Cultura

Em projeto inédito, contadora de histórias de Araçatuba lança disco, kit lúdico e videoclipe

Tânia Katuapó faz lançamento do seu primeiro disco em formato físico e em streaming, com um “combo cultural” com registros audiovisuais e materiais impressos

Da redação - Hojemais Araçatuba
09/12/21 às 15h50
(Foto: Nick Dalla/Divulgação)

Em um projeto inédito em seus mais de 25 anos de carreira, a contadora de histórias Tânia Katuapó, de Araçatuba (SP), oferece ao público não só o lançamento de seu primeiro disco em formato físico e em streaming, mas também um “combo cultural” com registros audiovisuais e materiais impressos. 

Histórias tradicionais de diversas culturas e algumas canções, essenciais na trajetória de Tânia e que despertam nos ouvintes e espectadores o apreço pela grandeza do universo do ato de contar histórias, compõem as 15 faixas do álbum “Conta Outra – O Universo de Histórias de Tânia Katuapó”.

O trabalho, direcionado a crianças de diversas faixas etárias, estreia marcado por eventos online no começo da segunda quinzena de dezembro.

Para iniciar as ações de lançamento, um show on-line será transmitido na próxima quarta-feira (15), às 20h, no canal no Youtube da Aruê! Arte, Cultura e Holismo, produtora do projeto. Na apresentação, a contadora estará acompanhada pelos músicos Renan Fajardo, Daniel Vilela, Elvis Dean e Amanda Stuck. Para o evento, foi feita uma seleção especial entre as faixas do disco, ficando algumas inéditas exclusivamente para quem tiver acesso ao álbum.

Boneco e dedoches

O projeto é composto ainda por um material impresso, cuja arte foi criada pelo designer gráfico e artista visual Daniel Guizelini a partir das características do trabalho de Tânia. A criação dessa identidade se apresenta no encarte do CD e nos personagens que compõem o kit lúdico especialmente produzido para o projeto.

Daniel criou um papertoy (pequeno boneco de papel para ser montado em formato 3D) inspirado em Tânia Katuapó e mais nove dedoches (para serem recortados e encaixados nos dedos) de personagens das histórias. A ideia é estimular as crianças a brincarem enquanto ouvem as narrações do disco, e também criem depois as próprias histórias com os brinquedos de papel.

O CD (junto com todo o material impresso) estará disponível para venda após o show de lançamento, a partir do dia 18; a compra pode ser feita por meios online ( MercadoLivre ), ou, para residentes em Araçatuba, diretamente com o produtor Rafael Batista, via mensagem privada no perfil do Instagram @arue.cultura . O conteúdo do disco também está disponível no Spotify, Apple Music, Deezer e outras plataformas de streamming a partir desta sexta-feira (10).

E, finalizando as atividades de lançamento, no dia 22 vai ao ar, também no canal do YouTube da Aruê!, o videoclipe com a história “A princesa e a Lua” e a “Canção da Lua Cheia”, música da autoria da contadora de histórias, celebrando a simbologia do feminino.

(Foto: Divulgação)

Produção

A proposta de produção do álbum, como conta Tânia, vinha sendo gerada desde 2015, quando foram iniciadas as gravações no estúdio HGT Records, em Araçatuba. Os planos foram adiados momentaneamente, até que no ano passado, em parceria com a produtora Aruê! Arte, Cultura e Holismo, do produtor cultural Rafael Batista, o projeto foi inscrito em concurso viabilizado pela Lei Aldir Blanc, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e do ProAC (Programa de Ação Cultural). Assim, pela união das forças culturais e também pelo histórico de realização de Tânia com o público infanto-juvenil, o projeto foi contemplado.

“Este projeto surge da importância de realizar este registro e pela possibilidade de contribuição afetiva, sensorial e educativa que arte de ouvir e narrar histórias proporciona. Sabe quando a criança nasce e precisa de um registro? Vejo este trabalho como o registro físico, visual e sonoro da minha história artística e humana. Um registro que vale para o plano físico e para o espiritual. Em muitas vivências na minha trajetória eu penso: se é bom pra mim, me alimenta e nutre o espírito, pode ser bom para o outro. No meu trabalho é assim: procuro o melhor de mim”, explica Tânia.

A seleção do material gravado no disco foi feita a partir da importância destas histórias na trajetória artística da contadora, já que são parte de diversas apresentações feitas por Tânia ao longo dos mais de 25 anos de sua carreira. Além disso, outros critérios importantes na seleção foram o fato de essas histórias pertencerem a tradições da cultura popular e que pudessem agradar a todas as idades.

“São histórias tradicionais de diferentes culturas, sendo este um trabalho que preza pela diversidade. Há narrações de cultura africana, indígena brasileira, europeia, entre outras. São histórias difundidas largamente ao longo do tempo dentro e fora de seus locais de origem”, complementa a artista.

Mesmo sendo um projeto direcionado a crianças, Tânia afirma ainda que pessoas de diferentes faixas etárias podem se encantar com as narrativas, já que a antiga prática de ouvir e contar histórias é uma ferramenta de estímulo a criatividade, transmissão de conhecimento e afetividade, de extrema importância para a preservação das culturas.

Tânia 

Tânia Katuapó foi batizada em cartório com o nome Tânia Aparecida Antunes. O Katuapó, adotado em 2016, foi um presente. Naquele ano, a contadora de histórias participou de um encontro de aldeias indígenas na Chapada dos Veadeiros. Depois de um encontro numa fogueira, com tapioca, peixe e trocas de histórias de vida, uma mulher indígena da etnia Yawalapiti ofereceu a Tânia o próprio nome. Katuapó significa bonito. 

Assim como esse momento vivido pela artista, contar histórias é um universo mágico. “A contação de histórias esteve sempre presente na minha vida, desde o início do meu ofício como professora de Arte e pelo tempo em que atuei no teatro. As histórias movem pensamentos, movem imagens e isso fascina crianças em todas suas idades, e também os adultos. Há sempre algo que irá encantar alguém; as narrativas já trazem um acalanto, embalam. As histórias são nutrição pro psíquico”, comenta.

Tânia começou a contar histórias profissionalmente junto com animação infantil, utilizando fantoches e cineminha. “Meu amor pela contação foi crescendo tanto, que uma hora resolvi mudar. Conheci a história de Sherazade, montei minha ‘caixa de Pandora’, encontrei minhas ancestrais e me encontrei como contadora. Passei pelo teatro, pela Educação, e agradeço muito. Hoje levo a narrativa, levo a sonoridade e recursos teatrais para junto de minha prática”, conta. Tânia tem especialização em Artes Plásticas e educação infantil, e ministrou aulas de artes para adolescentes (ensino médio). 

A artista já participou de diversos festivais e encontros de contação de histórias, em diferentes regiões. Passou pelos grupos Óptica Sonora Deixa que Eu Conto, Trupe Cobra D'Água e Bando Arteiros. Além disso, foi responsável pela realização do primeiro encontro de contadores de histórias em Araçatuba (on-line). Em 2011, recebeu o Troféu Odette Costa, premiação oferecida pela Secretaria de Cultura de Araçatuba para artistas e grupos de destaque em seus segmentos a cada ano. 

• Para assistir ao show e ao videoclipe (dias 15 e 22 de dezemnbro): youtube.com/AruêArteCultura
• Para adquirir o álbum: https://bityli.com/MhwBSQ (Mercado Livre) e @arue.cultura  
• Para ouvir o disco nas plataformas online (a partir de 10/12): onerpm.link/606998983318 (pré-save)


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