Cultura

Fotos de araçatubense em aldeia no Xingu ganham exposição na Espanha

Camila Vinhas Itavo registrou o dia a dia da aldeia Kamayurá, no Parque Nacional do Xingu, no Mato Grosso, por mais de um mês

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
13/12/21 às 18h30
(Foto: Reprodução/Facebook)

A exposição “No Xingu, há mais de 100 anos”, da fotógrafa Camila Vinhas Itavo, de Araçatuba (SP), ganhou uma nova temporada no Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca, na Espanha, localizado no Palacio de Maldonado. As fotografias, que dão espaço e voz às raízes do povo brasileiro, ficam em cartaz até dia 22 de dezembro.

Por meio da mostra, que é física e oferecida gratuitamente, Camila revela o dia a dia da aldeia Kamayurá, no Parque Nacional do Xingu, no Mato Grosso. Por meio das imagens, ainda são consideradas reflexões sobre os anseios da nova geração de indígenas e os saberes do pajé do Xingu, Takumã Kamayura, o mais antigo e consagrado líder espiritual da tribo.

“As imagens aqui preservadas captam uma cena que está prestes a mudar completamente com a abertura da barragem de Belo Monte, que prevê uma redução de 80% na vazão do rio Xingu”, afirma a fotógrafa.

A exposição já teve uma primeira temporada em junho e julho deste ano, por meio de seleção em edital ocorrido em 2020. Após esse período, Camila recebeu convite para expor em nova data. Em 2019, o trabalho foi contemplado pelo 31º Inverno Cultural de São João Del Rei (MG). 

Viagem

Atendendo ao convite do pajé, a autora viajou, em fevereiro de 2011, para a aldeia, onde permaneceu por mais de um mês, hospedando-se na casa do pajé, com a eletricidade fornecida por um gerador a gasolina que funciona das 19h30 e 21h30.

Nesse período, o pajé contou sobre seu encontro com o então presidente da República, Jânio Quadros, na época da formação do Parque Nacional, em 1961, devastado pelo desmatamento. Takumã faleceu em outubro de 2014.

(Foto: Reprodução/Facebook)

Camila conta que, junto com os irmãos Villas-Boas e Jânio Quadros, o pajé foi o fio histórico que levou à criação do Parque Nacional do Xingu. “Uma área esquecida, muito pouco retratada ou registrada, do território brasileiro”, define.

A obra tem caráter documental e histórico e é apresentada como um testemunho de uma organização ancestral, de um modo de vida totalmente integrado à natureza no século 21.

“A aldeia Kamayurá é considerada a guardiã das manifestações culturais de todo o Xingu. É lá que acontecem os grandes encontros entre as diferentes tribos durante as festividades Kuarup. Portanto, outro objetivo deste projeto é resguardar esses conhecimentos e figuras marcantes na história deste Brasil desconhecido, e revelá-los e dar-lhes o lugar que merecem”.

Sobre a autora

Além de fotógrafa, Camila é bailarina e jornalista formada pela Unesp de Bauru. É doutoranda em Performances Culturais na Universidade Federal de Goiás, com pesquisa focada em dança e audiovisual. Nesse ano, foi contemplada com a Lei Aldir Blanc para a produção de “Quanto mais contato melhor”, para o filme “Gesta do Gesto” e o cinedança “Eu Rio”, inspirado na obra do fotógrafo Masaru Emoto que provou que a água tem consciência. Todos disponíveis no canal ( https://youtube.com/c/CamilaVinhasItavo ).

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