 2016 no Sesc Santo André. Já se apresentaram no Sesc Santo Amaro, Itaú Cultural São Paulo e em dezenas de outros Sescs pelo interior de São Paulo. Também ressalta apresentações em outras partes do Brasil, com temporada no Rio de Janeiro prevista para o mês de julho.

“Estamos muito felizes de apresentar em Araçatuba; é sempre uma alegria o contato com o público e a recepção do espetáculo”, finaliza.“Cada um, a sua maneira, dá voz aos oprimidos. Piaf sempre focando no amor e na possibilidade do encontro como salvação, e Brecht acreditando na luta de classes, criticando as injustiças de uma sociedade cuja elite sufoca o resto”.

“A Vida em vermelho” teve sua estreia em 2016 no Sesc Santo André. Já se apresentaram no Sesc Santo Amaro, Itaú Cultural São Paulo e em dezenas de outros Sescs pelo interior de São Paulo. Também ressalta apresentações em outras partes do Brasil, com temporada no Rio de Janeiro prevista para o mês de julho.

"Estamos muito felizes de apresentar em Araçatuba; é sempre uma alegria o contato com o público e a recepção do espetáculo”, finaliza.

“Incorporar a Piaf é experimentar uma força interior”

Letícia interpreta Édith Piaf (Foto: Divulgação)

Para a reportagem do Hojemais Araçatuba, a atriz Letícia Sabatella falou sobre a composição do espetáculo “A Vida em Vermelho”, das dificuldades e como foi dar vida à Édith Piaf nos palcos.

Para Letícia, a personagem é complexa e fascinante. “Incorporar a Piaf é experimentar uma força interior, energia, sede, intensidade, alta voltagem. (...) Ela é como uma personagem de Brecht”.

Com relação ao idioma francês, ela teve a ajuda do ator Fernando Alves Pinto. “Decoramos juntos, eu, ele e o Demian, que toca piano a peça toda; criávamos cenas e apresentávamos as ideias (...), com questionamentos e novas soluções. Também estudávamos as músicas, que não são simples”.

No início do trabalho, ela também destaca que não foi fácil, já que estava acabando de filmar “Querida Mamãe” e iniciando a novela “Tempo de Amar”, que adiou a ideia de temporada e turnê.

Empatia

Letícia também destaca uma das mensagens que a peça traz, que é elevar a voz dos oprimidos socialmente. “Toda uma época soa pela sua voz, oprimidos gritam pelo seu cantar que vem com sotaque das pessoas do povo. Traz dignidade aos excluídos, desprezados, condenados, moradores de rua, craqueiros da época”.
Para ela, Brecht e Piaf traduzem em arte o que gritam os excluídos.

“Hoje, urge focar em quem está sofrendo mais, ter empatia com que vai sendo feroz e brutalmente ferido com o endurecimento da política econômica, com a ganância do capitalismo sem limites”.

Popular

“Adoro o tom popular da peça, a palhaçada na parceria com o Nando, Demian, Bruno, Zeli, Giba, em cena. Uma trupe zíper afinada: o Bruno, diretor da peça, equipe do cenário, da luz, o som do Biel, da superqualidade de toda a equipe de produção e do autor querido, que é o Aimar Labaki. O espetáculo é popular, de entretenimento, com informação e musicalmente muito bacana”.


Programação completa do Festara neste sábado

Sábado (22/06)

Donde estão as estrelas (Goiânia)

Horário: 11h

Classificação: Livre

Local: Calçadão Princesa Isabel

Sinopse: Ana e Maria são as últimas sobreviventes de seu grupo. “Donde estão as estrelas” conta a trajetória de mulheres do cangaço que se reencontram no meio da cidade após uma emboscada sofrida pelo bando. Para se manterem vivas são obrigadas a fugir da perseguição das “forças volantes” que rodam a região, a caça da cabeça de desordeiros.


Chá Com Bolachas (Intervenção) - Araçatuba

Horário: 16h

Classificação: Livre

Local: Praça do Guanabara

Sinopse: Democratização do acesso à cultura é um desafio a ser superado no cenário nacional, principalmente quando se trata de interior. Dito isso, o objetivo do “Chá com bolachas” é ocupar artisticamente espaços públicos esquecidos da cidade.


As presepadas de Damião – de como fez fortuna, venceu o diabo e enganou a morte com as graças de Jesus Cristo (Campinas)

Horário: 17h

Classificação: Livre

Local: Praça do Guanabara

Sinopse: Espetáculo de rua baseado em contos populares de enganar a morte. Na trama, Damião, homem pobre e amigo da vadiagem, tem seu destino transformado ao ser visitado por dois misteriosos viajantes – Jesus Cristo e sua mãe, Maria. Em agradecimento a sua hospitalidade, Damião recebe a prenda de três pedidos e, com eles, acaba alterando o ciclo natural das coisas, ao impedir que a Morte cumpra sua sentença.


Mukashi Mukashi, era uma vez na terra do sol nascente (Araçatuba)

Horário: 17h

Classificação: Livre

Local: Praça Getúlio Vargas

Sinopse: As histórias em Kamishibai despertam uma maneira diferente e prazerosa de ouvir os contos de antigamente. Não só desenvolver o pensamento mágico da criança, mas também proporcionar aos imigrantes recordações que nenhuma tecnologia substitui.


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