A Prefeitura de Araçatuba (SP) comunicou nesta quarta-feira (2), que deu início ao processo administrativo para o tombamento da Plataforma Ferroviária, estrutura da antiga estação ferroviária da cidade, que fica na avenida dos Araçás.
O procedimento que foi publicado no último sábado (29), também prevê o tombamento do Largo da Noroeste do Brasil, popularmente conhecido como
"Praça do Relógio"
, onde está instalado o Terminal Urbano do transporte coletivo.
Todo esse complexo faz parte do centro histórico de Araçatuba e compõe o conjunto urbano da Vila Ferroviária. Segundo a Prefeitura, com a instauração do processo, os bens ficam protegidos em caráter provisório, até o tombamento definitivo.
Demolição
Em maio de 2019, a administração municipal da época informou ao Hojemais Araçatuba que havia iniciado um estudo para revitalização da área central da cidade, que previa a demolição da estrutura da estação ferroviária, construída na década de 1960.
Na ocasião, foi informado que o objetivo da administração era investir significativamente na modernização das condições de mobilidade no local. Diante disso, houve uma mobilização por parte de um grupo ligado à Cultura e o processo foi suspenso.
Tombamento
Segundo a atual administração municipal, o processo administrativo para o tombamento dos dois espaços iniciado é conduzido pela Secretaria Municipal de Cultura, por meio do DPPHAC (Departamento de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural).
“O procedimento foi instaurado por portaria e segue os trâmites previstos na lei municipal 7.419/2011. Durante esse período, ficam vedadas quaisquer intervenções, exceto os serviços de conservação e manutenção”
, afirma a nota.
Preservação
Ainda de acordo com o que foi informado, a Prefeitura de Araçatuba prevê realizar obras de retrofit, modernizando as instalações e preservando a história e a arquitetura original dos imóveis.
“O processo considera os estudos técnicos e os documentos elaborados e reunidos pelo DPPHAC, bem como o interesse público na identificação, proteção e preservação desses bens, considerados de relevância histórica, arquitetônica, urbanística, paisagística e cultural para a cidade”
, informa a nota.
Bens culturais
Também em nota, a secretária municipal de Cultura, Vanessa Manarelli, explica que Plataforma Ferroviária e a Praça do Relógio são classificadas como bens culturais de natureza material e representam um período importante da formação econômica e social de Araçatuba.
“A medida (tombamento) reafirma o nosso compromisso com a proteção do patrimônio cultural, que preserva parte importante da memória coletiva e da identidade do município”
, afirma.
Características
A Plataforma Ferroviária da antiga RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.) foi projetada pelo arquiteto Luís Soares Villaça e construída entre 1º de agosto de 1962 e 31 de dezembro de 1963. Ela fica na avenida dos Araçás, entre as ruas Joaquim Nabuco, Olavo Bilac e Tupi.
A estrutura foi edificada em substituição à primeira estação de alvenaria, construída em 1921 e implantada quando a antiga NOB (Estrada de Ferro Noroeste do Brasil) já estava incorporada à RFFSA.
Já o Largo da Noroeste do Brasil, conhecido como praça do Relógio, fica entre as ruas Joaquim Nabuco e Olavo Bilac. O espaço livre público foi concebido e executado em consonância com o contexto urbano da plataforma, contendo calçada margeando seu perímetro, área ajardinada e o relógio.
Os imóveis foram transferidos da antiga Rede Ferroviária Federal para o patrimônio municipal pelo governo federal, por meio do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, e estão em área especial de interesse histórico definida pelo Plano Diretor, instituído pela Lei Complementar 300/2023.
Tombamento integra o projeto de requalificação do centro histórico
A secretária de Cultura do Estado visitou a obra de restauração da Casa do Engenheiro Chefe (Foto: Lázaro Jr.)
A Prefeitura de Araçatuba informa que o tombamento da Plataforma Ferroviária e da Praça do Relógio integra o projeto de requalificação do centro histórico proposto pela atual administração municipal.
Na semana passada, a reportagem acompanhou uma visita da secretária estadual da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Marília Marton, às obras de restauro da Casa do Engenheiro Chefe da NOB, que abriga o acervo do Museu Histórico e Pedagógico Marechal Cândido Rondon e também fica no centro histórico da cidade.
O imóvel foi construído na década de 1920 e a restauração está sendo feita com recurso do ProAC-SP (Programa de Ação Cultural), provenientes da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc). A previsão é de que a restauração seja concluída até o final deste ano, para o museu ser reestruturado e reaberto ao público em 2027.
Casa Modelo
Também em agosto, foi apresentado para a Prefeitura o projeto executivo da “Casa Modelo”, que prevê a conservação, restauro e requalificação de duas casas tombadas da antiga Vila Ferroviária.
Os imóveis a serem restaurados ficam na rua Joaquim Nabuco, 143 e 151-B, ao lado do Museu Ferroviário Moisés Joaquim Rodrigues, e são tombados devido à relevância arquitetônica e histórica.
E também em agosto, foi realizado um sarau para celebrar os resultados das ações de conservação preventiva e manutenção desenvolvidas em um antigo barracão ferroviário, atual sede da UNA (Universidade Aberta da Melhor Idade), também na Vila Ferroviária.
O Unisalesiano foi responsável pela revitalização, reforçando a importância da preservação do patrimônio como instrumento de fortalecimento da identidade e da memória coletiva.
Mais
Em entrevista durante a visita da secretária de Estado da Cultura na semana passada, o prefeito Lucas Zanatta (PL) lembrou que o Sesc irá restaurar o prédio do antigo Centro Cultural Ferroviário, o que também deve contribuir para valorizar o centro histórico da cidade.
Ainda de acordo com ele, haverá outros investimentos no centro histórico de Araçatuba, com o objetivo de transformá-lo em um local para a família.