A exposição “No Xingu, há mais de 100 anos”, da fotógrafa Camila Vinhas Itavo, de Araçatuba (SP), ganhou uma nova temporada no Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca, na Espanha, localizado no Palacio de Maldonado. As fotografias, que dão espaço e voz às raízes do povo brasileiro, ficam em cartaz até dia 22 de dezembro.
Por meio da mostra, que é física e oferecida gratuitamente, Camila revela o dia a dia da aldeia Kamayurá, no Parque Nacional do Xingu, no Mato Grosso. Por meio das imagens, ainda são consideradas reflexões sobre os anseios da nova geração de indígenas e os saberes do pajé do Xingu, Takumã Kamayura, o mais antigo e consagrado líder espiritual da tribo.
“As imagens aqui preservadas captam uma cena que está prestes a mudar completamente com a abertura da barragem de Belo Monte, que prevê uma redução de 80% na vazão do rio Xingu”, afirma a fotógrafa.
A exposição já teve uma primeira temporada em junho e julho deste ano, por meio de seleção em edital ocorrido em 2020. Após esse período, Camila recebeu convite para expor em nova data. Em 2019, o trabalho foi contemplado pelo 31º Inverno Cultural de São João Del Rei (MG).
Viagem
Atendendo ao convite do pajé, a autora viajou, em fevereiro de 2011, para a aldeia, onde permaneceu por mais de um mês, hospedando-se na casa do pajé, com a eletricidade fornecida por um gerador a gasolina que funciona das 19h30 e 21h30.
Nesse período, o pajé contou sobre seu encontro com o então presidente da República, Jânio Quadros, na época da formação do Parque Nacional, em 1961, devastado pelo desmatamento. Takumã faleceu em outubro de 2014.
